Acorda,
Brasil!
Maria
Lucia Victor Barbosa é socióloga em Lodrina - mlucia@sercomtel.com.br
Os sintomas
vêm de longe. Foram se avolumando sem que providências efetivas
e enérgicas fossem tomadas pelas autoridades competentes (incompetentes?),
às quais cabe oferecer segurança aos cidadãos, pois
esse é o primeiro dever do Estado como ensinou Thomas Hobbes.
Se a violência hoje se espalha por todo o País, especialmente
no Rio de Janeiro, a complacência para com bicheiros e traficantes
em troca de votos transformou aquele estado num estado de selvageria ou
de natureza. Vale a lei do cão. Domina a barbárie que fez
respingar o sangue de João Hélio no rosto de todos os brasileiros.
Todavia, este é mais um crime na seqüência de crimes
hediondos a ser esquecido, pois vem aí o Carnaval.
Alegria, alegria, minha gente, abram alas para o banditismo. Não
existe pecado do lado de baixo do Equador. Aqui somos todos democraticamente
iguais na esbórnia e na malandragem. Vamos aplaudir a comissão
de frente composta pelos corruptos por nós eleitos. Vamos sambar
a valer ao som das balas perdidas. No destaque dos casos alegóricos
virão os monstros que arrastam crianças pelas ruas até
a morte. Olha o bloco dos assassinos impiedosos para os quais não
basta roubar, tem que matar. Que belas fantasias enfeitam os estupradores.
Na outra ala misturam adereços os degoladores, os traficantes,
os golpistas. Que espetáculo maravilhoso esse do país do
samba. Como somos importantes. O mundo pára e vê o Brasil
nessa explosão de alegria.
Lei? Para que lei? Em uma de suas campanhas para presidente em que amargou
derrota, Luiz Inácio declarou que não dava a mínima
para a lei, que o importante era a justiça. O que será que
ele entende por justiça quando se declara contra a redução
da maioridade penal, alegando que essa medida não deve ser discutida
em meio à comoção causada pelo bárbaro assassinato
do menino João Hélio? Fazendo coro com o presidente, como
era de se esperar, plácida e fria, a ministra e presidente do Supremo
Tribunal Federal, Ellen Gracie, também se apóia na questão
emocional para rejeitar a passagem da responsabilidade criminal para 16
anos. Eles são autoridades guardadas, protegidas e nenhum de seus
netos corre o risco de ser trucidado. Eles podem ser calmos e racionais.
De todo modo, o martírio do menino de seis anos fez fervilhar discussões.
Ergue-se o PT a favor dos bandidões menores de 18 anos que podem
votar e matar. Pontificam juristas e rábulas, e um doutor chegou
a dizer que não adiantam prisões. Pois, então, que
se solte todos os facínoras da República da impunidade.
Um bando a mais, outro a menos, não fará a diferença,
pois as legiões malditas já estão no comando dos
morros, das ruas, das esquinas, espreitando para atacar sem distinção
de cor, idade ou sexo. É a democracia do crime.
Aumenta a criminalidade sob o olhar amoroso das autoridades. Elas estão
muito ocupadas. Nas sedes dos poderes máximos correm soltas as
propinas, os cambalachos, os arranjos, os jeitinhos, as negociatas. Brasília
é Sodoma e Gomorra sem nenhum justo. E vem aí, com força
total, para alegria dos mensaleiros, José Dirceu. Palocci já
está lá com João Paulo, Genoino, Mentor e tantos
mais. Confraternizam com Collor, com companheiros sanguessugas e muitos
outros. Bem que Waldomiro Diniz podia ter se candidatado. Seria um deputado
campeão de votos. E o Delúbio dos recursos não contabilizados,
por que não concorreu? E não sei onde anda Marcos Valério,
que não saiu para senador da República. Ganharia na certa.
No Congresso estão todos ótimos e o Executivo tudo dominou.
Até o senador Jefferson Perez capitulou em apenas uma visita ao
Planalto. Imaginemos os outros.
Para que presídios de segurança máxima? Que se afrouxe
mais o cumprimento das penas, demorem mais as sentenças, os julgamentos
e os olhos se fechem ao descalabro, ao caos, à violência.
Acorda Brasil. Acorda brasileiro. Você pode ser o próximo,
pois não só no Rio, mas em toda parte o governo fracassou
miseravelmente em promover a segurança. Não adianta pedir
paz. A paz se consegue com o cumprimento da lei, que é a única
forma de se fazer justiça; com mais presídios e, dentro
deles, disciplina, trabalho e instrução para os presidiários;
com policiamento preventivo de policiais mais bem pagos, mais armados,
mais treinados; com a redução da maioridade para 16 anos,
com menos indultos. É para pedir essas coisas que se devem ir às
ruas. Caso contrário, os monstros continuarão a matar impunemente.
Acorda Brasil. Não basta eleger. É preciso cobrar do poder
que nos controla. De outro modo seremos os eternos eleitores dos votos
perdidos.
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