Salada partidária
O clima está quente em Brasília e a temperatura tende aumentar
nas próximas duas semanas que antecedem a eleição
da nova Mesa Diretiva da Câmara dos Deputados. A disputa revelou
uma salada partidária e a ausência absoluta de fidelidade
partidária em praticamente todas as siglas, com raras exceções.
E no meio da batalha o governo prova que não aprendeu nada com
derrotas passadas. E também que não consegue unificar os
grupos que o cercam. Na última eleição para a Câmara
o PT tinha dois candidatos à presidência da Casa, um deles
o próprio Arlindo Chinaglia. O resultado foi um terceiro nome,
lançado em cima da hora, que ganhou a disputa e se revelou um desastre
total. Severino Cavalcanti foi eleito presidente e posteriormente renunciou
ao mandato para não ser cassado.
Agora o governo lança novamente dois candidatos, que encontram
resistência em todos os setores, e facilitou o surgimento de uma
terceira alternativa, o paranaense Gustavo Fruet. Bem ao contrário
de Severino, Fruet tem bom trânsito em todos os partidos, é
respeitado e representa renovação, justamente o que a Câmara
precisa depois de uma legislatura conturbada, rotulada como a pior da
história devido aos escândalos de corrupção.
O paranaense atrai o apoio de opositores ao governo e deve reunificar
o PSDB, que ficou em rota de colisão após parte da bancada
ter anunciado apoio a Arlindo Chinaglia. Com a revisão do foto,
a candidatura de Fruet deixou de ser apenas alternativa para se tornar
viável, provavelmente provocando um segundo turno na disputa da
Câmara.
Arlindo Chinaglia deixou de ser o favorito. Agora precisa gastar o dedo
ao telefone para ligar para os seus pares e tentar conquistar apoio. Tem
ouvido de muita gente que a opção é pela terceira
via.
O petista, a esta altura da disputa, tem a seu favor o aval do governo
para negociar cargos em troca de apoio, transformando a disputa pela presidência
da Câmara num balcão de negócios. Pelo menos três
deputados do PMDB receberam promessas de ministérios em troca do
apoio do partido. Mas Chinaglia não é consenso entre os
peemedebistas. Parte do grupo vai com Aldo, a exemplo da bancada paranaense,
e outro grupo vê com bons olhos o nome de Gustavo Fruet.
A previsão é de temperatura altíssima em Brasília
até o dia da votação.
|