TSE – Por unanimidade de votos, ministros estenderam
decisão anterior aos mandatos do Executivo
Partidos são donos de todos os mandatos
Por unanimidade, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidiu estender
a fidelidade partidária para os ocupantes de cargos majoritários
- presidente da República, governadores, senadores e prefeitos.
Seis ministros do TSE seguiram o voto do relator, Carlos Ayres Britto,
que recomendou a retirada do mandato de quem trocar de legenda após
ser eleito por outro partido.
"A soberania do voto popular é exercida para sufragar candidatos
partidários, não avulsos", disse o relator. "Não
se pode negar o óbvio: neste tipo de competição homem
a homem, candidato a candidato, o prestígio individual tende a
suplantar o partidário."Ayres Britto entendeu que o mandato
pertence ao partido e não ao político eleito. Votaram com
ele os ministros José Delgado, Ari Pargendler, Caputo Bastos, Gerardo
Grossi e Cezar Peluso, além do presidente do tribunal Marco Aurélio
Mello.
Mello já havia dito que era favorável à aplicação
da regra da fidelidade partidária para todos os políticos
- sejam eles eleitos pelo sistema proporcional ou majoritário.
No começo do mês, STF validou uma decisão do TSE e
reconheceu a aplicação da fidelidade partidária para
os eleitos pelo sistema proporcional - deputados estaduais, federais e
vereadores.
O STF entendeu que a regra é válida desde 27 de março
- data de julgamento do TSE, que impôs a fidelidade partidária.
No entanto, ressaltou que os parlamentares terão amplo direito
de defesa para argumentarem os motivos que os levaram a mudar de legenda.
Semelhante ao que foi definido para deputados e vereadores, a determinação
do TSE terá apenas caráter administrativo e indica o entendimento
do tribunal sobre a fidelidade partidária. Esse entendimento, contudo,
não será aplicada imediatamente a nenhum caso concreto.
ALERTA
Paraná está em quarto lugar, com 45 mil doentes
País vive epidemia de dengue
O Ministério da Saúde lançou ontem a Campanha Nacional
de Mobilização contra a Dengue com o tema: Combater a dengue
é um dever meu, seu e de todos. A dengue pode matar.
Conforme levantamento do governo, nos nove primeiros meses deste ano foram
registrados mais de 480 mil casos da doença, o que representa aumento
de mais de 50% em relação ao mesmo período de 2006.
Segundo o ministro da Saúde, José Gomes Temporão,
já é possível afirmar que o País vive uma
epidemia. O Paraná, com quase 45 mil doentes, está entre
os estados com maior incidência de casos e ocupa a quarta posição,
perdendo apenas para Mato Grosso do Sul, com mais de 72 mil casos; São
Paulo com mais de 64 mil doentes; Rio de Janeiro com 51 mil.
“Esta epidemia é preocupante por vários motivos. Principalmente
pelas características do vírus, que possui quatro sorotipos
e três já circulam pelo Brasil. É uma doença
que pode matar e só será enfrentada adequadamente se houver
uma grande mobilização da sociedade” disse o ministro.
Em 2002, a dengue atingiu 794 mil pessoas, mas o número havia caído
para 345 mil no ano passado.
“O quadro deste ano é ruim e estamos fazendo a campanha antes
do período de chuvas, quando o mosquito transmissor se prolifera.
Ou seja, temos tempo para a prevenção, mas os resultados
dependem da participação de todos” disse Temporão.
A campanha tem o objetivo de estimular a população a eliminar
os locais de água parada, onde o mosquito transmissor se multiplica.
Segundo Temporão, mais de 100 morreram vítimas da doença
este ano.
SONEGAÇÃO
PF prende 40 por pessoas
fraude bilionária na Receita
A Operação Persona realizada pela PF (Polícia Federal)
desarticulou na manhã de ontem um esquema fraudulento de comércio
exterior, criado por empresários brasileiros para beneficiar uma
empresa multinacional americana. A PF não quis informar o nome
da multinacional alegando que a investigação ainda está
em curso e o processo corre em segredo de Justiça. Até agora,
foram presas 40 pessoas, sendo que seis delas eram auditores fiscais da
Receita Federal (quatro da ativa e dois aposentados). Cerca de R$ 1,5
bilhão de impostos deixaram de ser arrecadados com o esquema.
A multinacional é líder no segmento de serviços e
equipamentos de alta tecnologia para redes corporativas, Internet e telecomunicações.
Outros cinco brasileiros que moram nos Estados Unidos ainda podem ser
presos.
Segundo a delegada Érika Tatiana Nogueira, já foram lacrados
vários estoques de empresas e apreendidos US$ 290 mil, R$ 240 mil,
US$ 10 milhões em mercadorias, um avião e 18 veículos.
Ainda restam quatro mandados de prisão para serem cumpridos no
Brasil.
As prisões ocorreram em São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro,
Ilhéus e Salvador (BA).
O ministro interino da Justiça, Luiz Paulo Barreto, destacou que
a operação é importante para reduzir a concorrência
desleal no setor de tecnologia já prejudicado por equipamentos
de contrabando.
SISBOV
Prazo para migrar ao novo
modelo não será prorrogado
O secretário de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo
do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento),
Márcio Portocarrero, afirmou ontem que o prazo para os pecuaristas
migrarem do antigo para o novo Sisbov - que vai até 31 de dezembro
- não será prorrogado. Portocarrero alertou que o descumprimento
desse prazo implicará perda de rastreabilidade dos animais, já
que o modelo antigo será extinto no dia 1º de janeiro de 2008.
A afirmação foi feita durante a reunião preparatória
para receber a missão da União Européia que virá
ao Brasil em novembro. O encontro contou com a participação
de representantes da CNA (Confederação da Agricultura e
Pecuária do Brasil), Abiec (Associação Brasileira
das Indústrias Exportadoras de Carne), Acerta (Associação
das Entidades Certificadoras) e técnicos do Ministério da
Agricultura. O coordenador do Sisbov, Serguei Brener, chamou a atenção
para as portarias do Mapa, publicadas segunda-feira no “Diário
Oficial da União”, que punem duas certificadoras.
CONGRESSO
Presidentes do Senado e da Câmara fizeram um cronograma de votações
Fim do voto secreto entra na pauta
Os presidentes da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e do Senado,
Tião Viana (PT-AC), devem se reunir para definirem juntos o melhor
momento para inclusão na pauta de votações da PEC
(Proposta de Emenda Constitucional) que institui o fim das votações
secretas no Congresso. Sem consenso entre os deputados, o petista concluiu
que a medida deve ser votada na Câmara em sintonia com o Senado.
A decisão foi tomada ontem depois de quase duas horas de reunião
entre líderes partidários e Chinaglia.
Na reunião, ficou definido que seria votada a MP (Medida Provisória),
que trancava a pauta de votações na Câmara. A MP que
concedeu aumento de 21% a 28% nos salários de policiais federais
e autoriza mudanças no regime interno para os servidores da Previdência
foi aprovada ontem à tarde. Outra decisão é votar
ainda nesta semana a PEC que concede autonomia à Defensoria Pública.
Também deverá ser votada nesta semana a chamada Emenda 29,
que determina que estados e municípios ficam obrigados a aplicar
em saúde 12% e 15%, respectivamente, de seus orçamentos.
Já a União só não pode aplicar na área
um valor menor do que o do ano anterior, reajustado de acordo com a variação
nominal do PIB (Produto Interno Bruto).
Chinaglia e os líderes partidários decidiram deixar os temas
mais polêmicos para uma segunda etapa de discussões. Adiaram,
por exemplo, a votação de propostas que criam o chamado
“trem da alegria” que pode efetivar 260 mil funcionários
públicos terceirizados.
Ficou adiada também a votação da PEC dos Vereadores.
A proposta redimensiona o número de vereadores em relação
à população dos municípios e tem o objetivo
de retomar praticamente a totalidade das vagas abatidas por resolução
do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de 2004 - que eliminou 8.481 cadeiras
das 60.229 existentes.
CPMF
Governo aciona a tropa de choque
O governo federal vai enviar sua tropa de choque ao Senado hoje na tentativa
de convencer os senadores a acelerarem a votação da PEC
(Proposta de Emenda Constitucional) que prorroga a CPMF (Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira) até
2011. O vice-presidente José Alencar, acompanhado de três
ministros, vai se reunir com o presidente interino do Senado, Tião
Viana (PT-AC), e líderes partidários.
O encontro é uma tentativa de pressionar os parlamentares a colocarem
a PEC em votação até o fim de novembro, para que
não deixe de vigorar em 31 de dezembro deste ano - quando perde
a validade. Alencar estará acompanhado dos ministros Guido Mantega
(Fazenda), Paulo Bernardo (Planejamento) e José Gomes Temporão
(Saúde), principais articuladores da prorrogação
da contribuição.
Apesar da pressão, os partidos de oposição no Senado
não estão dispostos a aceitar a proposta do governo para
acelerar a tramitação da PEC. DEM e PSDB prometem seguir
o cronograma da relatora da matéria, senadora Kátia Abreu
(DEM-TO), para retardar ao máximo a votação da PEC.
O governo corre contra o tempo para tentar aprovar a CPMF até o
fim deste ano. Kátia Abreu já avisou, no entanto, que vai
usar o prazo de 30 dias para a tramitação da proposta na
CCJ (Comissão de Constituição e Justiça),
sem acelerar a votação da matéria.
Arthur Virgílio (PSDB) disse que, se o governo tivesse pressa para
votar a CPMF, não deveria ter deixado a proposta tramitar por quatro
meses na Câmara dos Deputados. O senador acusou o Palácio
de Planalto de oferecer cargos ao PMDB da Câmara em troca do apoio
à PEC, o que provocou atrasos em sua tramitação.
Edição de MPs
Com mais da metade das sessões do plenário trancadas por
medidas provisórias nos quase nove meses do ano Legislativo, a
CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da
Câmara aprovou ontem o projeto que muda a edição de
MPs. A proposta cria mecanismos para o plenário recusar a medida
provisória, determina que a MP só terá força
de lei depois de admitida por comissão competente - hoje ela passa
a valer a partir de sua edição - proíbe o uso de
medida provisória em tributo - exceto em caso de redução
ou de extinção - e muda prazos de obstrução
dos trabalhos do plenário quando não for votada: na Câmara
em 40 dias e no Senado, em 30. O projeto, aprovado pelo Senado em fevereiro
no ano passado, ainda será analisado por comissão especial
antes de chegar ao plenário para ser votada em dois turnos.
Demitido
O ex-assessor da Presidência do Senado, Francisco Escórcio,
esteve ontem pela segunda vez na casa do presidente licenciado da instituição,
senador Renan Calheiros (PMDB), e disse que estranhou ter sido demitido
do cargo apesar da declaração de Renan de que seria apenas
licenciado por um período determinado. Escórcio foi afastado
depois de ter sido acusado de espionar senadores em Goiânia (GO),
supostamente a mando de Renan. Sobre a denúncia de espionagem,
declarou: “Essa história toda foi uma armação
que fizeram contra mim e contra Renan”, disse.
Escórcio prometeu esclarecer as denúncias. “Vou provar,
no Conselho, o motivo que me levou a Goiânia. Ninguém me
ouviu, não me perguntaram nada. E não fui bisbilhotar a
vida de ninguém. Fui a Goiânia por dois motivos: uma reunião
com um advogado particular e um processo de coligação política
no Maranhão.”
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