PEDÁGIOS
Federação teme que tarifas sejam reajustadas
ABCR e Fetranspar vão
à Justiça contra a isenção
A isenção do pedágio aos moradores das cidades onde
têm praças no Paraná já provocou reações.
A ABCR-PR (Associação Brasileira das Concessionárias
de Rodovias do Paraná) e a Fetranspar (Federação
das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná) anunciaram
que irão à Justiça em decorrência da medida.
A primeira, por considerar a medida inconstitucional. A segunda alega
que não tolerará reajuste nas tarifas para compensar o benefício.
O presidente da ABCR-PR, João Chiminazzo Neto, alertou que a isenção
só entrará em vigor após a regulamentação.
“Se esta lei equivocada entrar em vigor vamos combatê-la por
dois motivos: porque é inconstitucional e mais uma agressão
à iniciativa privada do Paraná e porque ela prejudica a
muitos em benefício de poucos. Alguém vai ter que pagar
pelos isentos”, anunciou.
A Fetranspar disse que a medida vai pesar diretamente no bolso do setor
produtivo. “O argumento é matemático. A lei cria uma
isenção que deve atingir cerca de 430 mil veículos
e simplesmente não diz de onde vai sair o dinheiro. Ou seja, vai
sair do bolso de quem paga a tarifa”, declarou o presidente da Federação,
Luiz Anselmo Trombini, que lembra: “Não existe mágica”.
“Assim fica muito fácil conceder benefícios. É
a famosa cortesia com o chapéu alheio. O governo beneficia um grupo
e nós pagamos a conta”, reclama Trombini.
A Fetranspar defende que o governo subsidie a isenção da
tarifa. Uma idéia é usar parte da Cide - contribuição
sobre a gasolina - para pagar essa conta. Até porque o valor arrecadado
nunca foi utilizado totalmente na infra-estrutura. “Não somos
contra a gratuidade, somos contra ficar com o prejuízo”,
diz o presidente.
BOX
Solidez
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que não
teme os efeitos da crise econômica provocada por problemas no mercado
imobiliário dos Estados Unidos. Trata-se de uma crise americana,
dos fundos de pensão que apostaram no mercado futuro, pensando
em ganhar dinheiro fácil, disse o presidente, ao participar da
inauguração das novas instalações do Colégio
Pedro II, em Realengo, Rio de Janeiro. “Quem pensa em ganhar dinheiro
mais fácil é como se tivesse num cassino: pode ganhar e
pode perder”, acrescentou.
Ele disse que o País tem reservas de US$ 150 bilhões. “Estamos
acompanhando [a situação] e vamos sair fortalecidos”.
AGROPECUÁRIOS
Fiscais mantêm trégua ao governo até o dia 23
A Comissão Nacional de Negociação dos fiscais agropecuários
federais decidiu ontem dar mais alguns dias para que o governo aceite
as reivindicações da categoria. Caso não haja acordo
entre as partes, os fiscais prometem reiniciar a suspensão das
atividades sexta-feira.
Após várias reuniões da Comissão com o Mapa
(Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), o
governo formalizou quarta-feira uma proposta de estruturação
remuneratória da categoria, de reajuste no vencimento básico
de aproximadamente 6,3% para o final de carreira e 0,5% para início.
Conforme a Comissão, a proposta apresentada não reflete
o teor do que foi tratado nas reuniões com o secretário-executivo
e com o ministro do Mapa. O reajuste previsto na contra-proposta apresentada
pelos fiscais é de 15% ao ano até 2010 e 100% na gratificação,
também parcelado até 2010.
As negociações ainda estão em andamento e uma reunião
com a Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados e com
o secretário-executivo do Mapa está marcada para terça-feira.
Na mesma data será realizada, em Brasília, reunião
com os presidentes das associações estaduais.
TENSÃO
Dólar fecha no maior nível desde março
O dólar fechou ontem no maior nível desde março,
pressionado pela saída de investidores estrangeiros em meio à
deterioração do ambiente financeiro internacional. A alta,
porém, desacelerou no final da tarde depois que as bolsas de valores
reduziram as perdas.
A moeda norte-americana subiu 3,10% e fechou cotada a R$ 2,094 - maior
patamar de fechamento desde 14 de março. Na máxima do dia,
o dólar chegou a ser cotado a R$ 2,141 para venda, revertendo toda
a queda acumulada em 2007.
“Há uma saída quase absoluta dos investidores estrangeiros
de todos os segmentos do mercado financeiro brasileiro”, disse Sidnei
Moura Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora.
A Bolsa brasileira, que despencou durante toda a manhã e o início
da tarde -a queda chegou a mais de 8% -, tomou fôlego próximo
ao encerramentos dos negócios. O Ibovespa, indicador da Bovespa
(Bolsa de Valores de São Paulo), finalizou a quinta-feira em baixa
de 2,58%, aos 48.015 pontos. Além do Brasil, o nervosismo derrubou
os pregões na Ásia, na Europa e nas influentes Bolsas americanas.
LOTÉRICAS
O deputado Plauto Miró Guimarães (DEM), autor da proposta
que determina o tempo médio de atendimento ao consumidor pelas
agências lotéricas que prestam serviços bancários
no Estado, se reuniu ontem com representantes da Caixa Econômica
e da Fenal (Federação Nacional dos Empresários Lotéricos)
para definir algumas alterações no projeto que aguarda sanção
do Poder Executivo.
No encontro, foi discutida a ampliação do prazo máximo
de atendimento pelas casas lotéricas, que será de até
30 minutos nos dias normais, e de até 40 minutos na véspera
ou após feriados prolongados.
Mudança de sexo
O TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região, em Porto Alegre,
aprovou recurso do MPF (Ministério Público Federal) para
que a cirurgia de transgenitalização, de mudança
de sexo, seja inclusa na lista de procedimentos cobertos pelo SUS (Sistema
Único de Saúde). A Justiça determinou que essa medida
seja tomada em até 30 dias, a contar da terça-feira, data
do julgamento. Se não cumprir a decisão, que vale para todo
o País, será cobrada multa diária de R$ 10 mil.
Habitação
Mais de 7 mil famílias com rendimento mensal de até dois
salários mínimos pagam apenas 12,5% do valor de sua renda
por uma casa popular da Cohapar (Companhia de Habitação
do Paraná). São 72 prestações, com valor médio
de R$ 50, que resultam no total de R$ 3,6 mil por uma casa de 40 m².
O custo é 75% menor que o avaliado pela Cohapar, que não
inclui o valor dos terrenos em áreas urbanizadas.
CPMF – Mobilização pode barrar no Senado a cobrança
da taxa
Alvaro pede para PSDB
votar contra prorrogação
O senador Alvaro Dias (PSDB/PR) voltou a criticar em plenário,
ontem, a prorrogação da CPMF (Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira) e disse
esperar que o seu partido, o PSDB, feche questão contra a prorrogação.
Terça-feira os tucanos se reúnem com economistas e com o
presidente da Fiesp, Paulo Skaf, para discutir o impacto da continuidade
da cobrança do imposto: ''Em meio a noventa tributos cobrados no
Brasil, os contribuintes e o setor produtivo ainda enfrentam a perversa
cumulatividade da CPMF. A alíquota de 0,38% do imposto representa,
em média, 1,7% do preço final dos produtos e serviços
consumidos no País. Por isso sou favorável ao fim da CPMF.
O que precisamos é de uma reforma tributária que coloque
o País no eixo do desenvolvimento com distribuição
de renda e justiça social''.
Estatísticas destacadas pelo senador apontam que, em 2006, a carga
tributária no Brasil cresceu 1,09% em relação ao
ano anterior e atingiu 35,21% do PIB (Produto Interno Bruto).
Alvaro Dias lembrou que a CPMF, criada em 1996, apesar da posição
contrária dos partidos de oposição, já foi
renovada quatro vezes e a alíquota do imposto, inicialmente destinado
à saúde, aumentou de 0,20% para 0,38%: ''Dos R$ 16,8 bilhões
devidos ao atendimento médico da população em 2006,
R$ 4 bilhões da CPMF foram retidos pelo governo para assegurar
o pagamento de juros da dívida interna. E podemos afirmar que não
foram observadas melhorias expressivas na qualidade do atendimento médico
do SUS''.
FIDELIDADE PARTIDÁRIA
TSE critica projeto aprovado
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Marco Aurélio
de Mello, e partidos de oposição atacaram ontem o projeto
de lei de fidelidade partidária que anistia o troca-troca ocorrido
até agora, além de manter brecha para a manutenção
da prática.
O projeto foi aprovado pelo plenário da Câmara no final da
noite de terça-feira, por 292 votos contra 34. Quarta-feira à
noite, o plenário votou pela rejeição de todas as
emendas.
Marco Aurélio disse que houve "retrocesso", enquanto
os oposicionistas batizaram a medida como "projeto de infidelidade
partidária" e ameaçaram recorrer ao STF (Supremo Tribunal
Federal) para derrubá-la. "A meu ver é um retrocesso.
Não se progride culturalmente quando se anistia os que descumprem
a lei", disse Marco Aurélio, que é também ministro
do Supremo.
O PPS, que perdeu nove deputados federais para legendas governistas desde
as eleições, anunciou que entrará no STF com uma
ação direta de inconstitucionalidade se a lei entrar em
vigor.
O texto anistia o parlamentar que trocou de partido após ser eleito
em 2006 e quem trocar até 30 de setembro. Além disso, altera
o Código Eleitoral impedindo o TSE de aplicar retroativamente interpretações
da legislação.
MP DOS SACOLEIROS
Deputado defende divisão
da RTU com municípios
Defensor de mudanças na MP (Medida Provisória) 380/07, conhecida
como MP dos Sacoleiros, o deputado federal Alfredo Kaefer (PSDB-PR) argumentou
ontem em audiência pública na Câmara Federal sobre
pontos negativos e positivos da proposta do governo, mas enfatizou que
se formatada adequadamente e aprovada, a medida é o mínimo
que se pode fazer para por fim à ilegalidade. O parlamentar foi
o único paranaense a protocolar emendas à MP visando a aplicação
de parte do RTU (Regime de Tributação Unificada) nas cidades
limítrofes com o Paraguai, principal corredor de entrada de mercadorias
ilegais e falsificadas no Brasil.
O deputado Kaefer reconhece que existem pontos a serem discutidos e que,
por isso foram protocoladas emendas importantes que equilibram os impactos
da MP. O tucano enfatiza que toda ação provoca reação
do lado oposto. Durante a audiência, o parlamentar lembrou que "Foz
do Iguaçu - porta de entrada da maior parte dos produtos ilegais
no País - tem uma dádiva da natureza que são as Cataratas,
tem a maior hidrelétrica do mundo, que gera 24% da energia elétrica
produzida no Brasil, mas que se criou uma cultura da ilegalidade na região,
o que coloca a cidade entre as dez mais violentas do País",
argumenta o parlamentar.
Minoria
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que o Brasil
foi governado por uma pequena elite, e que não quer mais um País
apenas de uma minoria privilegiada. "Queremos que este País
seja, definitivamente, um País de todos e não um País
apenas de uma minoria privilegiada. Queremos que o rico tenha universidade
boa, mas queremos que o pobre tenha uma universidade igual à do
rico, porque é assim que a gente vai construir um mundo justo,
um mundo igual e um mundo mais solidário". Lula ainda criticou
o Brasil só ter sido governado por representantes com diploma universitário.
"Como só governou o País quem já tinha diploma
universitário, possivelmente eles não tivessem preocupação
com aqueles que não tinham diploma universitário, porque
já estavam formados."
Fora da lei
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), divulgou nota ontem
para rebater as críticas do usineiro João Lyra, que em carta
aberta fez uma série de acusações ao peemedebista
na manhã de ontem. Renan reconheceu na nota que recebeu Lyra em
diversas ocasiões em seus gabinetes, mas negou qualquer vínculo
de amizade com o usineiro. "Só estivemos juntos em palanques
nas eleições de 1986. Há, portanto, 21 anos, quando
ainda não havia indícios, se não a certeza de que
João Lyra era de fato uma fora da lei." O senador disse que
Lyra decidiu passar a lhe atacar depois que foi "repetidamente"
derrotado nas eleições de Alagoas. Sobre fotos divulgadas
de Renan ao lado do usineiro em seu gabinete no Senado e quando ocupou
interinamente a presidência da República, o peemedebista
disse que atendeu a "insistentes apelos de Lyra para tirar foto ao
seu lado."
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