Edição nº 5181 - segunda feira, 17 de novembro de 2008 Classificados | Assinatura | Impressão
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ACORDO DE SEGURANÇA
Tropas permanecerão no Iraque até 2011
O gabinete iraquiano aprovou ontem o acordo de segurança que regula as condições para a presença das tropas americanas no país até o final de 2011. Todos, menos um dos 28 ministros de gabinete que estavam na sessão de duas horas e meia, votaram para o acordo e o enviaram para o Parlamento, em um grande alívio para os Estados Unidos, que esteve em intensas negociações com os iraquianos por quase um ano. De acordo com o ministro das Relações Exteriores do Iraque, Hoshiyaer Zebari, o rascunho do acordo determina que as forças americanas terão de se retirar das cidades iraquianas até junho de 2009 e deixar o país por completo no fim de 2011.
A resolução do Conselho de Segurança da ONU que permite que as tropas americanas operem no Iraque expira em 31 de dezembro, e sem a extensão da resolução ou acordo separado como esse aprovado ontem, as forças de coalizão lideras pelos EUA não teriam mandato legal para operar.
"Essa é a melhor alternativa disponível", afirmou o porta-voz do governo iraquiano, Ali al-Dabbagh, logo após a votação. "Nós sempre dissemos que essa não é uma solução perfeita para o lado iraquiano e nem para o lado americano, mas é um procedimento que foi forçado pelas circunstâncias e necessidades", acrescentou ele.
O projeto ainda submete, pela primeira vez, as forças americanas sob a autoridade do governo iraquiano e prevê que elas não terão mais autoridade para fazer incursões em casas iraquianas sem a autorização de um juiz e a permissão do governo. Atualmente há 150 mil soldados americanos no Iraque.

ESTADOS UNIDOS
Presidente eleito prevê desastre se nada for feito
Obama quer socorro para indústria automobilística

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, quer que os programas federais de resgate da economia sejam ampliados para incluir a problemática indústria automobilística e para ajudar proprietários que lutam contra a hipoteca de suas casas.
"Se a indústria automobilística falir por completo, será um desastre neste tipo de contexto", afirmou Obama em entrevista ao programa 60 minutes. "Então acredito que precisamos providenciar assistência à indústria automobilística. Mas acho que isso não pode ser um cheque em branco."
O presidente eleito disse esperar que a Casa Branca e o Congresso desenvolvam um plano de assistência que englobe todos os atores da indústria - da administração aos trabalhadores e credores - a fim de desenvolver "uma indústria automobilística americana sustentável", o que ainda não aconteceu, segundo ele.
Obama afirmou também querer ver maior atenção aos proprietários de casas no plano de resgate. "Ainda não nos focamos nas hipotecas e no que está acontecendo com os proprietários como eu gostaria", afirmou. "Temos que criar uma negociação entre bancos e devedores para que as pessoas continuem em suas casas. Isso terá um impacto na economia como um todo."
Ele afirmou que se não houver uma atenção especial aos proprietários endividados até assumir o cargo, dia 20 de janeiro, haverá assim que ele for o presidente.
Obama elogiou o trabalho do secretário do Tesouro, Henry Paulson, mas faz sugestões sobre como o plano de resgate pode ser reformado. "Paulson trabalhou sem descanso sob circunstâncias muito difíceis. Creio que Henry seria o primeiro a reconhecer que provavelmente nem tudo o que foi feito funcionou da forma esperada", disse Obama. "Há uma pessoa da minha equipe de transição que conversa com ele diariamente", afirmou. "Estamos recebendo a informação que queremos e fazemos sugestões em algumas circunstâncias sobre como pensamos que eles devem abordar alguns desses problemas."

Mais três nomes
O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou ontem os nomes de três membros chaves da equipe que o acompanhará na Casa Branca a partir de 20 de janeiro de 2009.
Obama anunciou em um comunicado que Pete Rouse será seu assessor, enquanto Mona Sutphen e Jim Messina serão adjuntos do chefe-de-gabinete Rahm Emanuel.
"Estas pessoas são acréscimos importantes a uma equipe com a experiência e a habilidade de ajudar nossa nação a superar os desafios urgentes em casa e no mundo", afirma Obama no texto.

VENEZUELA
Presidente antiimperialistas vão se encontrar em Caracas
O presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou ontem que "oito presidentes antiimperialistas" se reunirão em Caracas, na Venezuela, no dia 26 de novembro "para planejarem formas de servir melhor aos povos da América Latina e do mundo".
O anúncio foi feito um dia após a Cúpula G20 (que reúne os países mais ricos e os principais emergentes), que foi realizado em Washington, nos Estados Unidos.
Segundo o presidente boliviano, a reunião não será apenas para analisar a crise financeira mundial, mas para que os líderes destes oito países, que não detalhou, definam como se fortalecerão e complementarão suas ações para servirem aos povos.
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou a reunião esta semana, encontro para o qual convidou os líderes de Cuba, Nicarágua, Bolívia, Honduras e República Dominicana, membros da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas) junto com a Venezuela, e os 18 países que integram a Petrocaribe.
Segundo Chávez, a reunião deve tomar "decisões para enfrentar" a crise econômica mundial e favorecer os povos dos países convocados.

FAIXA DE GAZA
Trégua com Hamas está em migalhas
A trégua com o grupo radical palestino Hamas na faixa de Gaza, em vigor junho, está "em migalhas" depois dos recentes atos de violência, afirmou ontem o primeiro-ministro israelense do governo de transição, Ehud Olmert. Durante o conselho semanal de ministros, Olmert ainda disse que pediu às autoridades militares que estudem uma maneira de acabar com o "regime do Hamas" em Gaza.
O território é controlado pelo grupo desde o ano passado, quando seus militantes venceram as forças do Fatah, grupo secular ligado ao presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas.
Olmert culpou o grupo pelos recentes ataques mútuos e que ameaçam romper o cessar-fogo. "O fato de que a calma esteja em migalhas e a criação de uma situação de violência prolongada e repetida no sul do país são de inteira responsabilidade do Hamas e dos demais grupos terroristas", disse Olmert.
O Hamas rebateu as acusações, que chamou de "manipulações midiáticas" e que "não refletem a realidade". "É nosso direito responder firmemente a qualquer agressão sionista contra os palestinos", disse o porta-voz do grupo, Fawzi Barhum.

 

Fidel Castro
O ex-presidente cubano Fidel Castro "está muito bem de saúde" e "poderia voltar ao poder" na ilha, disse o médico José Luis García Sabrido, que o atendeu quando ficou gravemente doente em 2006.
Em entrevista publicada ontem pelo jornal "Perfil", de Buenos Aires, o médico disse que acredita que Fidel deseja voltar ao governo cubano, que delegou a seu irmão o atual presidente de Cuba, Raúl Castro.
Por razões de "sigilo médico", García Sabrido se negou a dizer de que tipo de doença sofre Fidel, mas voltou a negar que se trate de câncer e deixou claro que o direito à privacidade do ex-presidente cubano deve ser respeitado.
"Hoje, Fidel está muito bem, tem uma vida normal e poderia voltar ao poder se desejasse. Não tem nenhum impedimento de ordem física ou médica", declarou.

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