Vontade
política
As Apaes
(Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais) estão
entre as instituições mais sérias no País.
Quem já precisou do serviço da entidade assegura a importância
do trabalho desenvolvido com crianças e adultos que, com a ajuda
dispensada, extrapolam seus limites e conseguem mostrar do que são
capazes, surpreendendo a todos ao seu redor.
Sem fins lucrativos e gerida pela iniciativa privada, não é
difícil encontrar uma Apae que não tenha dificuldades financeiras,
principalmente devido à grande demanda pelos seus serviços.
Em Cascavel, a entidade passa por altos e baixos, mas a situação
agravou-se este ano e mais de uma vez já foi cogitada a possibilidade
do corte no atendimento e, até, o fechamento das portas.
Desde janeiro a Apae perdeu um repasse importante da prefeitura, verba
que vem do governo federal. A razão seria uma restrição
do Suas, o Sistema Único de Assistência Social.
Não bastasse isso, a prefeitura se “adonou” de uma
verba mandada pelo senador Osmar Dias, que tinha como propósito
a compra de um ônibus para a Apae. Agora, recusou outra do também
senador Flávio Arns.
A retenção dos recursos e a demora em encontrar maneiras
para retomar o repasse mensal são difíceis de entender.
Afinal, a prefeitura não tem a menor condição de
assumir o serviço prestado pela Apae. São 605 alunos atendidos,
além de uma vasta fila de espera. Qual a dificuldade em permitir
a continuidade da entidade?
Os argumentos de falta de rubrica, impossibilidade de firmar convênios,
ou qualquer outra desculpa, não tem sentido. Bastam dois exemplos
para derrubar essas “teses”: no fim do ano a prefeitura recebeu
recursos federais para fazer a festa de Réveillon. Mesmo sem previsão
orçamentária, deu um jeito, e, inclusive, comprou o que
foi preciso sem licitação. Este mês a Câmara
aprovou, em poucos dias, um projeto de lei que autoriza a prefeitura a
firmar convênio com a Apae. Isso prova que só quando não
se quer é que as barreiras realmente existem.
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