Inflação e juros vão
penalizar crescimento do PIB até 2010
Paulo Panossian é jornalista em Santos - paulopanossian@hotmail.com
A economia mundial vive de ciclos, ou seja, ora aquecida, ou até
em depressão. Este momento econômico que vivemos vem de forma
auspiciosa desde 2002. Talvez porque hoje este vigor de crescimento não
está dependendo única e exclusivamente dos países
desenvolvidos. Ao contrário, acho que sua sustentação
vertiginosa origina do desempenho das nações em desenvolvimento
como China, Índia, Rússia, México e o Brasil! Estima-se
que mais de 400 milhões de pessoas no mundo entraram para zona
de maior consumo nestes últimos anos, ou seja, passaram a pertencer
à classe média devido ao robusto avanço dos PIBs
destes países citados, entre outros!
O Brasil desde 2004 vem diminuindo os índices do desemprego, dos
aproximadamente 12% caiu em 2008 para 8,3%, significando mais de 6 milhões
de pessoas de volta ao mercado de trabalho e com carteira assinada! Não
por outra razão que o consumo geral é expressivo.
Logicamente que, para atingir um crescimento acima de 4%, a necessidade
de alto grau de investimento é imperioso, e interessados é
que não faltam para colocar o seu rico dinheiro em nosso país.
Para este ano de 2008 a previsão é de que o País
receba mais de US$ 35 bilhões de recursos de investidores internacionais
que estão sendo aplicados em importantes setores da economia. Os
resultados são sentidos na agricultura, setores automobilístico,
de siderurgia, da construção civil, químico, naval
e de energia.
Não podemos deixar de salientar que a liberação de
crédito para empresas e pessoas físicas vem crescendo; em
2002 alcançava 23,8% do PIB e em 2008 já está em
36,6%. Isso significa um incremento de R$ 320 bilhões no consumo
nestes últimos seis anos, não à toa que os recordes
de vendas no varejo são exuberantes! Somente em 2007, os empréstimos
a empresas e pessoas físicas tiveram uma evolução
de 27,8%, contra crescimento do PIB de 5,8%.
Alguém pode estar questionando: mais crédito, mais consumo
não é igual a mais emprego? Sim! Esta constatação
do excesso de crédito bem acima da evolução do PIB
é o mesmo que tentar colocar ½ litro de água num
copo de 250 ml, ou seja, não cabe! É a lei da oferta e da
procura, e neste caso a nossa produção não está
suportando a volúpia do consumo.
Todos nos perguntamos: o crescimento da economia brasileira é sustentável?
Diria que não. Falta muito para tal. Dependemos desde uma reforma
política decente, até a improrrogável reforma tributaria,
trabalhista, uma nova da previdência e também da urgente
independência para as agências reguladoras que o Governo Lula
está desprezando. Isso sem falar na precária situação
em que se encontra a infra-estrutura no País, como estradas, portos,
ferrovias e o baixo nível de escolaridade.
Como o nosso Congresso reúne um conjunto de vaquinhas de presépio,
ou seja, aliados e até da oposição que dizem amém
ao governo atual, não creio que os nossos parlamentares estão
preocupados em realizar estas tarefas que poderiam selar definitivamente
a sustentabilidade da nossa economia a patamares bem maiores do que os
de hoje, na casa dos 4,5%.
O problema é que o momento atual traz algumas graves preocupações.
Estamos no centro de uma nova crise do petróleo. O barril que custava
em 2003 US$ 30, hoje está em US$ 145. Os preços dos alimentos
estão disparando devido ao alto custo dos fertilizantes e insumos
agrícolas que dependem dos derivados de petróleo e da constatação
de que um número maior de habitantes está consumindo mais,
devido à expansão econômica no mundo.
Para muitos é difícil compreender por que o Brasil, tendo
uma agropecuária auto-suficiente na maioria absoluta dos produtos
básicos que consumimos (exceção ao trigo), e que
seus preços subiram somente neste último semestre 30%, aniquilando
e empobrecendo as compras da família brasileira na hora de fazer
o supermercado.
Gosto sempre de lembrar aos leitores que acompanham os meus humildes artigos
que o Brasil é ainda um país pobre, ou seja, a distribuição
de renda para a maioria dos nossos trabalhadores é baixa, qualquer
oscilação nos preços dos produtos básicos
e o orçamento familiar não se sustenta.
Mas como o Lula sempre diz que “jamais na história deste
país estivemos tão bem”, o povo acreditou, comprou
a sua geladeira, televisão, computador e até a casa própria
e o carro novo, e agora vai pagar a conta desta lorota. A inadimplência
está crescendo a olhos vistos. Os bancos estão diminuindo
o crédito. Sinal que tempos agudos estão por vir.
A culpa é sozinha do governo brasileiro? Não. Porém,
se o presidente Lula desse ouvidos para os analistas em macroeconomia
há dois anos, teria reduzido os gastos públicos (não
os investimentos) e aumentado o superávit primário para
pelo menos 5% do PIB. Com esta atitude os agentes financeiros e de mercado
sentiriam mais confiança na gestão governamental e provavelmente
a inflação não estaria nos patamares atuais em torno
de pouco mais de 6% ao ano.
Por que minha preocupação com relação à
economia em 2010, como acentuo no título deste artigo? Não
podemos esquecer que o IGP-M, que corrige os preços administrados,
como aluguéis, IPTU, IPVA, telefone, água, luz e muitos
outros, está na casa dos 13% hoje. Qual orçamento familiar,
mesmo com renda mensal em torno de R$ 2.000, vai agüentar estes aumentos
que a partir do início de 2009 vão recair no bolso do trabalhador?
Logicamente que a inadimplência, que já é alta, vai
explodir porque os recursos já estão comprometidos e a atividade
humana deverá recrudescer e o fantasma do desemprego poderá
ressurgir. O remédio será amargo para equacionar este quadro
econômico. Só que os efeitos negativos desta tarefa recairão
em 2010.
Portanto, toda prevenção e prudência com relação
ao futuro que se avizinha é recomendável. Vamos ficar de
olho! O Lula também, se quiser fazer o seu sucessor, apesar de
a oposição estar adormecida...
Mocinho ou bandido?
Adilson R. Peppes é dirigente sindical em Cascavel - adilsonpeppes@bol.com.br
Quem tem 40 anos ou mais, assim como eu, certamente já viu algum
filme que retratava o desbravamento do oeste americano.
Esses filmes, quase sempre, tinham seu grande final quando o mocinho do
bem duelava e vencia o bandido do mal, que acabava morto ou preso, para
que assim pagasse pelos seus crimes.
Pois bem, quis lembrá-los disso porque nos dias atuais, na nossa
nua e crua realidade, nós, pobres mortais, cidadãos comuns,
já não sabemos mais definir quem é o mocinho, ou
quem é o bandido, quem está para nos defender dos perigos
ou quem está para nos matar.
Os últimos acontecimentos no Estado do Rio de Janeiro nos confundem
ainda mais, policiais que se organizam em milícias, querendo cobrar
por um suposto serviço de segurança que é dever do
Estado, policiais formando grupos de extermínio, matando sem escrúpulo
algum, extravasando seu ódio bestial em pessoas inocentes, membros
do exército brasileiro, órgão máximo da soberania
nacional, entregando jovens para serem brutalmente assassinados por traficantes,
policiais que abrem fogo inexplicavelmente contra um carro de família
e matam crianças inocentes, e o que dizer então quando policiais
matam uma jovem que voltava para sua casa e ainda consomem o corpo da
vítima?
A indignação toma conta de nossa população
todos os dias, quando vemos pais chorando a morte de seus filhos, debruçados
sobre seus leitos de morte, tendo que desistir de seus sonhos, de suas
metas de vida por conta de atos impensados de quem estava ali para proteger,
para oferecerem ajuda, para salvarem a vida.
Caros leitores, isso já passou de absurdo, isso já passou
dos limites aceitáveis, isso está simplesmente insustentável
e o pior é saber que isso não pára que isso já
se tornou normal, faz parte do cotidiano, a cada noite vamos nos deitar
com uma nova tragédia permeando nossos sonhos, com uma nova atrocidade
nos tirando o sono e termos que aceitar que depois se indenizam as famílias
com um mísero salário mínimo e fica tudo resolvido,
mas que valor tem a vida então? Que conceitos podemos tirar disso
tudo? Para onde estamos caminhando afinal?
Só sei que a cada dia está mais difícil ensinar nossas
crianças, cada dia mais escasso os bons exemplos a serem seguidos,
cada dia mais distantes as soluções dos problemas sociais
do nosso país, quando olhamos os números aterradores que
apontam para mais de quinhentas mortes cometidas por policiais do estado
do Rio de Janeiro, tenho saudade dos tempos onde era claro quem era o
mocinho e quem era o bandido.
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