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PARANÁ
Veneri já conseguiu a adesão de 12 parlamentares
Deputado colhe assinaturas
à PEC contra o nepotismo

Conforme anunciou no início da legislatura, o deputado estadual Tadeu Veneri (PT) começou sua cruzada para ver aprovada no Paraná a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que proíbe a contratação de parentes de até terceiro grau nos três poderes do Estado: Legislativo, Executivo e Judiciário. Ele precisa de 18 assinaturas para levar a proposta a votação e já tem 12. Possivelmente conseguirá as que faltam, pois ainda não conversou com todos os pares e deve encontrar simpatia junto à oposição, que quer a demissão dos parentes contratados pelo governador Roberto Requião.
“Vamos entregar o projeto para todos os deputados para que, principalmente os novos, saibam do que se trata. Os deputados que estão entrando agora querem conhecer a proposta”, disse.
Segundo Veneri, há deputados que manifestaram a intenção de protocolar a PEC junto com ele, assim que conseguir as assinaturas. Se isso ocorrer, o parlamentar petista acredita que o projeto ganhará mais legitimidade.
Veneri apresentou em maio de 2005 um projeto que pretendia acabar com a contratação de parentes com vínculo de até terceiro grau de parentesco com autoridades políticas. O projeto entrou na pauta da Assembléia no início do ano passado, quando uma comissão especial o analisou, fez alterações e apresentou um substitutivo, estendendo a proibição para as prefeituras e Câmaras e para autarquias e empresas de economia mista. Porém, o substitutivo, que foi rejeitado pelos deputados em abril de 2006, entendia como nepotismo a contratação de familiares até segundo grau de parentesco.
A nova proposta incorporou a proibição para os municípios, Câmaras, autarquias e empresas de economia mista, mas manteve a proibição para a contratação de parentes em até terceiro grau. O deputado disse que a inclusão desse grau de parentesco retornou ao texto da nova PEC porque é o mesmo que o Ministério Público utiliza em todas as recomendações em que pede a exoneração de familiares de agentes públicos contratados sem concurso público.

FINANÇAS
Parlamentares são favoráveis ao aumento das cadeiras
Câmara não altera os gastos
com redução de vereadores

Desde 2005 as Câmaras de todo o País sofreram redução no número de vereadores obedecendo a uma determinação do STF (Supremo Tribunal Federal). A tesoura reduziu em mais de 5 mil o número de vereadores no Brasil.
Com o corte, a expectativa era também a redução dos gastos das Câmaras, ajudando na economia dos municípios. Mas como não houve a redução do percentual de repasse ao Legislativo, a medida do STF se mostrou ineficaz, porque, apesar do número menor de vereadores, as finanças não sofreram alterações.
Outra discrepância é na proporção para definir as cadeiras. Cidades com 5 mil habitantes têm nove vereadores, enquanto cidades de médio e grande portes, como Cascavel, com cerca de 300 mil habitantes, contam com 14 parlamentares.
A Câmara de Cascavel também serve para ilustrar a questão dos gastos. Em 2004, último ano da legislatura com 21 vereadores, a prefeitura repassou R$ 6,673 milhões e foram consumidos R$ 6,634 milhões. No ano seguinte, já com 14 vereadores, o repasse foi de R$ 6,630 milhões e os gastos de R$ 6,346 milhões. Ano passado o repasse à Câmara foi de R$ 6,379 milhões e as despesas de R$ 6,201 milhões.
Os custos para a construção e a estruturação da nova sede da Casa de Leis entram no orçamento desde 2004, portanto, não tiveram muita influência para a comparação dos gastos com 21 e 14 vereadores.
O presidente da Casa, Julio Cesar Leme da Silva (PMDB), explica que não houve corte nos gastos porque “reduziu o número de vereadores, mas o trabalho da Câmara continua igual. Não é o número que significa investimento, porque o atendimento não diminuiu e, por isso, os gastos também não”.

SUBSÍDIO
Gasto com salários teve redução
Embora o repasse e os gastos da Câmara de Vereadores não tenham sofrido alteração após a redução do número de vereadores, em relação aos salários houve uma economia de R$ 1 milhão por ano.
Em 2004, o salário do vereador era de R$ 3.366,58 e a folha de pagamento dos 21 parlamentares consumia R$ 70.698,18 por mês, R$ 848.378,16 por ano, sem os encargos trabalhistas. Considerando a verba para a contratação de assessores, de cerca de R$ 5,8 mil à época, havia um acréscimo de R$ 1,416 milhão. Neste ano a soma dos salários dos gabinetes chegou a R$ 2,264 milhões.
Hoje o salário do vereador é de R$ 4.770 e cada um ainda tem direito a R$ 7,4 mil para despesas com assessores e mais R$ 400 mensais para ajuda de custo com celular e serviços de correios. Os 14 vereadores gastam R$ 66.780 em salários por mês, total de R$ 801.360 por ano.
A verba com assessores e ajuda de custo consomem mais R$ 109 mil por mês e R$ 1,310 milhão por ano. Somando todas as despesas, apenas com salários nos gabinetes a Câmara gasta R$ 2.111.760 por ano.
Todavia, se fossem 21 vereadores, o custo dos gabinetes totalizaria R$ 3.167.640, ou seja, R$ 1 milhão a mais por ano com salários apenas nos gabinetes.
A manutenção da despesa total tem justificativa: para compensar a diminuição do número de vereadores a Câmara precisou contratar mais funcionários. Além disso, as despesas básicas da Câmara, como luz, água, telefone e material de consumo não sofreram alteração.
Se hoje a Câmara voltasse a contar com 21 cadeiras, seria necessário haver uma adequação nos gastos para acomodar todos os vereadores, uma vez que o repasse da prefeitura continuaria na casa dos R$ 6,5 milhões por ano.

Favoráveis ao aumento
Os vereadores da atual legislatura são favoráveis à volta dos 21 vereadores, pois consideram que haverá um aumento na representatividade e atendimento à comunidade. “Hoje tentamos atender a todos, mas, certamente, com 21 vereadores haveria um benefício maior à comunidade no que diz respeito à representação e ao atendimento”, frisou o vereador Léo Mion (PPS).
Jorge Lauxen (PFL) tem o mesmo pensamento: “Não tive a experiência com 21 vereadores, mas acredito que um número maior possa representar mais prestação de serviços à comunidade. Além disso, mais pessoas significam mais projetos, mais idéias e mais gente escutando a comunidade”.
O presidente da Casa, Julio Cesar Leme da Silva, também se mostra favorável ao retorno dos 21 vereadores, mas vê algo positivo da redução de cadeiras. “Houve uma evolução no comprometimento de cada um, porque menos vereadores têm que dar suporte a toda a comunidade. Entendo que não houve prejuízo à população e houve um aprendizado maior individual de cada parlamentar. Acredito que não importa o número, mas a qualidade. Mas sou favorável a mais representatividade”.
Léo Mion lembrou também que o regimento interno hoje está preparado para 21 vereadores e isso compromete na formação de comissões e andamento das CEIs (Comissões Especiais de Inquérito).

PROJETO
Desde 2005 tramita na Câmara dos Deputados uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que regulamenta o número de vereadores em cada município, assim como o repasse às Câmaras de vereadores proporcional ao número de habitantes.
A PEC ainda não entrou na pauta de votação, mas há uma mobilização para que isso ocorra este ano. No fim do ano passado ela esteve para ser apreciada pelos deputados, mas o então presidente da Câmara, Aldo Rebelo, retirou da pauta e adiou a votação.
Pela proposta Cascavel voltaria a ter 21 vereadores e, a partir do momento que atingir 300 mil habitantes, contaria com 24 parlamentares. No entanto, o repasse à Casa, que hoje pela Constituição é de 6,5% do orçamento geral do Município, seria reduzido a 5,5%.

 

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