Presos no comando
Quando estavam amontoados em celas sem as mínimas condições
de higiene, com quase 760 pessoas dividindo o espaço destinado
para não mais do que 140, os presos reclamavam das condições
subumanas que viviam na Cadeia Pública de Cascavel.
A sociedade organizada se sensibilizou com a situação caótica
no Cadeião, até para evitar uma tragédia, uma fuga
em massa, que pudesse colocar em liberdade criminosos perigosos, e passou
a pressionar o governo forçando a construção de um
local maior para acomodar aqueles que cometem algum tipo de delito.
Demorou, mas, enfim, foi inaugurada a Casa de Custódia e a transferência
de presos mal foi concluída e já aconteceu a primeira rebelião.
O motivo, pasmem, é que os antes “injustiçados”
e espremidos criminosos querem voltar para a casa antiga.
Com a superlotação, a fiscalização no cadeião
se tornava quase impossível. Agora não há as mesmas
mordomias de antes. Os presos não conseguem se comunicar com o
lado de fora, o que os impede de comandar os esquemas de tráfico
e assaltos, não têm mais acesso a celulares, entre outros
“benefícios”.
O motim causou prejuízos que, infelizmente, serão pagos
pelos contribuintes. O problema é que o sistema prisional do Brasil
é conivente com situações que jamais deveriam ser
permitidas. As facções dentro dos presídios, como
PCC (Primeiro Comando da Capital), CV (Comando Vermelho) e agora até
PCP (Primeiro Comando do Paraná), jamais deveriam existir.
Ninguém defende que os presos sejam maltratados, mas é preciso
que eles cumpram o delito cometido de forma que, ao saírem, estejam
realmente ressocializados. Da forma com que está hoje, com regalias
que cidadãos de bem jamais imaginaram ter, essa ressocialização
não existe. Por isso os criminosos estão cada vez mais à
vontade e com poderes, enquanto a população, ela sim, aprisionada.
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