Edição nº 5181 - segunda feira, 17 de novembro de 2008 Classificados | Assinatura | Impressão
Principal - Local

SEM AGROTÓXICOS
Naturalistas formam grupo para adquirir produtos

Os adeptos do consumo de alimentos naturais e sem a utilização de agrotóxicos estão surgindo aos poucos em Cascavel. A qualidade dos mantimentos postos na mesa são preocupações relevantes dessas pessoas que pretendem proporcionar o bem-estar social pela preservação do meio ambiente e respeito aos outros animais.
O Grupo de Compras Coletivas de Produtos Agroecológicos de Cascavel conta com 50 integrantes. A cada mês eles adquirem alimentos sem qualquer tipo de veneno da Cooperativa de Agricultores Ecologistas de Marechal Cândido Rondon. A lista de produtos é extensa. São frutas, verduras, legumes, grãos e até achocolatado.
A iniciativa tem o intuito de trazer à cidade os produtos com qualidade a baixo custo. A compra é feita a granel e dividida entre os integrantes do grupo. Ninguém lucra pela atividade desempenhada. “Buscamos melhorar nossa qualidade de vida. Os produtos adquiridos são repassados diretamente pelo produtor, o que nos garante um preço menor. Estamos tentando aumentar a quantidade de pessoas engajadas na iniciativa”, diz Camila Gnoato, jornalista, que há cinco anos decidiu parar de ingerir carne vermelha e consumir alimentos mais saudáveis. Até a família optou pelos produtos. “Temos mais opções na alimentação. A qualidade de vida melhorou. Basta criatividade para elaborar os pratos”, ressalta a jornalista.
A listagem com os preços dos produtos é distribuída todos os meses por e-mail. Quem tem interesse em aderir a essa opção de alimentação pode acessar o site burucutu.blogspot.com.

Encontro
Diversas vezes ao ano são realizados encontros sobre ecologia em Cascavel com opções de exercícios e artesanatos. O 4º Encontro Cultural e Ecológico será dias 20 e 21 de dezembro.
Artistas, estudantes, músicos e profissionais participam das atividades realizadas no Recanto Alvorada.

 

PAPEL INVERTIDO
Resolução institui assistência farmacêutica
CRF define farmácias como pontos comerciais

O CFF (Conselho Federal de Farmácias) orienta que farmácias sejam mais que meros estabelecimentos comerciais. Com base na Resolução 357 de 2001, os farmacêuticos devem dar assistência às pessoas e, se possível, um acompanhamento farmacoterapêutico ao paciente, para evitar efeitos colaterais dos remédios. Mas em Cascavel isso não acontece.
A alegação é dos fiscais do CRF (Conselho Regional de Farmácia), que revela que nenhum estabelecimento de Cascavel fornece, efetivamente, este serviço. Para o vice-presidente do CRF em Curitiba, Dennis Armando Bertolini, a assistência atribui à farmácia seu verdadeiro papel na sociedade. “A atenção farmacêutica existe para solucionar problemas relacionados com medicamentos. Se posta em prática, constitui a grande esperança de dar sentido à nossa profissão”.
O verdadeiro sentido citado por Dennis é de estabelecer uma relação com a saúde dos clientes. Segundo a professora de Atenção Farmacêutica e coordenadora da Farmácia-Escola da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná), Suzane Virtuoso, a resolução do CFF não tem caráter punitivo e a assistência não tem sido praticada nas farmácias, pois a prioridade atual é vender mercadorias. “Isso é um direito da população. E qualquer pessoa percebe que há uma vontade dos vendedores em deixar o farmacêutico se aproximar do cliente na hora da venda, pois muitas vezes o paciente não precisa de tanto medicamento”.
A farmacêutica Genici Bleich define a atitude dos balconistas como uma forma de empurrar remédios às pessoas. “O remédio é uma droga e às vezes falta seriedade na sua venda. Ocorre muito a empurroterapia”, ironiza.

CONVENIÊNCIA
Empresas precisam sobreviver
O presidente do Sinfarma (Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Oeste do Paraná), Nelcir Antônio Ferro, defende as farmácias dizendo que os farmacêuticos sempre estão à disposição dos clientes para esclarecer dúvidas. Ele justifica o comportamento dos balconistas e o serviço de conveniência nas farmácias com a necessidade de o estabelecimento garantir lucros. “Tem que existir esse lado comercial para a farmácia sobreviver e até pagar o salário do farmacêutico, que precisa estar sempre presente”.
Para Nelcir, a quantidade de produtos oferecidos nas farmácias não é um problema, visto que esta prática só ocorre com permissão legal. “Existe uma lei que permite que as farmácias vendam outras mercadorias, como loja de conveniência. Hoje é uma necessidade vender mais itens para garantir o funcionamento da farmácia”.

CIÊNCIA
Farmacoterapia faz estudo do histórico de medicamento
A terapia dos remédios é regulamentada e, no Brasil, a prestação do serviço é gratuita. Os únicos acompanhamentos de farmacoterapia que Cascavel dispunha era o da Farmácia-Escola da Unioeste, que está fechada desde 2005 e de uma farmácia privada que também desativou o atendimento. Suzane explica que nesse atendimento o farmacêutico faz um histórico dos medicamentos que o paciente já tomou e pode fazer um laudo de quais efeitos que a ingestão de um novo medicamento no organismo provocará. “Não se trata de uma consulta médica e sim de um estudo de todos os medicamentos ingeridos pelo paciente para melhorar sua qualidade de vida”.
A terapia farmacêutica vem para cobrir uma brecha que os médicos não conseguem atender. Mesmo que conheçam remédios, muitas das dúvidas dos pacientes podem ser esclarecidas pelo farmacêutico. “Algumas pessoas saem do consultório e esquecem o que o médico falou ou até mesmo ficam mais à vontade para falar sobre o remédio com o farmacêutico”.
Segundo ela, outras duas farmácias têm interesse em prestar este atendimento, mas os processos ainda estão em fase de análise pelos proprietários.

MUDANÇA
Anvisa regulará venda de produtos
Suzane Virtuoso diz que a venda de produtos que não sejam medicamentos ofusca do dono da farmácia a importância de prestar a assistência farmacêutica, mas a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) tenta regular que, além dos remédios, seja permitida a venda apenas de produtos específicos para quem precisa de uma alimentação diferenciada.
A norma deve ser regulamentada ano que vem. “A intenção dessa resolução é tirar a parte de alimentos e deixar somente para quem tem alguma necessidade especial. Se a população soubesse das assistências nas farmácias e recebesse isso como bom, seria uma necessidade que todas as farmácias tivessem”, acrescenta.
Suzane afirma que uma discussão para regular essa venda também veio à tona quando os donos de supermercado solicitaram autorização para vender remédios. “Houve envolvimento dos donos de supermercado para venderem medicamentos. Isso mostra que a conveniência não tem nada a ver com farmácia”.

INSATISFAÇÃO
Roubos e desperdício de doações revoltam vizinhos
Moradores pedem a saída do SOS Família do bairro

Os moradores do Bairro Claudete, em Cascavel, pedem a transferência do Programa SOS Família. Um abaixo-assinado passou de casa em casa. Foram recolhidas quase mil assinaturas de pessoas que moram perto do local destinado ao atendimento de famílias pobres. Elas reclamam de uma série de situações. Há mais de dois anos os moradores fazem o pedido motivados pelos constantes furtos e o aumento de andarilhos nas ruas que ficam próximas ao prédio do Provopar (Programa do Voluntariado Paranaense), cedido pela prefeitura.
Segundo a professora aposentada Neide Camilo, que mora a poucos metros da sede do programa, muitos bêbados ficam pelas ruas após receberem o auxílio. Isso causa medo e insegurança dos moradores. “Eles ficam deitados pelas gramas. Alguns ficam escondidos num matagal próximo. Nem sempre o que recebem é aproveitado. Alimentos e roupas doadas são jogados fora. Isso não está certo. A prefeitura deve tomar alguma atitude e se envolver com trabalho social para pessoas que realmente necessitam”, reclama Neide.
Mesmo com as construções, os bêbados não se intimidam e invadem lotes para se esconder. Cansados da falta de iniciativas dos responsáveis pelo serviço, os moradores resolveram agir.
O aposentado Reinaldo Evangelista tem uma casa em frente ao lote do Município onde está instalado o SOS Família. Para que bêbados e andarilhos não ficassem no local onde deveria haver calçadas públicas, ele resolveu plantar flores, evitando incômodos. “Era um verdadeiro matagal. Mulheres e crianças que iam para a creche não podiam passar por perto porque aquelas pessoas ficavam ali”, ressalta o aposentado, que passa várias horas capinando o lote abandonado ao lado do SOS Família.
A ajuda oferecida pelo programa não satisfaz os anseios dos andarilhos, que apelam aos moradores diariamente. “Eles passam pedindo roupas, comida e dinheiro. Quando digo que não tem, eles nos xingam. Deveriam mudar esse atendimento para outro local e não aqui, no Centro”, sugere Loni Evangelista.
Os moradores reclamam também do lixo deixado nas ruas. Muitas das pessoas atendidas passam o dia pedindo esmolas nos semáforos. “Já vi alguns lá no Centro”, diz uma moradora, que pediu para não ser identificada.

REIVINDICAÇÃO
Construção de PAC é o pedido da comunidade
Os moradores do Bairro Claudete querem que a prefeitura instale um PAC (Posto de Atendimento Continuado) no lugar do Programa SOS Família. Existe uma UBS (Unidade Básica de Saúde) no bairro que, de acordo com eles, não corresponde às necessidades da população. A estimativa é de que 35 mil pessoas seriam atendidas no espaço almejado pelos moradores.
“Com a construção, os outros PACs ficariam desafogados. Nosso posto de saúde é precário. Muitas pessoas seriam beneficiadas”, relata José Nunes, líder do Movimento Cooperativista, que pretende organizar um protesto neste mês para chamar a atenção da sociedade e dos políticos.
Outra alegação dos moradores do Bairro Aclimação é que aumentaram os furtos durante o dia. “Alguns se aproveitam e usam os serviços sem necessidade. Muitos não estão de passagem pela cidade e almoçam todos os dias de graça. O programa deveria ajudar pessoas de fora e não pessoas que não buscam melhorar de vida”, diz Nunes.

 

Expediente - Fale Conosco

Enquete

Na sua opinião, a renovação das cadeiras no Legislativo de Cascavel foi para:

Melhor
Pior
Ficou igual


Resultado Parcial


Pauta
Envie sua sugestão de pauta, matéria ou release para o Jornal Hoje.

Edições Anteriores
disponíveis na íntegra para consulta.

Video 30 anos
Veja aqui o vídeo promocional 30 anos Jornal Hoje

Busca