Edição nº 5181 - segunda feira, 17 de novembro de 2008 Classificados | Assinatura | Impressão
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ECONOMIA
Ministro diz que até o Brasil deve pensar em reduzir as suas taxas
Mantega defende juro menor

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu a redução das taxas de juros no mundo todo, inclusive no Brasil. Segundo ele, há consenso entre os países do G20 que a redução do custo financeiro é fundamental para impulsionar a economia e, assim, neutralizar os efeitos da crise financeira global. Segundo Mantega, o risco hoje não é apenas de recessão, mas de depressão econômica.
Mantega preferiu, no entanto, não fazer previsões. "Cada país tem o ritmo e tem as suas necessidades. Uma coisa é certa, você tem que baixar o custo financeiro em todos os países porque ele subiu muito recentemente. Tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, no Reino Unido e na União Européia, o custo financeiro tem que cair, senão não haverá retomada da atividade econômica", sentenciou.
O ministro defendeu o aumento dos investimentos públicos como estratégia de combate aos efeitos da crise na economia real, repetindo o consenso dos ministros de economia do G20. Mas frisou que políticas fiscal e monetária devem estar sintonizadas e coordenadas em nível global.
"Se um país fizer isoladamente, ele pode não ter sucesso e vazar recursos para outros países", ponderou. "Se fazemos uma política monetária agressiva liberando liquidez, crédito em reais e em dólares, por exemplo, os outros países vão se aproveitar e absorver estes dólares e estes reais sem dar nada em troca", explicou.
Ele destacou que a expansão fiscal deve ser feita na medida das possibilidades de cada país. Na reunião de ministros e presidentes de bancos centrais do G20 financeiro, no final de semana passado, em São Paulo, os presidentes de BCs manifestaram preocupação com a possibilidade do aumento dos gastos públicos representar disparada da inflação. Porém, de acordo com Mantega, a inflação não é mais problema e que há espaço para uma política fiscal "mais flexível".
Questionado sobre um eventual pacote para estímulo da economia no Brasil nos moldes do anunciado esta semana pela China, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, descartou medidas do gênero e garantiu que a estratégia brasileira já está em andamento, e é, segundo ele, o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento)

 

ACORDO
Documento elaborado por países traça metas contra crise
G-20 se compromete em evitar barreiras comerciais

O Grupo dos 20 (G-20), que reúne os países responsáveis por 80% do comércio mundial, se comprometeu a não estabelecer "novas barreiras para investimento ou para o comércio de bens e serviços" nos próximos 12 meses. O compromisso foi estabelecido ao final da reunião de cúpula dos chefes de Estado e de governo que se reuniram em Washington, no fim de semana, diante da avaliação dos líderes de que a rejeição do protecionismo tem "importância crítica em termos de insegurança financeira". O trecho sobre comércio faz parte da subdivisão intitulada Compromisso para uma economia global aberta do comunicado divulgado pelo grupo.
De acordo com o comunicado, elaborado ao fim da reunião sobre mercado financeiro e economia mundial, o G-20 também concordou que não vai haver "imposição de novas restrições à exportação ou a implementação de medidas inconsistentes da OMC (Organização Mundial do Comércio) para estimular exportações".
O G-20, que agrega países industrializados e em desenvolvimento, responde por 90% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial e agrega dois terços da população do globo. Os líderes do G-20 declararam que vão fazer um "esforço para alcançar um acordo este ano sobre as modalidades que conduzam a uma conclusão bem-sucedida para a agenda de Doha com um resultado ambicioso e equilibrado". "Concordamos que nossos países têm a maior parcela no sistema de comércio global e, então, devem fazer as contribuições positivas necessárias para alcançar tal resultado".

Resultado
Em entrevista durante a cúpula em Washington, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, avaliou que os pontos decididos pelo G-20 com relação ao comércio mundial e manifestados no comunicado seriam "uma boa deixa para o Pascal Lamy (diretor-geral da OMC) continuar com o trabalho dele em Genebra". Depois de ter reunião com a representante de Comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab, o ministro brasileiro afirmou que "tanto o Brasil quanto os EUA ficaram satisfeitos com o resultado final do comunicado".
Amorim observou que Doha é importante "não só pelo que vai dar, mas pelo que pode ocorrer se a Rodada não se concluir". Esta foi a terceira reunião do G-20 em um mês, sendo que o único encontro regular foi o realizado em São Paulo no início deste mês. O encontro do final de semana e o primeiro realizado em outubro, durante o Encontro Anual do Fundo Monetário Internacional, tiveram caráter de emergência.

Berlusconi contrapõe Lula
O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, defendeu ontem o futuro do G8 - formado pelos sete países mais ricos e Rússia -, frente ao G20 (que inclui os países emergentes) e confirmou um plano de apoio à economia da Itália. Por outro lado, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva considera que o G20 irá transformar o G8 em "um clube de amigos"
"A partir de 1º de janeiro, teremos a presidência do G8, que não foi apagado pelo G20. Na realidade, certos problemas devem ser discutidos por países cujas democracias estão consolidadas, enquanto outros países, que integram o G20, ainda estão no caminho para a democracia", justificou Berlusconi.
O chefe do governo italiano fez a declaração em um discurso por telefone para os participantes de um congresso político ligado a seu partido, depois de retornar de Washington (EUA), onde participou na reunião do G20 que analisou a atual crise financeira mundial.
Berlusconi respondeu assim à opinião do jornal "La Stampa", que em um artigo, sob o título "Adeus à velha Europa", considera que a Europa, "muito presente no tradicional G8", vai perder muita influência no G20.
O G8 conta com Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia. O G20 tem ainda a União Européia, África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, China, Coréia do Sul, Índia, Indonésia, México e Turquia.
Berlusconi também confirmou a apresentação dentro de alguns dias de um plano de 80 bilhões de euros "a favor das empresas e das famílias", segundo suas palavras.

"Clube de amigos"
O presidente Lula disse que a Cúpula do G20 foi histórica e representa uma mudança no panorama político mundial. "Apenas posso dizer que o dia de hoje [sábado] é histórico. Saio daqui com a certeza de que a geografia política do mundo ganhou uma nova dimensão", afirmou Lula em breves declarações após a reunião.
O Brasil reivindicou durante anos uma maior influência dos países em desenvolvimento nos fóruns e instituições internacionais, assim como sua entrada no G8. Para o presidente, o sucesso da primeira reunião do G20 ainda não representa o fim do G8, mas será transformado em "um clube de amigos".
Lula afirmou que há seis meses nunca teria imaginado que o G20 ia ser o grupo escolhido "para definir de forma coletiva a reforma da economia mundial".

CRISE
Turbulência faz cliente renegociar imóveis
Consumidores que adquiriram imóveis de alto padrão na planta e dependiam principalmente de investimentos na Bolsa ou da rentabilidade de seus negócios para quitar as prestações começam a procurar construtoras para revender, trocar ou devolver os bens.
Essa situação não é generalizada, é pontual, mas revela a preocupação de quem comprou uma casa ou um apartamento financiado de não conseguir arcar com o valor das prestações daqui para a frente.
Para evitar que esse temor se alastre e atinja também quem adquiriu imóveis de padrão mais popular, incorporadoras e construtoras estão tomando algumas medidas com o objetivo de tranqüilizar o consumidor, o que significa até deixar de reajustar o imóvel pelo INCC (Índice Nacional da Construção Civil) enquanto o empreendimento estiver em construção.
Imobiliárias e construtoras informaram que quem quer renegociar imóveis neste momento são principalmente profissionais liberais e pequenos e médios empresários que adquiriram casa ou apartamento na faixa de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões.

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