Mais complicações
Desde
que os convênios com as Oscips, em especial a ANA (Associação
Nova Aliança), começaram a ser questionados, a Prefeitura
de Cascavel não fez muito esforço para resolver a situação.
Não foram poucos os alertas do Ministério Público
de que o Município dispensasse a parceria para assumir a responsabilidade
pela contratação dos agentes de saúde e médicos.
Mas a prefeitura deu pouca importância aos avisos e seguiu empurrando
o problema com a barriga, ganhando tempo, na expectativa de que poderia
seguir com o convênio enquanto bem entendesse. Por quatro vezes
o Município renovou o contrato, mas a quinta tentativa não
deu certo. Ontem o Ministério Público deu o último
aviso: não permite mais a terceirização do serviço
da saúde na situação em que está.
A prefeitura poderá contratar os agentes em regime de urgência,
temporariamente, até que realize o concurso público para
preencher o quadro. Já poderia ter feito isso antes, em outros
concursos, mas que foram realizados sempre a toque de caixa, com pouco
tempo de preparação.
Teoricamente haverá uma economia financeira ao Município,
pois a prefeitura não precisa pagar a taxa administrativa. No caso
da ANA, o último contrato previa repasse de 8% do total do contrato,
ou seja, R$ 640 mil.
Por outro lado haverá uma dificuldade para a contratação
de médicos, já que os salários oferecidos pelo Município
não são atrativos e não há a flexibilização
de horário. Com plantões e horas extras, os médicos
que hoje atendem pela ANA têm salário muito superior àqueles
que atendem nas unidades de saúde e, agora, contratados pelo Município,
passariam a ganhar menos.
Cascavel corre o risco de voltar à situação de alguns
anos, quando faltavam médicos para atendimento à população.
Mas a prefeitura sabia disso, só não quis dar ouvidos.
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