| EFEITO
Mercado de celulares e computadores emperrou
Crise corta empregos
e desacelera economia
A crise econômica tem impactado no crescimento do setor de tecnologia. O problema para quem fabrica é que os consumidores não estão trocando os aparelhos de celulares e computadores antigos por novos.
Com a redução nas vendas, há redução também das vagas de trabalho. É o que está acontecendo em todo o mundo. Em vários países, já foram demitidos 22 mil funcionários do setor.
O grupo Nokia Siemens deve cortar 1.820 empregos na Finlândia e na Alemanha. Até 2010, serão 9 mil vagas a menos. Outra empresa de telecomunicações, a canadense Nortel, anunciou que vai demitir 1,3 mil trabalhadores em vários países. Além de congelar salários de novos contratados.
A Dell pediu aos funcionários que tirem licença não-remunerada de cinco dias, para ajudar no corte de custos com salários. Desde o ano passado, a fabricante de computadores desligou mais de oito mil funcionários.
As vendas da Intel, fabricantes de chips de computador, caíram 19% nos últimos quatro meses. Ações de gigantes da área de tecnologia oscilam, conforme a crise. As ações do Google ficaram abaixo dos US$ 300 pela primeira vez desde 2005. Caíram, seguindo a redução dos anúncios. E os papéis da Yahoo estão com o menor valor desde 2003.
Pelo menos um setor está se beneficiando com esta onda de demissões: os sites de busca de empregos. Nos Estados Unidos, os demitidos de empresas de tecnologia têm procurado trabalho, principalmente pela internet. Em um ainda há muita oferta de vagas - para quem aceitar ganhar pouco.
BRASIL
Celular aumenta renda de autônomos
Muitos brasileiros usam o celular como uma ferramenta para aumentar a renda. Segundo uma pesquisa da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), o profissional autônomo fatura quase 20% a mais quando tem um aparelho de telefone móvel.
Esse é o caso do mestre de obras Luiz Alberto Nunes não sabe mais como trabalhar sem o celular. “As decisões são tomadas no mesmo momento. Tenho uma dúvida, imediatamente falo com ele [o cliente], pode quebrar a parede?”.
O celular quebrou a barreira que separava quem ganha pouco da comunicação por telefone. O economista Luiz Octávio Casarin usou dados do IBGE para descobrir qual foi o impacto do celular na vida de profissionais em que a renda mensal da casa entre R$ 88 e R$ 175 por pessoa.
Em 2001, 65% dessas pessoas não tinham acesso a qualquer tipo de telefonia. Quatro anos depois, a porcentagem caiu para 47%. Neste mesmo período, 25 milhões de brasileiros com rendimento de até R$ 350 por mês tiveram um telefone pela primeira vez, quando compraram um celular. “A renda do trabalhador autônomo que usa celular é cerca de 17% maior”, diz o economista.
As vantagens do telefone celular influenciaram a cabeleireira Iolanda Dantas a tomar a decisão de fechar o salão de beleza que ela tinha e partir para um novo esquema de trabalho. Todo o material que ela precisa agora fica no carro e vai à casa das clientes.
Sem o aluguel e as contas de um imóvel, sobrou mais dinheiro no fim do mês. E as chamadas deixam a agenda de Iolanda sempre lotada. “Eu tenho dois celulares, funciona dia e noite, sem parar. Não tenho horário. Eu fico flexível a qualquer horário das minhas clientes”, conta a cabeleireira.
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