E agora Lula?
Depois de enrolar a reforma ministerial por mais de três meses,
quando decidiu levar as mudanças adiantes, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva recebeu um duro golpe. Tão logo anunciou o deputado
Odílio Balbinotti (PMDB) para ocupar o Ministério da Agricultura,
choveram denúncias contra o deputado paranaense, que está
sendo investigado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
Embora Balbinotti seja da área - é o maior produtor de grãos
do País -, ficou claro que não há critério
para a escolha dos ministros, apenas indicação. O PMDB indicou,
Lula assinou embaixo. Ontem, logo após a posse de três novos
ministros, o presidente peemedebista se reuniu com Lula e jogou para ele
a responsabilidade da decisão se Balbinotti tomará posse
ou não. Para o PMDB tanto faz, o que lhe interessa é a vaga.
Se não der para Balbinotti, indica-se outro e fica tudo como está.
Para Lula fica a dor-de-cabeça e a pressão da mídia,
que até quinta-feira, data marcada para a posse de Odílio,
vai revirar a vida do novo ministro e trazer à tona tudo o que
descobrir, a exemplo do que já fez no processo que pesa contra
ele e que está sendo analisado no STF. Coisa que Lula não
se preocupou em fazer.
Fica a dúvida se nada pesa contra os demais ministros indicados
e quantos deles foram e serão nomeados por critérios técnicos
e não apenas políticos. Lula demorou demais para anunciar
a reforma para passar por esse vexame. Foi tempo mais que suficiente para
analisar nomes, debater, estudar e fazer a melhor escolha.
Diante da falta de critérios e qualidade técnica, o valor
pago para o ministros - R$ 7 mil mensais - pode não ser grande
coisa, como considerou o próprio Lula, mas está de bom tamanho
por ser tratar meramente de um cargo político.
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