Profissão:
cabo eleitoral
O trabalho é
temporário. Dura cerca de três meses e abre vagas a cada
dois anos. Não tem carteira assinada e a grande maioria dos contratos
é feito de forma verbal. A profissão é cabo eleitoral.
Neste período que a legislação permite a campanha
eleitoral aumenta a corrida aos comitês em busca de uma vaga no
mercado de trabalho e o dinheiro que entra no bolso ajuda a pagar as contas
mais urgentes e alivia a situação financeira de cidadãos
e cidadãs que estão na fila dos desempregados.
Quem anda pelas ruas centrais de Cascavel esbarra em centenas entregadores
de santinhos, homens e mulheres-placas, carregador de faixas ou apenas
guardadores de banners. O serviço pode variar de acordo com a agenda
dos candidatos. Eles também são convocados para carreatas,
panfletagem nos bairros, arrastões e instalação do
material de campanha móvel são algumas das atividades sob
responsabilidade dos operários da campanha. Tudo isso é
legal e faz bem para o trabalhador resgatar, pelo menos temporariamente,
o gosto de receber salário. É claro que em todos os meios
existem os picaretas, candidatos que não pagam os cabos eleitorais
e trabalhadores que são contratados e só fingem que trabalham.
Mas isso já é problema da Justiça Eleitoral.
A geração de empregos poderia ser bem maior na campanha
deste ano. A minirreforma promovida pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral)
frustrou muita gente que contava com o período para ajudar no orçamento
familiar. A proibição de distribuição de brindes,
por exemplo, impediu que empresas do setor contratassem milhares de trabalhadores
temporários. A intenção do controle de abuso eleitoral
foi, de certa forma, prejudicial à economia, pois as empresas deixaram
de faturar e de empregar, mesmo que temporariamente.
No Paraná são 878 candidatos oficialmente registrados no
TRE (Tribunal Regional Eleitoral), todos eles dependentes dos cabos eleitorais
para divulgação de suas propostas. É um trabalho
informal, mas decisivo na conquista de votos.
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