Camelódromo na praça
Em tempos de dificuldades, de juros altos, de falta de incentivo e excesso de burocracia para abertura de um pequeno comércio, as iniciativas que possibilitem o surgimento de novos empreendimentos são bem vindos.
Mas é preciso dimensionar bem os projetos, para que os novos não prejudiquem os antigos comerciantes, que já estão estabelecidos há muito tempo, pagando impostos e gerando empregos.
Em uma cidade do porte de Cascavel, ainda jovem e em pleno crescimento, certamente há espaço para prosperar muitos negócios e empresários, mas para isso é preciso um planejamento adequado e que os princípios da lei sejam observados por todos.
Essa semana, um assunto vem gerando polêmica e descontentamento no setor empresarial. A Prefeitura de Cascavel pretende autorizar a instalação de 40 ambulantes na Praça Wilson Joffre, causando reação contrária de entidades de classe.
Em primeiro lugar é preciso ressaltar que os ambulantes têm todo o direito de buscar incentivos do Município para instalação de seu comércio. Mas é preciso lembrar que a Praça Wilson Joffre ainda encontra-se em litígio judicial e a qualquer momento, dependendo da decisão da Justiça, aqueles que se instalaram na praça de acordo com o projeto da prefeitura, poderiam ser prejudicados e perder o investimento feito.
Há alguns anos, naquele mesmo local foi instalado um comércio semelhante, que mais tarde foi transferido para a rua Carlos Gomes. Se a prefeitura pretende incentivar o comércio informal, que seria o caso dos ambulantes, deveria dispor de um outro local, específico, a exemplo do que ocorreu com os camelódromos da Carlos Gomes e Rua São Paulo, que hoje se transformaram em uma espécie de mini-shopping e com grande movimento.
E é de conhecimento de todos que muito ambulantes revendem produtos trazidos do Paraguai, sem recolher impostos, proporcionando uma concorrência desleal com o comércio local.
O tratamento de incentivo deve ser isonômico, não se pode beneficiar alguns e prejudicar outros. Se levar adiante o projeto da maneira como está hoje, a prefeitura estará comprando uma briga com entidades tradicionais da cidade. É preciso rever alguns pontos de modo que ninguém saia no prejuízo.
|