Um país, dois salários, duas realidades
Fábio Bonadeu é acadêmico do 2º ano de Jornalismo
da Unipar - fabiobonadeu@hotmail.com
Será que você hoje sente prazer em dizer que é brasileiro?
Tal resposta positiva se torna improvável. Pouco mais de dois meses
do último pleito eleitoral nossos “nobres” deputados
e senadores aprovaram uma proposta salarial em que aumentam o salário
mínimo em 90,7%, nossa que ótimo! Ótimo seria se
tal porcentagem fosse destinada ao verdadeiro salário mínimo.
Vivemos em um país onde uma pequena porcentagem da população
tem acesso ao saneamento básico, escola de qualidade, saúde,
habitação e segurança. Mesmo assim, nossos representantes
aumentam seus próprios salários sem nenhum constrangimento.
Entretanto, não podemos esquecer que em recente entrevista cedida
à repórter da “Folha de São Paulo” Andreza
Matais, o ministro do trabalho Luiz Marinho disse ser impossível
conceber um aumento de R$ 70, ou seja, 20% para nossa população.
Certa vez um amigo disse ter vergonha de morar em nosso querido país,
na oportunidade disse que as coisas não seriam bem assim, na oportunidade
disse que era necessário ter paciência e ser perseverante.
Doce ilusão a minha, para minha tristeza pessoal, creio que ele
tinha razão em querer saber do país, buscar novas oportunidades
em outro país.
Quando ligamos nossos televisores em casa e vamos assistir aos telejornais,
ficamos indignados com tanta violência, impunidade e corrupção.
Mas caros amigos, diante de tantos problemas o que mais me assusta é
a corrupção, não se assuste, já lhe explico.
Em um país subdesenvolvido como o nosso, onde reina a violência,
a saída seria termos um país mais descente na capital federal.
Se tivéssemos um senado e uma câmara federal com políticos
sérios e honestos, comprometidos com o bem estar de nossa população
nós teríamos tantos problemas.
Países em situação similar à nossa, como Argentina,
com indicadores sociais e econômicos parecidos, os trabalhos de
base realizados na educação e segurança são
feitos com seriedade. Para se ter uma idéia, no Brasil apenas 10%
de nossa população lê algum jornal diariamente, enquanto
na Argentina esse número sob para mais de 50%.
Não digo que nossos vizinhos continentais são melhores.
Mas faço uma breve análise em tudo isso. Com uma política
governamental sério para os direitos básicos de todo o cidadão,
tenho certeza que em poucos anos tornaríamos uma referência
em saúde, educação, transportes e, pasmem, até
na segurança.
Não digo que tenho vergonha deste país, até porque
nasci aqui e moro aqui. Mas fico muito desapontado com todas as injustiças.
Enquanto a inflação medida em 2006 ficou em 3%, o salário
mínimo de nossa população subiu 4,86% e os dos nossos
deputados em 90,7%. Logo teremos eleições municipais e dentro
de quatro anos teremos novamente eleições presidenciais,
veremos novamente nas propagandas eleitorais candidatos se dizendo santos,
salvadores do mundo e, para minha tristeza, muitos acreditarão.
Todos somos contra, mas lanço uma idéia: já que vivemos
em um país repleto de desgraça, por que não privatizarmos
tudo, município, Congresso, Senado? A idéia pode parecer
absurda, mas seria uma tentativa totalmente radical de resolvermos os
nossos problemas, se com o pedágio deu certo! Por que não
inovarmos novamente? Pedágio sai caro? Sai, mas, em compensação,
nossas estradas se tornaram outras.
País Maravilha
Anthoni Cley Sobierai aluno do 1º ano do Ensino Médio do
Colégio Estadual Humberto Castelo Branco, em Cascavel
A política brasileira sempre esteve rodeada de escândalos
e corrupções que fazem os cidadãos terem vergonha
do País.
Viver aqui é quase como embarcar em uma montanha-russa vertiginosa
e perigosa. A corrupção corre solta com o “mensalão”,
os sanguesugas e os políticos que vejo todo dia no jornal roubando,
deixando na mão e acabando com o moral dos cidadãos.
Essa nova praga chamada “mensalão” chegou e já
fez seus estragos, indo refletir até na agricultura. Por um simples
voto exigiam milhares e milhares de reais, dólares e até
euros. Desviando recursos da educação, cultura e emprego,
eles aumentavam suas já polpudas contas bancárias para apoiar
um candidato que sequer fazia o que prometia e deixava todos na mão.
Porém nem só de rosas vive a política. Alguns realmente
se importam com a população. São aqueles que pensam
em ajudar, construir e melhorar. Mas graças à influência
da maioria acabam se tornando corruptos também. Na minha opinião,
tornar-se político é automaticamente se tornar bandido,
por melhores que sejam as intenções do candidato.
Entretanto, já que é necessário eleger alguém,
ou alguma “coisa”, que se tente mudar para melhor, eleja aqueles
que apresentam respostas coerentes, não aquele Zé do Lixão,
que faz ridículas encenações de que joga a corrupção
no lixo nos seus 15 minutos de fama.
Geralmente dizem que votar direito é um direito que todo cidadão
tem. Mas experimente não votar e não justificar para ver:
seu título de eleitor pode até ser cancelado, para não
falar de coisas mais graves. Mas uma coisa eu concordo: existem pessoas
que fazem campanha para o voto nulo ou em branco e depois querem exigir
seus direitos. Eu me pergunto como. Não votou, não exerceu
seu “direito” e agora quer erguer a voz para discutir? Assim
também não dá.
Enfim, a política é uma coisa que nos confunde cada dia
mais. É político com pizza, “mensalão”...
E as siglas, então? Elas sempre dizem alguma coisa. Por trás
dos honrosos, extensos e cansativos nomes pode existir a verdadeira índole
dos políticos.
Devemos “exercer nosso direito”, para que os políticos-bandidos
não terminem por assassinar a imagem de país maravilha que
nos resta.
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