PROPOSTA
Transações comerciais serão compensadas em moedas
locais
Brasil
e Argentina não
farão negócios em dólar
O
Brasil e a Argentina desenvolvem uma proposta para deixar de utilizar
o dólar nas transações comerciais e passar a compensá-las
nas moedas locais dos dois países. O anúncio foi feito pelo
ministro da Fazenda, Guido Mantega, e pela ministra da Economia do país
vizinho, Felisa Miceli.
Mantega afirmou que o projeto está em elaboração
pela equipe técnica do Banco Central e será apresentada
aos presidentes dos dois países em dezembro, durante reunião
de líderes do Mercosul. O sistema começará a funcionar
em 2007 e a idéia é de que no futuro os demais países
do bloco adotem o novo modelo.
Pelo novo sistema, os bancos centrais dos dois países fariam a
compensação diária das operações de
comércio exterior. Ficariam responsáveis por fechar o câmbio
do dia e devolver o saldo das transações, em dólar,
ao país que vender mais ao outro. Só o saldo é que
seria convertido na moeda norte-americana. O exportador brasileiro receberá
aqui em pesos e converterá os recursos para reais. O importador,
por sua vez, pagará lá em pesos e os trocará aqui
para reais.
De acordo com o ministro, a proposta reduz o fluxo de dólares nos
dois países e ajudará a conter a valorização
tanto do peso como do real. “Vai haver impacto no câmbio quando
isso for posto em prática porque vai evitar a entrada e saída
[de dólares]”.
A medida precisa da aprovação pelo Congresso, pois altera
a legislação cambial. O ministro acredita que a proposta
não encontrará dificuldades em ser aprovada, pois “é
uma medida de caráter técnico, que vai beneficiar os países
independentemente de qual for o governo”.
CARNE
Receita com exportações atinge recorde histórico
Nos
oito primeiros meses de 2006, os exportadores brasileiros enviaram para
o mercado internacional 780,342 mil toneladas de carne bovina in natura,
volume 0,32% menor que o exportado no mesmo intervalo de 2005, quando
o resultado somou 782,887 mil toneladas.
Apesar disso, este é o segundo maior desempenho da série
histórica de 2000 a 2006 para o período de janeiro a agosto,
perdendo apenas para 2005, que continua com o melhor resultado. Também
é importante destacar que na análise desses últimos
sete anos, as vendas internacionais de carne bovina in natura pelo Brasil
passaram de 130,094 mil toneladas para 780,342 mil toneladas, ou seja,
seis vezes mais.
O faturamento dos exportadores chegou a US$ 1,925 bilhão nos oito
primeiros meses de 2006, avanço de 11,78% frente ao mesmo período
do ano passado, de US$ 1,722 bilhão, configurando-se como mais
um recorde histórico.
US$ 32 MILHÕES
Petroleiras pagam adicional à Bolívia
A
Petrobras e suas parceiras nos campos de gás San Alberto e San
Antonio depositaram US$ 32 milhões ao governo boliviano para o
pagamento de um imposto adicional de 32%, criado em maio. O valor refere-se
à primeira de cinco parcelas previstas, que totalizam pouco mais
de US$ 160 milhões. Os recursos serão usados para capitalizar
a estatal local YPFB, atualmente sem dinheiro para assumir o controle
do mercado boliviano de petróleo e gás.
A nova taxa foi estabelecida pelo decreto de nacionalização
do setor de petróleo na Bolívia e incide apenas sobre a
produção dos dois campos operados pela Petrobras. Isso ocorre
porque o decreto limitou a nova cobrança a campos com produção
superior a 3 milhões de m³ por dia - San Alberto e San Antonio
produzem 8 milhões e 11 milhões de m³ por dia, respectivamente
-. Com o novo imposto, a carga tributária sobre os campos chegou
a 82% da receita.
MERCOSUL
Os
países do Mercosul chegaram a um acordo para adotar uma posição
comum durante a próxima reunião do FMI (Fundo Monetário
Internacional) em Cingapura, onde será votado um pacote de reformas
do organismo.
Em reunião no Rio do Janeiro, os ministros decidiram também
propor que o Fundo desenvolva “linhas [de crédito] de contingenciamento
de utilização automática” sem impor condições,
disse a ministra de Economia da Argentina, Felisa Miceli.
Sobre a posição comum do Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai
e Venezuela ante o FMI, a idéia é conseguir a aprovação
da primeira etapa de reformas, “sempre e quando as definições
dos parâmetros e metodologia para a segunda etapa fiquem consolidadas”.
Em Cingapura, o Fundo Monetário Internacional votará reformas
que prevêem a reestruturação de seu capital e a participação
dos países membros.
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