Edição nº 5059 - sexta-feira, 18 de julho de 2008 Classificados | Assinatura | Impressão
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ARGENTINA
Cobos também preside o Senado e deu o voto minerva

Vice-presidente veta
imposto de Kirchner

Com voto de minerva do vice-presidente da Argentina, Julio Cobos, o Senado derrubou na madrugada de ontem o projeto do governo da presidente Cristina Fernández de Kirchner para atribuir impostos às exportações de grãos.
A surpreendente decisão de Cobos foi um duro golpe no governo de Cristina Kirchner, que sofreu um grande desgaste nos quatro meses de conflito com o setor agrário e viu sua popularidade despencar entre os argentinos.
Após 18 horas de debates, a votação do projeto entre os senadores ficou empatada em 36 votos em plena madrugada. Coube ao vice-presidente argentino, Julio Cobos, também presidente do Senado, definir a situação.
De acordo com a Constituição, o vice-presidente, também presidente do Senado, foi obrigado a desempatar e emitiu um voto contrário à iniciativa governamental. Ele afirmou que a decisão foi motivada por suas "convicções" e seu convencimento de que é necessário buscar uma saída que satisfaça a sociedade.
“Este é um dos momentos mais difíceis da minha vida”, admitiu o vice-presidente. Cobos pediu à presidente que apresente uma nova proposta que conte com as contribuições expressadas no tenso debate no Senado, e lamentou a “divisão” que o conflito provocou no país, que se refletiu também nas mobilizações nas ruas de simpatizantes dos dois lados.
"Que a história me julgue, peço perdão se estiver errado. Meu voto não é a favor, eu voto contra”, concluiu um abatido vice-presidente, que se transformou em uma peça-chave do conflito entre o governo e o campo.
O projeto governamental chegou ao Senado após ser aprovado pela Câmara dos Deputados por 129 votos a favor e 122 contra, em uma sessão que foi encerrada no dia 5 de julho e que durou mais de 17 horas.
O voto de Cobos contra a iniciativa governamental põe em risco sua continuidade no governo e sacudiu as fileiras do partido governante. "Seria incrível pensar que o vice-presidente votaria contra a presidente, a não ser que lhe quisesse dar um golpe mortal", disse o legislador governista Miguel Pichetto, que criticou os peronistas que votaram contra a proposta governamental.
Já a oposição viveu um grande triunfo e enviou ao governo a mensagem de que não há um poder absoluto na Argentina. O presidente da Federação Agrária, Eduardo Buzzi, afirmou que este resultado permite "construir com esperança um país federal", e elogiou "a coragem e a ação democrática" do vice-presidente.


Cobos não renunciará

O vice-presidente da Argentina, Julio Cobos, disse que deseja continuar ao lado da presidente Cristina Fernández de Kirchner até o fim de sua gestão, apesar de ter vetado no Senado o projeto de reforma tributária sobre a exportação de grãos.
"Quero continuar sendo o vice-presidente de todos os argentinos, o companheiro de chapa até 2011 da atual presidente", disse Cobos durante um pronunciamento de mais de 30 minutos ao Senado antes de divulgar seu voto contrário à proposta governista, que acabou com o empate na Câmara Alta.
"Acho que a presidente dos argentinos vai me entender, porque não concordo com uma lei que não seja a solução para este conflito [...] isso não significa que esteja traindo alguém, estou agindo de acordo com as minhas convicções", acrescentou.


HIZBOLLAH
Israel enterra soldados que
foram devolvidos mortos

Milhares de israelenses participaram ontem dos funerais de Ehud Goldwasser e Eldad Regev, cujos restos mortais foram entregues anteontem pelo grupo xiita libanês Hizbollah em uma troca com Israel que libertou cinco prisioneiros libaneses.
Familiares, amigos e pessoas anônimas se reuniram pela manhã em Israel no setor militar do cemitério de Nahariya (Norte de Israel) para prestar suas últimas homenagens a Goldwasser, capturado em Israel em uma operação do Hizbollah em 12 de julho de 2006 junto com Regev, que foi enterrado à tarde.
A família do soldado Gilad Shalit, preso pelo movimento islâmico palestino Hamas na faixa de Gaza desde o fim de junho de 2006, também participou da cerimônia do enterro de Goldwasser, assim como vários deputados, entre eles o ex-primeiro-ministro e líder da oposição de direita (Likud), Benjamin Netanyahu.
“Para você, defender o país era um privilégio e não um dever, e eu te beijei como de costume antes que partisse. Nunca te esquecerei”, disse Karnit Goldwasser, viúva do soldado.
Desde o seqüestro, Karnit organizou com a família de Regev uma campanha internacional para a libertação dos dois militares. O Hizbollah, entretanto, só afirmou que os soldados estavam mortos no momento da troca.
Os restos mortais dos dois foram entregues pelo Hizbollah, como parte de uma troca com Israel, que colocou em liberdade cinco prisioneiros libaneses e devolveu os corpos de 199 combatentes palestinos e libaneses. O Hizbollah entregou dois caixões pretos a Israel com os restos mortais dos dois soldados. A identidade deles foi confirmada por meio de testes de DNA conduzidos por Israel.


AFEGANISTÃO
Operação militar mata 15 talebans

Ao menos 15 supostos membros do Taleban [grupo extremista islâmico deposto por uma coalizão liderada pelos EUA em 2001] morreram em uma operação militar realizada por uma força conjunta do Exército afegão e uma unidade especial das tropas da coalizão multinacional liderada pelos EUA na Província de Helmand, no Sul do Afeganistão, informou o Ministério da Defesa.
Em comunicado, o ministério indica que as tropas atacaram um refúgio dos insurgentes no distrito de Shindand, onde os talebans retinham 15 civis, que puderam ser libertados. Durante a ofensiva, os talebans estavam recebendo instruções por meio de uma comunicação por rádio a partir do Paquistão, acrescentou a fonte.


Acidente
Ao menos 37 cidadãos egípcios morreram ontem e outros 60 ficaram feridos em um acidente entre um ônibus, vários carros e um trem, no litoral egípcio do Mar Mediterrâneo. Segundo as fontes de segurança do país, o acidente aconteceu no momento em que os veículos cruzavam uma passagem de nível na área de Fuca, cerca de 70 quilômetros da cidade de Marsa Matruh (510 quilômetros ao noroeste do Cairo).
Várias ambulâncias e equipes da Defesa Civil foram ao local a fim de resgatar e levar as vítimas a hospitais. Milhares de pessoas morrem todos os anos nas estradas egípcias, devido ao mau estado das vias e ao desrespeito dos motoristas às leis de trânsito.


Cocaína
A polícia da Bolívia prendeu três pessoas e apreendeu 632 quilos de cocaína escondidos em dois caminhões que entraram no país vindos do Peru e que tinham como destino Argentina e Brasil, informou ontem o chefe da unidade, o coronel René Sanabria.
Sanabria disse que a apreensão aconteceu quarta-feira e foi resultado de um trabalho de 20 dias durante os quais foi realizado um acompanhamento dos caminhões que entraram na Bolívia pela localidade de Copacabana, que faz fronteira com o Peru.
Segundo Sanabria, os veículos entraram na alfândega da cidade de Santa Cruz para declararem uma carga de mesas, cadeiras e garrafas de plástico, além de latas com alimentos, mas após uma inspeção foram encontrados pacotes escondidos de cocaína.

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