Uma
equação complexa
Reduzir as
taxas de juros e a carga tributária e promover o ajuste fiscal
nas contas do governo têm sido a receita ditada por economistas,
entidades empresariais e até membros do próprio poder público
para promover o crescimento econômico e, de quebra, estimular o
desenvolvimento brasileiro. A teoria parece simples, consta em livros
de economia e é até discutida em botequins.
No entanto, uma pesquisa da AMB (Associação dos Magistrados
Brasileiros) com cerca de 3 mil juízes revelou que talvez a adoção
dessas medidas seja insuficiente para que o objetivo seja alcançado.
Ao menos 90% dos magistrados consideram que a corrupção
é um obstáculo muito importante para o crescimento da nação.
A razão é simples: os recursos públicos roubados
são aqueles que iriam para a população pobre que
precisa da intervenção do estado.
Infelizmente, a redução dessa prática sequer aparece
nos pacotes de medidas anunciados pelos governos. Fala-se em cortar algum
tributo, desonerar determinados setores, incentivar as exportações
e até em aliviar o peso das contribuições trabalhistas.
Mas não há alusão a alguma medida que possa pôr
fim ao desvio do dinheiro do contribuinte.
Um fator dessa conivente omissão pode ser o terceiro item que aparece
na pesquisa dos juízes: a impunidade, atrás apenas da achincalhada
carga tributária, citada por 87% e 85% dos entrevistados, respectivamente.
O Brasil se orgulha de ter condenado o juiz Nicolau dos Santos Neto, o
Lalau, preso acusado de desviar mais de R$ 150 milhões da construção
da sede do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de São Paulo. Mas
e o dinheiro, alguém viu? O Lalau está em casa, cumprindo
prisão domiciliar em uma bela e confortável mansão.
A percepção dos magistrados é um alerta que a fórmula
para o desenvolvimento de uma nação foge das teorias econômicas,
envolve também questões de ética, compromisso, honestidade
e, principalmente, respeito ao povo brasileiro.
|