Valorização
do idoso começa dentro de casa
Felipe Aquino
é teólogo, professor e apresentador dos programas Escola
da Fé e Trocando idéias, na TV Canção Nova
- www.cancaonova.com
No dia 27,
comemoramos o Dia Internacional do Idoso. Deus instituiu a família
humana como “santuário da vida”. Um lugar sagrado,
para que a vida pudesse existir com segurança, ser cuidada com
amor e vivida com alegria. Se a família for destruída, a
vida ficará desprotegida.
O papa João Paulo II disse, certa vez, que educar é o prolongamento
do ato de gerar. É na família que a criança cresce
segura e respeitada; é ali que ela experimenta o amor, crescendo
feliz e equilibrada. Na família, também, a vida é
protegida durante a fase outonal da velhice. Sem uma família que
o ampare, o idoso não tem condições de viver bem
e gozar de alguma saúde.
Na velhice, todas as faculdades físicas enfraquecem. Os olhos já
não enxergam como antes; os passos agora são lentos e, muitas
vezes, precisam do apoio de bengalas; os ouvidos já não
ouvem bem; os dentes já não são fortes como antes;
os braços já não podem fazer força... o corpo
dói com facilidade porque os músculos são frágeis
e todos os órgãos já estão cansados. Facilmente,
a doença se instala.
É lamentável que muitas pessoas só percebam e respeitem
essa realidade quando elas próprias chegam à velhice. Quando
jovens e ágeis, não percebem a fragilidade do ancião
e não lhes dão a devida atenção.
Devemos refletir mais sobre isso. Os idosos de hoje foram aqueles que
construíram o mundo até aqui. Agora, não podendo
contar com o mesmo vigor de antes, acabam dependendo dos cuidados dos
mais jovens. É justamente nessa hora que a família tem a
possibilidade de retribuir ao idoso tudo o que ele fez antes, ajudando-o
sempre que necessário, amparando-o.
Dizem que um pai é capaz de criar dez filhos, mas, às vezes,
esses dez filhos depois não são capazes de cuidar desse
pai. Quantos pais estão dolorosamente abandonados na solidão
de um quarto, ou, quem sabe, em um asilo? Muitas vezes, a solidão
é mais fatal do que a doença. De muitos olhos cansados correm
lágrimas de tristeza e de saudade dos seus.
Não basta dar aos velhos um lugar para viver, se for para ficarem
longe de suas famílias. É preciso mais. É indispensável
o calor do lar, a companhia dos filhos e dos netos que também ajudou
a criar. Nessa hora é que a gente enxerga a verdadeira família.
Deus valoriza muito os pais, especialmente na velhice. Não foi
por acaso que Ele colocou entre os Dez Mandamentos um especialmente para
os pais: “ IV - Honrar pai e mãe”. São Paulo
diz que esse Mandamento é “o primeiro” que vem acompanhado
de uma promessa de Deus. “Honra teu pai e tua mãe, para que
sejas feliz e tenhas vida longa sobre a terra” (Dt 5,16; Ef 6,2).
Quem de nós não quer ter vida longa sobre a terra? Quem
de nós não quer ser feliz nesta vida? Quando o livro do
Eclesiástico fala da importância dos pais, fala aos filhos:
“Meu filho, ajuda a velhice do teu pai, não o desgoste durante
a vida. Se seu espírito desfalecer, sê indulgente, não
o desprezes porque te sentes forte, pois tua caridade para com o teu pai
não será esquecida”. “... por teres suportado
os defeitos de tua mãe, ser-te-á dada uma recompensa: [1]
tua casa tornar-se-á próspera na justiça; [2] lembrar-se-ão
de ti no dia da aflição; [3] teus pecados dissolver-se-ão
como o gelo ao sol forte” (3, 14-17).
São muitas as promessas que Deus faz ao bom filho, àquele
que cuida bem dos seus pais, especialmente quando eles já estão
no final da vida. Muitos filhos, nas atribulações do dia-a-dia,
acabam se esquecendo dos pais idosos, faltando-lhes o carinho, a companhia
e o sustento. Sabemos que é incômodo cuidar dos velhos, doentes,
às vezes ranzinzas. Mas é nesta hora, sobretudo, que se
prova o amor dos filhos por eles.
Se a nossa caridade para com os outros irmãos não é
esquecida por Deus, quanto mais a caridade para com nossos pais! Uma boa
maneira de ajudar o idoso a viver bem é dar-lhe a oportunidade
de trabalhar dentro de suas possibilidades; se o seu corpo agora é
fraco, no entanto a sua experiência é valiosa; a sua sabedoria
é grande. Saibamos beber nesta fonte de graça.
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