EDITORIAL
Caso Ferreirinha às avessas
Enquanto
a máfia dos Sanguessugas toma conta da mídia nacional e
compromete a situação a idoneidade de muitos políticos
brasileiros, no Paraná a investigação do momento
e que poderá dar novo rumo às eleições no
Estado está relacionada a escutas telefônicas.
O governador licenciado Roberto Requião, candidato à reeleição,
que chegou a ser cassado em 1990 – mas o processo foi arquivado
pelo STF (Supremo Tribunal Federal) - por suposta armação
que ficou conhecida como “Caso Ferreirinha”, passou de vilão
à vítima. Em 1990 Requião perdia as eleições
contra José Carlos Martinez, falecido em acidente de avião,
mas virou após a divulgação do caso.
Agora o governador se vê em situação inversa. Líder
nas pesquisas que apontam a sua vitória em primeiro turno, precisa
explicar a ligação de um policial civil com o seu gabinete
e o escândalo de escutas telefônicas. A oposição
bate firme no governador, acusando-o de ter o mandante das escutas. O
policial civil Délcio Augusto Rasera está preso e já
confirmou, em depoimentos, que trabalhava para o governo. Só não
disse o mais importante: as escutas eram feitas a mando de quem.
No caso Ferreirinha, um motorista de ônibus aposentado apareceu
no programa do então candidato Requião, se dizendo um matador
de aluguel a serviço da Família Martinez. Após o
episódio Requião virou o jogo e saiu vencedor.
O Caso Rasera, dos grampos telefônicos, por enquanto não
tiveram efeito prático nos números eleitorais. Requião
não subiu nem desceu.
Mas existem fatos novos que podem mexer com a disputa eleitoral no Estado.
O Jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, estampou manchete na edição
de ontem afirmando que o governo do Estado licitou equipamentos para escutas
telefônicas.
Além da possível invasão de privacidade de políticos
e empresários, o problema maior está na denúncia
de que Rasera alertava investigados da Polícia Federal. Se ficar
confirmado o fato e a sua ligação com o governo, não
resta dúvidas que o Paraná vivenciará um novo Caso
Ferreirinha, só que desta vez às avessas.
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