Fim da novela?
Hoje termina o prazo dado pela Justiça para que os integrantes
da Via Campesina saiam definitivamente na fazenda experimental da multinacional
Syngenta, em Santa Tereza do Oeste. Como é o Estado quem tem o
dever de devolver a área aos donos legítimos, a multa diária
em caso de não cumprimento da determinação é
de R$ 50 mil por dia.
A invasão da Syngenta rende uma novela. Ela já foi desocupada
e depois invadida novamente. A Justiça determinou a desocupação
e até agora nada.
Nem mesmo os deputados integrantes da comissão de agricultura puderam
entrar no local, impedidos pelos sem-terra. Como se fossem os verdadeiros
donos da área, barraram a entrada dos deputados, que precisaram
negociar e depois fazer uma visita vigiada, escoltados pela polícia.
A invasão da Syngenta é política. O governador Roberto
Requião sabidamente não gosta de produtos transgênicos
e esta é a principal atividade no local, experimentos com sementes
geneticamente modificadas. Também é de conhecimento de todos
que o governador tem uma aproximação muito forte com a Via
Campesina.
Tanto que, no fim do ano passado, Requião baixou um decreto tornando
a área utilidade pública, o que motivou a segunda ocupação
dos sem-terra. A Justiça cassou a medida pouco tempo depois.
A alegação de que a Syngenta estava desrespeitando a área
de domínio no entorno do Parque Nacional do Iguaçu deixou
de ser válida a partir do momento que a distância foi diminuída
para apenas 500 metros. O que não terminou foi a invasão.
Encerra hoje o prazo para retirar os invasores do local e para cada dia
de desrespeito à ordem judicial o contribuinte paranaense terá
de arcar com as despesas de R$ 50 mil. Mas não deve ficar apenas
nisso. A Syngenta também amarga prejuízos pelo período
sem atividade, além de possível depredação
ocorrida na fazenda.
O governador Roberto Requião, para evitar um desgaste político
em torno do assunto, está de partida para o Japão. O vice
Orlando Pessuti ficou com a espinhosa missão de cumprir a desocupação.
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