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Insensatez

Senador Alvaro Dias, líder da Oposição e vice-presidente nacional do PSDB - gsadia@senado.gov.br

A divulgação do relatório da lavra do competente ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Augusto Nardes - aprovado por unanimidade por aquela Corte - revelou em preto e branco as várias facetas do caos no ar e nas áreas de embarque.
Numa exposição isenta, elaborada sob o rigor de dados eminentemente técnicos, o referido ministro do TCU concluiu: “A crise não foi obra do acaso, mas da má gestão, da sucessão de equívocos, da indolência, da incapacidade de expandir o setor e do contingenciamento de recursos”. O diagnóstico é gravíssimo, considerando que existem dúvidas sobre a eficiência operacional do sistema de controle aéreo.
A política de corte de verbas do governo federal, aplicada de forma linear e sem qualquer critério de relevância, impediu que fossem repassados R$ 522,6 milhões para o setor, no período compreendido entre os anos de 2004 e 2006. Um tresloucado contingenciamento de recursos, somado a tantos outros ingredientes fatais, capitaneados pelo desleixo gerencial, culminou na grande confusão instalada.
O menosprezo da administração do presidente Lula pela infra-estrutura pode ser dimensionado no epicentro da crise do transporte aéreo doméstico. Nesse contexto, temos a exata noção de estarmos diante apenas de episódio setorial e, como tão bem qualificou o economista Gustavo Loyola, “manifestação de uma crise muito mais profunda que ameaça toda a infra-estrutura econômica do País”.
Pelo andar da carruagem - lembrando que poderemos retornar à tração animal para trafegar nas estradas pós-operação tapa-buracos - caminhamos a passos largos para um apagão logístico. A propósito, dos R$ 2,364 milhões autorizados para a manutenção das rodovias federais no ano corrente, apenas 34,7% foram pagos (R$ 820,7 milhões).
O garrote oficial não poupa nenhuma artéria vital. Segundo a Abdib (Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base), no ano passado as seis principais agências do setor de infra-estrutura foram contingenciadas em mais de R$ 4,4 bilhões, dos R$ 5,2 bilhões previstos, ou seja, 84% do total.
Na seqüência cortante verificamos que a proposta de Lei Orçamentária para 2007 já prevê expressivo contingenciamento dos recursos destinados às três principais agências reguladoras do País. A proposta do governo prevê R$ 2,2 bilhões para a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), mas a reserva de contingência atinge R$ 1,3 bilhão (59%). O corte mais extremo ocorre no âmbito da ANP (Agência Nacional de Petróleo), cuja reserva de contingência supera 90% dos R$ 3,4 bilhões previstos.
Não hesitei em ocupar a Tribuna do Senado Federal, quarta-feira, para mais uma vez clamar ao governo que não limite investimentos em infra-estrutura. A insensatez não pode continuar sendo a bossa da gestão do presidente Lula.

Enfim, a Lei Geral

Telmo Kottwitz é presidente da Amic (Associação das Micros e Pequenas Empresas do Oeste do Paraná)

O leitor já deve ter ouvido que micros e pequenas empresas representam para a economia brasileira 98% das empresas formalmente estabelecidas, gerando 60% dos empregos formais e cerca de 20% do PIB (Produto Interno Bruto).
Já deve ter ouvido também que este segmento passa por uma série de dificuldades retratando uma realidade cada vez mais desestimulante para aqueles que vivem desses negócios. Podemos citar a alta carga tributária, burocracia para a formalização, falta de incentivo fiscal, falta de crédito, crédito não acessível e competição desleal das empresas que operam na informalidade.
A informalidade na área de MPEs (Micros e Pequenas Empresas) é um grande problema a ser resolvido para desengessar esse segmento, que em todo mundo e, destacadamente, no Brasil, é muito importante, visto serem agentes de inclusão econômica e social pelo acesso às oportunidades ocupacionais e econômicas, tornando-se sustentáculo da livre iniciativa e da democracia, sendo responsáveis pela esmagadora maioria de trabalho gerado no País.
Como mais um exemplo podemos citar que no período de 1995 a 2000 foram criadas mais de 400 mil novas microempresas, gerando 25,9% de novos postos de trabalho, correspondendo a 1,4 milhão de novos empregos, enquanto nas grandes empresas o incremento foi de apenas 0,3%, não atingindo 30 mil contratações.
É de grande relevância saber que a participação dos pequenos negócios na economia dos países serve de parâmetro para aferição do equilíbrio entre o desenvolvimento social e o econômico.
Percebendo a grande relevância das microempresas e empresas de pequeno porte, desde a década de 1980 as instituições representativas do segmento buscaram no Congresso Nacional um tratamento diferenciado. Em 1984 foi promulgada a Lei 7.256, que inseriu na sistemática jurídica brasileira a microempresa. Já em 1996 o Simples revolucionou o tratamento tributário. Por fim, houve a promulgação do Estatuto da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte, Lei 9.841, de 5 de outubro de 1999, regulamentada pelo Decreto 3.474, de 19 de maio de 2000.
Com o passar do tempo, o Simples por si só já não conseguiu impulsionar a formalização das MPEs. O Simples vem perdendo força por uma série de distorções, entre elas, a falta de atualização das faixas de enquadramento.
Finalmente, por meio da Emenda Constitucional 42, de 2003, foi acrescentado ao artigo 146 um novo tema a ser alvo de lei complementar: a definição de tratamento prevendo o cadastramento único de contribuintes e regime unificado de arrecadação de tributos. E, por fim, o projeto da Lei Geral, que amplia o faturamento anual para R$ 480 mil (microempresa) e para R$ 2,8 milhões (empresas de pequeno porte).
A partir da prática Lei Geral, serão estabelecidos os estímulos para o setor, como a introdução de um sistema mais simples e justo de pagamento de tributos, crédito facilitado, redução da burocracia e maior acesso às compras governamentais, às exportações e às novas tecnologias.

 

 

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