Ano deficitário
A Prefeitura
de Cascavel anunciou ontem que conseguiu diminuir o déficit previsto
ainda no mês de novembro e que fechou 2006 com furo de caixa de
R$ 1,5 milhão, que de alguma forma agora precisará ser compensado
ao longo deste ano. Naquela época, o ex-secretário de Finanças
Ângelo Malta dissera que havia um rombo no caixa municipal de R$
3,5 milhões, podendo aumentar caso não fossem tomadas providências
drásticas.
A prefeitura arrecadou bem menos do que previu. Mas isso não pode
ser usado como desculpa para justificar o furo de caixa. Ocorre que não
houve controle dos gastos e, se há déficit, é porque
gastou-se aquilo que não podia. E R$ 1,5 milhão num período
crítico como o atual, em todas as prefeituras e governos do País,
não é pouca coisa.
O outro problema é creditar a um software a responsabilidade pela
dívida. O programa de computador pode ter confundido, mas é
de responsabilidade do gestor o controle total das contas.
Apesar do furo de caixa, as principais obras realizadas em 2006 foram
bancadas com dinheiro federal, com pouca contrapartida do Município.
Praça Itália, Feira do Pequeno Produtor e os dois postos
de saúde tiveram respaldo financeiro da União.
Do que dependia basicamente da arrecadação municipal, pouca
coisa foi feita. As ruas da cidade estão a imagem e semelhança
de um queijo suíço, os médicos que faltam nos postos
de saúde não foram contratados e muitos eventos que antes
tinham o apoio do Município receberam um sonoro não ao pedido
de ajuda.
Mesmo assim o Município gastou demais, a ponto de ter o furo de
caixa. Leva à conclusão que, apesar de ter arrecadado muito
abaixo do previsto, o dinheiro foi gasto em situações que
não eram prioritárias.
Mas como a chegada de cada novo ano alimenta a esperança de dias
melhores, que a Prefeitura de Cascavel não passe pelas mesmas dificuldades
em 2007 e que possa prosperar. Quem ganha com isso é o povo.
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