Edição nº 4723 - Sexta-feira, 17 de agosto de 2007 Classificados | Assinatura | Impressão
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O fim das coligações

O Senado deu o primeiro passo para acabar com as coligações proporcionais nas eleições. A Comissão de Constituição e Justiça da Casa deu parecer favorável ao projeto que põe fim às alianças na disputa eleitoral envolvendo deputados, federais e estaduais, e vereadores. O assunto também estava na pauta da Reforma Política apreciada aos trancos e barrancos - porque não houve entendimento entre os partidos - na Câmara dos Deputados.
Em tese, o fim das coligações vai ajudar a disciplinar os partidos, extinguindo as chamadas siglas de aluguel, que conseguem eleger representantes nas Câmaras e Assembléias na carona de eleitos com votações expressivas.
Ontem, ao saberem da possibilidade de mudança das regras já para as eleições municipais do próximo ano, os partidos começaram a repensar suas estratégias. Agora, mais do que a quantidade de candidatos, será preciso ter também qualidade. Não adianta um partido ter o número máximo de candidatos, mas todos com baixa votação, porque, com a aprovação da matéria, as siglas teriam que buscar sozinhas o coeficiente eleitoral para eleger seus representantes.
Em Cascavel, por exemplo, onde a Câmara dispõe de 14 vagas, cada partido poderá concorrer com 21 candidatos, sendo sete mulheres. Na última eleição, apenas o PMN teve chapa pura, sem coligações e, com seus 17 candidatos, conseguiu eleger dois representantes. Os demais partidos formalizaram alianças e alguns, mesmo com algumas siglas a reboque, não atingiram o coeficiente eleitoral.
O fim da coligação na proporcional daria mais legitimidade às siglas, derrubando as siglas de aluguel. Com a aprovação da fidelidade partidária, evita-se também, pelo menos por um período, o leilão de políticos, que não poderiam migrar de sigla por um período de três anos, sob o risco de perderem o mandato.
Porém, há uma brecha na lei que permite o troca-troca partidário durante 30 dias, um ano antes das eleições. Nesse período, inevitavelmente, poderá surgir o candidato de aluguel, aqueles que trocariam suas votações em troca de benesses dentro das siglas. O cobertor político é pequeno demais para cobrir todos os setores onde pairam dúvidas de legalidade. Vai ter sempre uma parte descoberta.


 

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