Edição nº 4662 - Domingo, 17 de junho de 2007 Classificados | Assinatura | Impressão
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Responsabilidade
Mário Ferreira de Oliveira é cidadão cascavelense - mariofoliveira@terra.com.br

Junte a honra, a dignidade, a moral, o bom caráter e terá a responsabilidade. Ser responsável em primeiro lugar é ser correto, centrado; diligente, atento e precavido. Todos os seres humanos (uns mais outros menos) já trazem de berço este instinto maravilhoso que enfeita e dignifica a raça humana. O grande pecado de muitas pessoas é não cultivar com seriedade este instinto, para que ele se desenvolva e se transforme no objetivo central de cada indivíduo. A responsabilidade é um acelerador para que alcançamos os nossos objetivos e ao mesmo tempo um freio para não fugirmos de nossos deveres.
Quando quisermos comentar toda a grandeza de uma pessoa, não necessitamos aquilatar todas as suas virtudes, basta dizermos apenas que se trata de uma pessoa responsável. Afirmar que uma pessoa é responsável é colocar no mais alto degrau da grandeza humana. As pessoas compassivas, sensatas, verdadeiras e benevolentes nem por isso são totalmente responsáveis; elas podem seguir os apelos de seus corações. Para que uma pessoa possa ser verdadeiramente responsável precisa ser totalmente correta, colocar o raciocínio acima de seu sentimento.
Se os seres humanos evoluíssem moralmente até o ponto de se tornarem totalmente responsáveis, o mundo se transformaria em um paraíso. A criminalidade cairia a zero, haveria respeito, as pessoas iriam produzir para seu próprio consumo. As ganâncias seriam moderadas, os contratos de compra e venda seriam honrados mesmo que não houvesse documentos; as pessoas ignorantes seriam instruídas e toleradas, e não usurpadas pelos mais espertos; os afortunados não menosprezavam os mais humildes; o trabalho teria a remuneração justa. As prisões se transformariam em colégios. Os homens da lei seriam justos; a Justiça seria dirigida por um conselho de sábios, o Código Penal cederia o lugar para um código moral.
A responsabilidade não só tem a ver com o tempo presente, mas, especialmente, com o tempo futuro, com o mundo que vamos deixar para nossos descendentes. Se quisermos ser cidadãos responsáveis, cabe a nós cuidarmos do nosso solo, nossos rios e ecologia, repor as árvores que abatemos, colorir de flores o solo que pisamos, para agradecer aos céus por nos haver dado um mundo maravilhoso. É nosso dever dar bom exemplo e semear boas idéias na mente dos jovens que encontrarmos. Havemos de ter cuidado com o tratamento que dispensamos para as pessoas, com as palavras que proferimos; sempre que pudermos, havemos de surpreendê-los com boas ações.
A responsabilidade é a soma de virtudes que estão ao alcance do ser humano, mas nem todos se dão ao trabalho de procurá-la. Por isso ela só está disponível àqueles que quiserem. O ser humano que pratica a responsabilidade é correto, justo e verdadeiro; merece conviver com pessoa de seu nível.
A responsabilidade é uma riqueza da vida interior, as pessoas superficiais e imaturas não dão importância àquilo que não sentem. Aqueles que exercitam a função de pensar e praticam a meditação desenvolvem a visão interior. E àquele que tem visão interior desenvolvida, a responsabilidade passa a fazer parte de seus hábitos e costumes, passa a ser sua prática de vida. A riqueza da vida interior se consegue pelo desenvolvimento da função de pensar. E todas as misérias e tragédias morais só nos alcançam porque não tiramos tempo para exercer nossa função de pensar.
A responsabilidade genuína é uma lei moral que está acima das convenções sociais, das leis e religiões de nossos tempos. Por si só já é uma religião que liga o ser humano a Deus sem a necessidade de intermediários.

Educação fiscal e carga tributária
Luis Fernando Costa é analista tributário e presidente regional do Sindireceita Cidadão - Luis.Costa@sindireceita.org.br e lffcosta@yahoo.com.br

Leitoras e leitores! Vamos falar sobre a interface entre educação fiscal e carga tributária! Todos falam em carga tributária de 40% do PIB, algo em torno de R$ 600 bilhões, mas se esquecem de dizer que esta é a carga tributária total das três esferas: federal, estadual e municipal (5.565 municípios). Além do mais, os empresários reclamam, porém, não são os empresários que pagam impostos, pois quem realmente paga impostos somos nós, como pessoas físicas (os empresários como pessoas físicas, sim, pagam impostos, mas como pessoa jurídica, pagam muito pouco). Reclamam de barriga cheia.
E o dinheiro arrecadado, como é gasto? Bem, as necessidades da sociedade são muitas e cabe a todos nós fiscalizar o bom uso (a qualidade dos gastos públicos) do dinheiro público!
No site da ONG Transparência Brasil (www.transparencia.org.br) é possível saber para onde vão os recursos públicos. Só para o Legislativo federal são mais de R$ 6 bilhões. Para os Legislativos estaduais são cerca de R$ 27 bilhões. Para manter o Judiciário federal e estadual é montante igual ou superior ao do Legislativo federal e estadual. Sem esquecer do Ministério Público, que é outro montante considerável! E tudo sai dos tributos arrecadados! Sem esquecer os fundos constitucionais e as transferências compulsórias para educação e saúde, e os repasses aos estados (27) e municípios! E o bolo é um só!
Da mesma forma, no site das Contas Abertas, outra ONG que trata da transparência, também é possível saber muitas informações sobre os gastos públicos (www.contasabertas.com.br - dentro do UOL).
Portanto, a carga tributária só diminuirá quando todos estivermos engajados e educados fiscalmente, isso é, tivermos consciência de que a educação fiscal é o melhor caminho para tratar do controle e da qualidade dos gastos públicos.
Alerto que a sonegação fiscal, praticada por maus empresários, que chega, segundo estudos, de um por um, isto é, para cada R$ 1 arrecadado, teríamos R$ 1 sonegado, é um câncer que deve ser combatido por cada um de nós. Assim, quando um empresário não emite nota ou cupom fiscal em uma compra de R$ 100, este mau empresário está embolsando, além dos cerca de R$ 30 de lucro, mais os cerca de R$ 40 de tributos sonegados. Não permita que isso aconteça e exija nota ou cupom fiscal em todas as suas compras. Além do mais, devemos denunciar estes maus empresários que ficam com os tributos que são de toda a sociedade. Boicotem e não comprem nas lojas que não emitem nota ou cupom fiscal. Faça a sua parte! Não compactuem com a sonegação fiscal, com a corrupção, com a pirataria, enfim, com todas as causas da deterioração da sociedade. Denunciem!!


 

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