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COMÉRCIO NA PRAÇA
Ex-comerciantes da Wilson Joffre alertam: vai começar tudo de novo

“Não vai resolver”, dizem comerciantes

Diante da polêmica sobre a construção de um camelódromo no interior da Praça Wilson Joffre, no Centro de Cascavel, para retirar os vendedores que estão hoje na calçada do lado de fora do local, a reportagem do Hoje localizou comerciantes que já atuaram naquele espaço há muitos anos. Vários estão no camelódromo da Avenida Carlos Gomes, aberto justamente para acabar com o comércio irregular ao lado da praça. Todos os entrevistados foram unânimes: o projeto sugerido não vai resolver a situação.
O comerciante Sebastião Webber, que foi removido do local há anos, explica que, assim que forem liberadas as calçadas, novos ambulantes aparecerão. “Foi assim no passado. Além dos novos comerciantes que apareceram, várias pessoas venderam as barracas que conseguiram em outro local e voltaram para lá, acreditando ganhar um novo ponto”, revela.
Webber ressalta ainda que, se colocadas barracas dentro da praça, os problemas de antigamente voltarão. “Se um conseguiu, os outros também irão querer e os problemas começarão novamente”.
FISCALIZAÇÃO
“Eu trabalhava na Avenida Brasil. A prefeitura nos mudou para a Praça Wilson Joffre. No começo foi ruim, mas logo as coisas melhoraram e se tornou um ótimo lugar. Éramos em quatro, porém, como nunca foi estipulado uma quantidade de pessoas que poderiam permanecer ali, o número logo cresceu e os problemas começaram. Quando fomos retirados do local, já eram entre 80 e 90 comerciantes. As barracas cercavam toda a praça”, lembra o comerciante Jurandir Rufino. Para ele, faltou fiscalização e uma regulamentação para sanar o problema.
Ilson Muller reforça: “Abrir o comércio dentro da praça não resolverá nada. A prefeitura deveria disponibilizar outro local, mas não dentro da praça, para esses comerciantes. A partir daí realizar uma fiscalização, de forma a impedir que novos ambulantes apareçam ou retornem [na calçada]”.
Muller avalia que, se a intenção é melhorar as condições da praça, a medida é incorreta. “Na nossa época foi a mesma coisa. Disseram-nos que tínhamos de sair por que queriam arrumar a praça para a população. Deu no que deu”, arremata.

FOTOPERSONAGEM:

“A história está se repetindo”
Sebastião Webber, comerciante

“O certo seria regulamentar”
Jurandir Rufino, comerciante

“Essa não é a solução”
Ilson Muller, comerciante


DEFESA
Ambulantes buscam apoio de vereador

Os vendedores ambulantes da Praça Wilson Joffre reuniram-se quarta-feira na sala do vereador Mario Seibert (PMDB) para discutir sobre o Anteprojeto de Lei 230/2006, que autoriza o Poder Executivo a firmar convênios e termos de cooperação técnica e financeira com associações para o uso da Praça Wilson Joffre. “O sol nasceu para todos. A única coisa que querem é melhorar a comercialização e, com certeza, não atingirá os comerciantes que estão em volta”, apóia o vereador.
O documento, de autoria do Executivo, objetiva formalizar convênios com a Associação dos Vendedores Ambulantes da Praça Wilson Joffre, que passaria a comercializar produtos no interior do local, e com a Associação de Esportistas Amadores de Cascavel, que desenvolveria atividades voltadas às crianças de baixa renda.
“Estamos pensando como microempresários. Não queremos trabalhar de graça. Trabalharemos regularizados”, explica o presidente da associação, Francisco Clementino dos Santos.
A vice-presidente da entidade, Mirta Paulus, afirma que há somente uma pessoa contra a obra: “Só tem uma pessoa que não apóia, mas vamos batalhar e vencer”.
Os 40 vendedores ambulantes terão despesa de R$ 5 mil mensais, entre limpeza da praça, manutenção e a contratação de guardas para o local. “Zelaremos pela praça. Além disso, não venderemos DVDs, cigarro, entre outros produtos proibidos, e isso estará no contrato”, garantem.

Inconstitucional

A polêmica teve início diante do questionamento do vereador Jorge Lauxen (PFL) sobre a constitucionalidade do projeto, citando a Lei Orgânica do Município, no Artigo 168, que proíbe a doação, venda ou concessão de uso de qualquer fração dos parques, praças, jardins ou logradouros públicos.
“Acredito que seja inconstitucional e que haverá concorrência desleal com o comércio que gera empregos e paga impostos”, nota Jorge Lauxen, observando que, atualmente, cerca de dez vendedores trabalham do lado de fora da praça e que, com a abertura, mais 30 deverão atuar no interior do local.
Lauxen afirma não ser contra o convênio com a associação esportiva, apenas coloca em discussão a instalação de unidades comerciais. “A praça deve ser usada para divertimento e lazer”, diz. Jorge garante que fará consulta na Receita Federal para saber se há coerência no projeto municipal.

FARMÁCIA POPULAR
Lísias anuncia vale único
durante a inauguração

Foi inaugurada ontem a Farmácia Popular I, localizada na Avenida Assunção, no Bairro Alto Alegre, região oeste de Cascavel. A unidade oferecerá 107 medicamentos considerados essenciais por preços até 97% menor do que das farmácias comerciais. Durante a solenidade de inauguração, o prefeito Lísias Tomé anunciou que em dez dias o vale único estará em vigor.
“Cascavel é a primeira cidade onde as pessoas que forem à Farmácia Popular pagarão somente uma passagem. Na volta a receita será carimbada e a entrada no terminal não será cobrada”.
“Cada município tem a obrigação de investir 15% da receita municipal na saúde. Já investimos 25%. Só este ano já foram R$ 13 milhões a mais, mas ainda é pouco. Não temos medo de arriscar”, completa.
Qualquer pessoa pode comprar os remédios, inclusive de outros municípios e estados, mas é obrigatória a apresentação da receita médica ou odontológica.
“No Brasil, no total, são 188 farmácias populares. No Paraná há sete em funcionamento”, explica a assessora técnica do programa Farmácia Popular e representante do Ministério da Saúde, Luciana Perez de Medeiros.
A Fiocruz (Fundação Osvaldo Cruz) disponibilizou R$ 50 mil para a adequação da estrutura de cada unidade. Por mês serão enviados mais R$ 10 mil para ajuda de custos. Os demais gastos serão por conta do Município. Todo o lucro será revertido à Fiocruz.

EDUCAÇÃO
Servidores
optam por
paralisação

Os servidores, docentes e funcionários técnico-administrativos da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná) decidiram ontem, em assembléia, pela paralisação e panfletagem quarta-feira. No dia anterior também haverá a distribuição de panfletos. A decisão é estadual.
“Estaremos reivindicando principalmente reajuste salarial de 25% a 50% e a abertura emergencial de concursos públicos para suprir a demanda de servidores, funcionários e docentes”, afirma o presidente do Sinteoeste (Sindicato dos Trabalhadores da Unioeste), Ivã José de Pádua.

 

RECICLAGEM DE PAPEL

O projeto visa a capacitar e desenvolver os alunos

Empresas ajudam Apae
e cumprem papel social

Para propiciar a educação profissional e o desenvolvimento pessoal dos alunos, a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Cascavel realiza inúmeros projetos. Um dos destaques é o Reciclagem de Papel, no qual os alunos participam de todos os processos de reciclagem até a confecção de caixinhas de presente, CDs e caixas para vinho e champanhe.
Os papéis são doados por diversas empresas de Cascavel, inclusive faculdades. “Sempre precisamos de papel reciclável para confeccionar as caixas. Seria ótimo se outras empresas ajudassem também”, enfatiza a coordenadora do projeto, Wagna Sutana.
Ela explica que acadêmicos de Pedagogia e de outros cursos, que fazem estágio na Apae, ajudam na doação de papel. “Eles trazem papéis e apostilas que não serão mais usados”, acrescenta.
Em datas comemorativas, como Dia das Mães e Dia dos Namorados, as encomendas aumentam. As caixas são vendidas também na loja da Apae, na Rua Manaus, 3.990.

Aprendizado

“Sinto-me bem”, declara Aline Pimentel, que participa do projeto Reciclagem de Papel há um ano e está na Apae desde a pré-escola. Os alunos participam de todas as fases, desde a primeira etapa, que é rasgar o papel, até a pintura e a decoração. “Rasgar o papel, por exemplo, ajuda na coordenação motora dos estudantes”, esclarece a professora Lucilia da Silva Ferreira.
O projeto existe há mais de cinco anos e as aulas são realizadas de segunda a sexta-feira, nos períodos da manhã e da tarde. “Há alunos mais desenvolvidos, que participam de todos os processos, como também aqueles que precisam de mais tempo e fazem etapas mais simples”, salienta Lucilia.
A receita da venda dos produtos é revertida para a Apae.

DORCELINA FOLADOR

Prefeitura faz força-tarefa em acampamento sem-terra

As secretarias de Ação Social e de Saúde de Cascavel realizam hoje, no Acampamento Dorcelina Folador - localizado no Distrito de Rio do Salto -, uma força-tarefa para a confecção de documentos pessoais, como RG e segunda via das certidões de nascimento e casamento, além de orientação, informação e encaminhamentos do Benefício de Prestação Continuada e Bolsa-Família.
De acordo com a diretora da secretaria, Maria Machado, a megaoperação beneficiará cerca de 500 famílias sem-terra. “Fazemos isso para facilitar o atendimento a esses moradores, que são de origem pobre e muitas vezes não têm recursos para custear o transporte até a prefeitura. É uma forma de o Município levar a prestação de serviço aos mais necessitados”, destacou.
Segundo ela, 12 funcionários integrarão o mutirão.
O acampamento foi formado por sem-terra que invadiram parte do Complexo Cajati em 1999.

Gestores debatem acontratação de Oscips

Motivo de dúvida por parte das administrações municipais, a contratação de médicos via Oscips (Organizações Sociais Civis de Interesse Público) é o tema de seminário que será realizado amanhã, na Unipan, durante o dia todo. Palestra para explicar esse e outros tópicos relacionados ao tema será proferida pelo advogado Kennedy Machado, assessor jurídico da Amop e especialista em gestão pública.
Trata-se do seminário A Execução Indireta do Serviço Público Através de Termo de Parceria com Oscips.
Participarão secretários de Saúde e de Finanças, representantes de consórcios da Saúde, gestores de regionais de saúde e demais interessados. Kennedy vai esclarecer uma dúvida que ainda persiste por parte da maioria das prefeituras: o formato jurídico adequado para a contratação de médicos pelas secretarias de Saúde.

 

CASCAVEL VELHO
Serão liberados R$ 6 milhões de recursos federais para a obra, que abrange a região do lago

Secretário anuncia viaduto na 277 e Contorno Oeste

O secretário nacional de Transportes, José Augusto da Fonseca Valente, anunciou oficialmente ontem a liberação de R$ 6 milhões para a construção do viaduto na BR-277 entre o Bairro Cascavel Velho e a região do Lago Municipal. Esse volume de recursos federais também contempla a construção das vias marginais naquela região da cidade. Ele também garantiu que, independente de o projeto ainda não estar pronto, o Contorno Oeste sai do papel no início de 2007. Valente participou da reunião da Câmara Setorial dos Transportes de Cascavel. As duas obras são reivindicações antigas das entidades classistas da região oeste.
A elaboração do projeto arquitetônico do viaduto está sendo feita por engenheiros do Município e o trabalho deverá ser concluído em 30 dias. Após esse período caberá ao Ministério dos Transportes avaliar o que foi projetado e autorizar a licitação.
José Augusto Valente garantiu que os recursos já estão disponíveis no Orçamento da União e diz que o trabalho prático, do que está sendo chamado de trincheira, deve começar ainda este ano.
O secretário de Obras Públicas, Fernando Dillenburg, revela que já recebeu autorização para executar os projetos finais de engenharia. “Vamos trabalhar para que essa obra comece o mais rápido possível”, disse Dillenburg.


R$ 160 MILHÕES

Projeto deve ser agilizado

Apesar de o projeto Contorno Oeste ainda não estar pronto no papel, o secretário nacional de Transportes, José Augusto da Fonseca Valente, disse que, possivelmente, em setembro iniciam as negociações e, em 2007, as obras. “Cascavel está em um ponto estratégico, precisa do contorno”, ratifica Valente.
Segundo ele, o Ministério dos Transportes já fez consulta aos órgãos ambientais para a construção do Contorno Oeste, que será entre o trevo da BR-277, no entroncamento com a PRT-163, na saída para Capitão Leônidas Marques ligando na PRT-467. Quando os órgãos ambientais autorizarem, será feita a consulta de impacto ambiental e, em seguida, licitado o projeto. “Dependemos dos órgãos ambientais para licitação. Por isso nunca temos certeza. Não queremos vender ilusão, porque não depende somente de nós”, esclarece.
Ele explica que o valor estimado para a construção do Contorno é de R$ 160 milhões. “Se resolver o problema nos próximos 20 anos, esse dinheiro terá aplicação eficaz, e só sabemos se será eficaz discutindo, como estamos fazendo hoje, por isso, será concretizado”, elucida Valente.


Reivindicação antiga

O presidente da Acic (Associação Comercial e Industrial de Cascavel), Guido Bresolin Júnior, considerou bom o prazo para a efetivação da obra. “Todas as obras dependem de um projeto e estruturá-lo é demorado realmente. Se os prazos são esses, está num prazo muito bom”, salienta Guido.
Ele lembra que a reivindicação do Contorno Oeste é antiga, já que amenizará o trânsito na Rua Jorge Lacerda. “O movimento de caminhões danifica a estrutura até de prédios construídos próximo ao local e tira a condição do ponto comercial dessas empresas. Além disso, já ocorreram diversos acidentes”, lembra.
Para Guido, se o Contorno Oeste tivesse sido feito antes, hoje estaria inviável, já que a cidade cresceu mais do que se esperava. “Por isso foi abandonado o projeto antigo”, reforça.
O presidente da Associavel (Associação dos Caminhoneiros de Cascavel), Jeová Pereira, disse que há anos os motoristas cobram melhorias nas rodovias, principalmente na ligação da BR-277 com a PRT-467, o que reduziria consideravelmente o percurso.

FOTOPERSONAGEM:
“Há dois anos queremos melhorias”
Jeová Pereira, presidente Associavel

 

ACERVO

Bibliofera incentiva estudantes à leitura

Entre as diversas atividades do Fera (Festival de Arte da Rede Estudantil), que começou terça-feira em Cascavel no Parque de Exposição Celso Garcia Cid e segue até domingo, está a Bibliofera, uma biblioteca ambulante e alternativa. “Não é uma biblioteca tradicional, não existe ordem, deixamos os estudantes à vontade”, explica a responsável pela biblioteca que acompanha o Fera, Norma Almeida.
A biblioteca funciona das 12h às 14h e das 18h às 20h, horários dos intervalos das oficinas e apresentações, e tem um acervo de 2 mil livros. Mais de 500 estudantes visitaram o local somente na quarta e quinta-feira. “Não é que as crianças e jovens não gostem de ler. Muitas vezes falta liberdade para ficarem à vontade. Um ambiente com que se identifiquem”, esclarece a agente do Fera Anny Mary.
Além dos livros, pufs, redes e os colchonetes coloridos deixam as crianças à vontade. “Nosso objetivo é que as crianças se deparem com novos livros ao procurarem algum”, elucida Norma.
Para a estudante Daiane Alves da Silva, do Colégio Estadual Paulo Freire, de Foz do Iguaçu, a biblioteca a incentivou na leitura. “É a segunda vez que participo do Fera e venho à Bibliofera. Depois que comecei a freqüentar a Bibliofera, tenho mais interesse pela leitura”, revela Daiane.

FOTOPERSONAGENS:

“Gosto de ler. É uma descontração”
Guilherme Marcondes, de Toledo

“Já vim outras vezes na Bibliofera”
Daiane da Silva, de Foz do Iguaçu


PROFISSIONAL
Maestro ensina música a alunos

O Fera oferece 31 oficinas e uma que se destaca é a de musicalização. A principal atração é o professor: o maestro Waltel Branco, um dos maiores músicos do Brasil e considerado por João Gilberto o maior arranjador da música popular brasileira.
Durante os quatro dias da oficina, os mais de 300 alunos aprendem a tocar flauta doce e conceitos básicos de canto. “No fim da oficina os estudantes saem daqui tocando em média 18 músicas e com uma boa noção de musicalização, que auxiliará muito na aprendizagem daqueles que se interessem a continuar os estudos na área", explica o maestro Walmir Teixeira.
Para Waltel Branco, o festival é a melhor iniciativa realizada pelo governo do Estado para descobrir talentos. “Os alunos que estão aqui querem ser músicos e o Fera veio para revelar esses talentos. Para mim, esta foi a melhor iniciativa no campo da arte dos últimos tempos porque esta descobrindo muito talento dentro dessas crianças”, afirma.
Waltel nasceu em Paranaguá em 1929 e iniciou os estudos de música aos 12 anos. Morou em Cuba e nos Estados Unidos, onde começou a tocar jazz com grandes nomes. Lançou mais de 20 discos. Já recebeu várias homenagens e premiações em todo o mundo e é considerado revolucionário da MPB (Música Popular Brasileira), um dos criadores da Bossa Nova e precursor do jazz samba, acid jazz, louge e do fusion.

 

 

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