Edição nº 4662 - Domingo, 17 de junho de 2007 Classificados | Assinatura | Impressão
Principal - Entrevista

LÍSIAS TOMÉ
Prefeito fala de obras, problemas, mas não revela seus algozes
“Não vou vender a prefeitura”

O prefeito de Cascavel, Lísias Tomé, recebeu a reportagem do Hoje em seu gabinete e fez uma avaliação dos dois anos e meio de administração. Acompanhado de sua assessoria de imprensa, Lísias falou de obras, fez comparações com a gestão anterior e voltou a reclamar da pressão de grupos políticos e de empresários que, segundo ele, tentam conseguir dinheiro fácil da prefeitura. Se por um lado o prefeito diz estar sentado sobre o cofre do Município, que não vai ceder às pressões, por outro não revela a identidade daqueles que o pressionam.


Jornal Hoje - Como o senhor avalia a administração nestes 2,5 anos?
Lísias Tomé - Considero que está sendo uma administração não política. Desde que entrei decidi não fazer política, eu decidi fazer obras na cidade. Fazer aquilo que qualquer cidadão que mora aqui há 41 anos, que viu a cidade crescer e quer ver essa cidade mudada. Tenho percebido, como cidadão, que ela teve sempre uma conotação muito política e eu dei um tom diferente. Eu trabalho muito como executivo e pouco como político. Trabalho até pouco com o Legislativo, porque as coisas têm que ser mudadas.
Então, vamos olhar o que eu acho que deve ser mudado. Você sabe que nós temos escolas aqui, em Cascavel, feitas em 1969 e até hoje não passou por nenhuma reforma. Em contrapartida, o que foi colocado, sem demérito, porque acho um ponto positivo da administração anterior: educação em tempo integral. A idéia é excelente, mas não vingou. Hoje Cascavel tem um déficit de 2 mil crianças fora da escola. Eu tinha duas saídas: continuava com a educação em tempo integral, que é um centro de excelência, mas só privilegia as crianças da escola, mas e as crianças fora da escola? Eu priorizei as crianças que estão fora. Minha preocupação era fazer creches para colocar essas crianças dentro da educação infantil. Na educação, por exemplo, o Fundeb nos obriga a gastar no mínimo 60% com salários de professores. Em Cascavel, nós gastamos 83%. A administração anterior, para você ter uma idéia, deu 0,7% de aumento aos professores em quatro anos. Eu dei 13,7% de aumento real em dois anos. Mesmo dando esse aumento eu construí uma escola no [Bairro] 14 de Novembro, no valor de R$ 2,3 milhões, para 900 crianças, com ginásio coberto e elevador para deficiente físico. No [Bairro] Faculdade, mais uma escola no valor de R$ 2,2 milhões. Se eu gasto 100% do dinheiro que dei aumento com salários, eu não teria construído nenhuma escola. Eu preciso saber ser razoável. Eu preciso construir creche e escola. Os professores pedem dignidade para trabalhar e dizem que não é só salário, pedem escola boa. E eu faço escola boa para eles trabalharem. A próxima será no Claudete. Na educação nós avançamos.

Hoje - A saúde foi o carro chefe da sua campanha eleitoral, como o senhor avalia o setor hoje?
Lísias - Por que o prefeito Lísias foi eleito? Porque foi secretário de Saúde. Eu deixei uma situação na saúde, se não era excelente, estava de regular para boa. E o que eu encontrei aqui em Cascavel. O prefeito anterior foi com microfone junto com a TV Tarobá para dar um flagrante no médico. Eu encontrei médicos desmotivados, um terço havia pedido demissão, sem remédio nos postos de saúde e pessoal sem treinamento. A última tinta que foi passada num posto de saúde fui eu quem passou quando era secretário. Eles fizeram o PAC 2 e um posto de saúde em quatro anos de gestão. Quando eu entrei estava um caos na saúde. O Município é obrigado a gastar no mínimo 12% do orçamento com saúde. Hoje eu estou gastando 29%. Você acha que a saúde melhorou? Eu troquei os 40 gabinetes dentários dos dentistas. O equipamento anterior tinha 20 anos de uso. Eu gastava tanto com manutenção que dava para comprar cinco novos gabinetes por mês. Foi prometido na gestão anterior o posto de saúde do Aclimação, que nunca saiu. No primeiro ano eu fiz o posto do Aclimação, fiz outro no Interlagos, que é um minihospital, e outro no São Cristóvão. Hoje estou quase terminando no Parque São Paulo e no Periollo, todos com padrão de excelência. São cinco novos postos em dois anos e meio.

Hoje - E os programas?
Lísias - Na gestão anterior foi uma briga para não trazer o Samu. Quando recebi as ambulâncias tive que trocar quase todas as borrachas das portas porque as ambulâncias estavam paradas havia quatro anos em um pátio em São Paulo e estavam destinadas para Cascavel. Por que a administração não trouxe? Porque o Samu custa R$ 150 mil por município, sendo que 50% é a União quem banca, 25% o município e 25% o Estado. De qualquer maneira, me custa R$ 150 mil por mês e não é dinheiro que vem a mais, mas que eu tenho que tirar de algum lugar para manter, mas é uma estrutura de excelência. Eu trouxe também o Paid. Eu montei em Cascavel o Médico no Bairro. O Paid é o médico no bairro, só que agora nós recebemos ajuda do governo federal para fazer esse atendimento. O meu objetivo com o Paid é dar dignidade ao paciente terminal, nós temos o médico que faz o fechamento de feridas crônicas, com material importado.

Hoje - O Paid é 100% federal?
Lísias - Não. A União dá a ambulância e nós pagamos o pessoal. E nós trouxemos ainda as farmácias populares. Tem remédio que dá 97% de diferença, mais barato. Para você ter uma idéia, Curitiba, com 1,7 milhão de habitantes, tem uma farmácia popular. Eu trouxe duas farmácias populares. Nós também estamos trabalhando com os Correios para entregar o remédio em casa. Na administração anterior - desculpe a comparação, mas eu preciso fazer porque a gente também precisa se defender - o posto fechava ao meio-dia e fechava às 17h. Hoje os postos não fecham mais ao meio-dia. Agora funciona das 7h até as 19h. Já na minha época como secretário eu montei quatro postos para atender até as 22h. Na administração anterior eles foram fechados. Esses postos voltaram a funcionar até as 22h. Eu também contratei mais 100 médicos.

Hoje - Embora com tanta estrutura, por que passaram tantos secretários pela pasta?
Lísias - Quando eu entrei não tinha nada disso. Eu montei nessa administração. O primeiro secretário era o [Jorge] Bocassanta. Ele é um médico muito bom, mas é operacional. O sujeito para ser secretário de Saúde tem que ser gestor, não necessariamente médico, e ele tem que ficar aqui 24 horas. O médico que vem aqui e fica preocupado com o seu consultório, ele não consegue ficar, é muito complexo. Quando eu vi que o secretário não tinha tempo suficiente eu pedi para ele sair. Ele é um excelente médico. O segundo, o Fernando Bacana [Dias Lima], é um rapaz bom, pessoa muito humana, um excelente médico, mas o Fernando não é gestor.

Hoje - De novo o mesmo problema...
Lísias - Ele era administrador. O próximo secretário foi um pediatra. Para você marcar uma consulta com o doutor Jorge Santos você precisa de uma ou duas semanas. Ele também não entendeu, não compreendeu a complexidade disso daqui, ele também não era gestor. Quando eu vi que a coisa estava complicando e ninguém estava alcançando a complexidade do negócio, vi que não adiantava médico, mas eu tive a humildade para entender que estava dando errado e então eu trouxe um administrador hospitalar, que está aí até hoje. E isso derruba por vez que o secretário de Saúde tem que ser um médico, porque ele não tem tempo para administrar isso aqui. Isso vale para todas as secretarias.

Hoje - O senhor é o prefeito que mais fez trocas no secretariado...
Lísias - Quando eu percebo que uma secretaria não está indo bem, eu vejo que vai piorar. Eu troco. Eu falo: secretário, a coisa não está indo bem, o senhor não entendeu como funciona a máquina, você não está conseguindo compreender. Quando as pessoas vêm para cá, têm dificuldade para entender como funciona. Eu mandei para treinamento no Sebrae mais da metade dos funcionários, mas não funciona aqui, porque não é uma empresa privada. O sistema público é diferente. Isso aqui tem estabilidade de emprego. Então muita coisa que você ensina em termos de administração não é absorvida aqui dentro. Não quero generalizar, mas quase todo treinamento não foi bem absorvido, porque aqui tem grupos da época do [Fidelcino] Tolentino, do Salazar [Barreiros], do Edgar [Bueno] e você tenta implementar as políticas e não consegue desamarrar porque a coisa vai muito travada.

Lísias - (Prefeito interrompe) Mas terminando a área de saúde... Agora estou conseguindo fazer um processo de informatização. O sistema de informatização é caro, porque eu preciso trabalhar alguns com internet e outros com rádio e todos estarão interligados em uma central. Estamos pensando Cascavel daqui a dez, 20 anos. Nosso sistema é mais avançado do que em outros municípios. Cada unidade vai custar R$ 1.780 por mês.

Hoje - Mas a prefeitura não corre o risco de ficar refém da empresa dona do software?
Lísias - Qualquer município ficaria refém da empresa, porque o software não é vendido. A prefeitura não tem tecnologia para montar isso. Nós abrimos uma concorrência pública, em nível nacional e dissemos o que precisamos. Qualquer empresa hoje trabalha dessa maneira, com aluguel do sistema. Não tem como criar o sistema próprio. Nenhum município no Brasil tem equipe para montar um processo desses.

Hoje - O senhor chegou onde queria na Saúde?
Lísias - Nós melhoramos muito. Muita gente que pagava Unimed não paga mais, porque o sistema melhorou, hoje vai para o posto de saúde. Quanto mais eu melhorar o sistema, mais caro vai ficar a manutenção. Para eu atender a todos, os 29% aplicados hoje não serão suficientes. E quanto mais eu invisto em saúde, mais eu tiro de outra secretaria.

Hoje - O Município está cobrindo a parte que caberia ao Estado e à Federação? Não entra, aí, a questão da inexperiência política ou maneira de conduzir a administração?
Lísias - Se eu fosse um inexperiente político eu não conseguiria os 40 gabinetes dentários do deputado [Fernando] Giacobo. Se o deputado não gosta de mim, ele não me ajuda. O Samu, eu consegui do deputado Giacobo também. O Paid eu consegui sozinho. A Farmácia Popular, pela ex-deputada Clair [da Flora Martins]. Eu não tenho inexperiência política, eu digo que não faço política. Se não tivesse uma boa relação política não teria Samu, a Polícia Federal, que eu consegui trazer e os outros não conseguiram. Tecnicamente eu consegui. Hoje, em Cascavel, me batem, mas olha o que eu consegui fazer em dois anos e meio de governo. Prefeito, o senhor não tem a preocupação em ser conhecido como o pior prefeito que já passou por Cascavel? Não tenho essa preocupação.

Hoje - O senhor citou várias obras, mas sua equipe está conseguindo traduzir isso em popularidade?
Lísias - Não, porque eu não tenho essa preocupação. Minha ordem para equipe é trabalhar tecnicamente. Desculpe o termo caipira, mas “me campeia” um político na minha administração? Eu acho para você: o Vilson de Oliveira. Ache outro? Não temos políticos, porque não estou preocupado. Muitas vezes o cargo político não trabalha tecnicamente. Passando os secretários: a dra. Nerilda é ex-presidente da OAB, o dr. Antônio Linares, é ex-presidente da OAB. A secretária Rosimeri [Tomé], ela não é política. Talvez tenha sido muito prematuro colocar ela em um pleito. Isso foi erro meu. Ela é enfermeira, foi muito bem na Ação Social, coloquei ela agora no Esporte, mas ela não é política também. O [Augusto] Loyola, na Agricultura. O Cléverson Thomé coloquei na chefia de Gabinete, mas é engenheiro. E hoje se você me perguntar se vou para a reeleição, não vou para a reeleição, quero mudar a cidade. E vou mudar a cidade.

Hoje - O senhor teve decepção com a política?
Lísias - Tive e estou tendo ainda.

Hoje - Sua vida política, eleitoral, partidária, está em processo de encerramento?
Lísias - Talvez esteja.

Hoje - É definitivo?
Lísias - Não, não é. Hoje está em um processo assim. Até hoje estou sem filiação partidária. Tem coisas de bastidores que me decepcionaram bastante em relação a partidos, que eu fiquei conhecendo durante todo o processo, que eu não posso falar. Eu me decepcionei com os homens dos partidos, que não posso falar. O que conta para eles é o conchavo, a aliança, ou é vender o partido para este ou para aquele. E os homens, eu percebi, não têm caráter, não têm personalidade. A minha ideologia é o meu trabalho e esse é o problema porque eu não consigo me enquadrar nos grupos. Vejo que o sistema é complicado, tem grandes interesses. Não é coisa de R$ 200. Por exemplo: os 200 maiores devedores da prefeitura devem R$ 800 mil, R$ 1 milhão, R$ 1,7 milhão. Tem gente aqui em Cascavel que vocês não acreditam que devem, mas andam de carro importado. Mandei executar todos os devedores de Cascavel. Eu sou um rebelde com causa. Se o pobre paga, a classe média paga, o rico vai pagar também.

Hoje - O senhor se considera injustiçado?
Lísias - Eu estou injustiçado como pessoa. Eu nunca pedi um para um grande empresário dinheiro para pagar a comida que comi, para pagar um livro. Por que agora que estou aqui tenho que ir lá pedir pelo amor de Deus me proteja, me dá o seu dinheiro para fazer alguma coisa? Nunca precisei deles para chegar até aqui, por que agora tenho que pertencer a um grupo? Todo o mundo chega para mim e diz que preciso pertencer a algum grupo, por que se cheguei sem eles?

Hoje - Esses grupos lhe pressionam em busca de favorecimento?
Lísias - Eles vêm aqui e pedem: “Olha, eu quero fazer isso, você tem que me dar”. Grandes grupos de Cascavel. Mas não vou ceder. Eu não vou vender a prefeitura. Tem um jornal que abre todo dia na capa me batendo. Por que ele me bate? Nunca fiz nada contra ele.

Hoje - Por que o senhor não torna público quem é?
Lísias - Vai chegar o momento de deixar claro.

Hoje - Mas o senhor coloca toda a imprensa em dúvida...
Lísias - Vocês sabem quem são. Um chegou quando eu estava no aeroporto e disse: “Prefeito, o senhor vai trazer a Polícia Federal para Cascavel?” Vou! “Que isso prefeito, não faça isso. É besteira”. O outro me pega na rua, sem eu ter gravador, sem nada, e diz: “Prefeito, quero R$ 30 mil por mês”. Como assim? “O senhor que sabe seu futuro político, nós vamos arrebentar o senhor no pau todo dia”. “Prefeito, R$ 80 mil por mês”. Como vou provar se não tenho gravador?

Hoje - O senhor recebe muitas propostas assim da imprensa?
Lísias - Recebo de todo o mundo. “Prefeito, como é que é?” São pessoas que passaram uma vida inteira dependendo da prefeitura. E eu estou cortando isso. O dinheiro precisa ser bem aplicado. Só que não tenho gravador, não tenho prova. Já fui até na PIC (Promotoria de Investigação Criminal) para relatar esse tipo de problema, para pedir ajuda, para que isso acabe. Eu resolvi ser o prefeito que vai dizer não, porque não estou preocupado com minha vida política. Pode ser que nunca mais ganhe um voto em Cascavel, mas resolvi dizer o que é certo. Eu tenho profissão, sou médico, não preciso de política para viver. Semana passada estive conversando com um conselheiro do Tribunal de Contas e foi um empresário daqui de Cascavel, do ramo de jornalismo, que disse que se o Tribunal liberasse a certidão negativa de Cascavel, iriam se ver com ele.

Hoje - Só falta o nome, prefeito...
Lísias - Eu disse que tem um empresário que foi lá no Tribunal de Contas e ameaçou os conselheiros que, se saísse a certidão negativa para Cascavel para fazer obras, os conselheiros iriam se ver com ele. Todo esse dinheiro (R$ 18 milhões) que eu tento para fazer as coisas, alguém vai lá e puxa para trás. Pedi ajuda para a Acic, que eu tenho dinheiro, o governador liberou, mas não consigo avançar.

Hoje - E a folha de pagamento, como vai fazer para ajustar?
Lísias - Até setembro do ano passado, 60% dos gastos da prefeitura eram usados com folha de pagamento, sendo 7% para Câmara e 53% com a prefeitura. Nós estávamos gastando 47%. Mas o Tribunal [de Contas do Estado] mudou a metodologia a partir de setembro e todo o dinheiro de convênio não entrou mais como receita. O que ocorreu com a receita? Foi lá para baixo. Automaticamente de 47% nós subimos lá para cima, porque mudaram a metodologia. Aconteceu com todos os municípios. Para piorar, nós temos cerca de 500 os estagiários, que a prefeitura fornece para vários órgãos e o Ministério Público disse que nós temos que contratá-los. Isso faz com que a despesa aumente. Na Associação Nova Aliança, 500 funcionários, é a mesma coisa, temos que fazer concurso público.

Hoje - Mas não parece que todos os municípios estão sofrendo com esse problema...
Lísias - Todos estão. O governo cria programa, joga no município e depois não pode mais. Lembra da Coomtaau, na época do Edgar? Daí o Ministério Público disse que não poderia mais. O governo criou o programa da cooperativa, depois não podia mais. Depois criou a Oscip, agora não pode mais. Como vou mandar 500 funcionários embora? O governo criou uma situação para nós resolvermos. Hoje se eu mandar todos os comissionados embora não resolve o problema. Teria que mandar os concursados junto. A diferença entre os nossos municípios e os outros é que essas obras todas que falei é dinheiro que eu vou colocando. Não posso parar o Município.

Hoje - O senhor vai mandar mais gente embora?
Lísias - Já mandei embora. Nós precisamos aumentar a receita. Se eu fizer esse pessoal pagar imposto, eles devem ao Município R$ 40 milhões. Não posso mais mandar embora, estou com estrutura enxuta.

Hoje - Mas os R$ 40 milhões não vão entrar já...
Lísias - Para a minha satisfação, nisso o Judiciário está sendo muito ágil e acho que poderemos receber ainda nessa administração. Hoje tem muito empresário louco da vida comigo. Porque outros prefeitos que passaram não tiveram peito para executar. Como não estou preocupado com a reeleição, posso fazer isso. A única maneira de fazer pagar é executar. Eu não gostaria de executar ninguém, mas é a lei. Eu sou obrigado. Vou mostrar para o Tribunal de Contas que eu estou fazendo.

Hoje - Com relação às denúncias que envolvem seus secretários, a prefeitura, o senhor vai tomar alguma medida legal?
Lísias - Eu adotei um critério da minha vida para poder viver melhor. Eu não leio mais jornal. Se eu ver o jornal de manhã, vai me acabar com o dia. Muita injustiça está sendo colocada, informação errada, muitas suposições. Quando você faz um comentário em cima de uma suposição, se ela for verdadeira, mesmo assim o comentário pode ser errado. Se a suposição for falsa, qualquer comentário, é pior ainda. Qual a autorização que eu dei? Para que o Jurídico avalie e, o que for verdade, nós vamos tomar atitude, o que for mentira, vamos colocar para Justiça. O Jornal Hoje nunca me pediu um centavo. Às vezes não concordo com a linha que vocês têm lá, mas vocês nunca me pediram um centavo.

Hoje - Mas na hora de checar a informação, muitas vezes secretários e diretores não falam a mesma língua, se contradizem.
Lísias - A mesma dificuldade que vocês têm, eu também tenho. Às vezes eu converso com o diretor, com o secretário, a informação não bate. Existe a tua verdade, a minha verdade e a verdade verdadeira. É preciso fazer um contraponto. Quando houver dúvida, uma contradição, falem com o chefe do Gabinete ou comigo, porque tenho interesse em apurar. Muitas vezes o que vocês colocam no jornal para mim funciona, porque não tenho olhos na cidade inteira. Não me importo que você me corrija, desde que me mostre os problemas.

Hoje - Entre todas as obras que o senhor citou, ainda está faltando uma: o aeroporto.
Lísias - Nós estivemos na Infraero e, para fazer um novo aeroporto, vai custar R$ 40 milhões. Eles dão R$ 20 milhões e o Estado dá outros R$ 20 milhões. Esse valor não precisa ser à vista, sendo que o governo federal tem dinheiro para dar à vista. Eu já passei isso para o governo do Estado e está sendo analisado, para fazer em Espigão Azul. Mas é uma obra para dez anos.


PRINCIPAIS OBRAS REALIZADAS NA GESTÃO LÍSIAS

Revitalização da piscina térmica do Centro Esportivo Ciro Nardi
Reforma do Ginásio Sérgio Mauro Festugatto
Construção de três unidades básicas de saúde
Construção de duas novas escolas
Construção da Praça Itália
Revitalização da Feira do Pequeno Produtor
Asfaltamento em bairros
Revitalização da iluminação da Avenida Brasil
Revitalização do Estádio Olímpico
Implantação do Samu

OBRAS PREVISTAS
Teatro Municipal
Seis novos campos de futebol (verba federal)
Recape de vias públicas (R$ 4,5 milhões do Paraná Urbano)
Revitalização da Estrada Rio da Paz
Seis novas creches
Revitalização de creches
Piscina aquecida no Bairro Presidente
Revitalização da Praça Wilson Joffre
Revitalização da Praça da Bíblia
Marginais da BR-277
Parque do Lago Municipal (portal, vila, museu e orquidário)

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