PRAÇA DO MIGRANTE
Vereador aguarda há 30 dias resposta da prefeitura
Falta de manutenção
compromete chafariz
A administração municipal de Cascavel anunciou há
dois meses que desativaria o chafariz da Praça do Migrante devido
a falhas no sistema de impermeabilização e contrataria uma
perícia técnica independente para avaliar os motivos da
infiltração. A demora na solução do problema
agrava a situação, alerta Tancredo Carlos Moriggi, proprietário
da empresa Moriggi Impermeabilizações Ltda, que trabalho
no local.
O secretário de Meio Ambiente, Leopoldo Fiewski, disse que um técnico
fará a perícia no local, mas não informou quem é
o profissional nem a data para início do trabalho de recuperação.
O vereador Jorge Lauxen enviou ofício à prefeitura solicitando
informações sobre o desligamento do chafariz há cerca
de 30 dias. “Até agora não recebi informação
alguma. No meu entender ele só não está funcionando
porque foi outro prefeito que executou a obra”, alega.
Ele conta que recebeu vários e-mails de pessoas reclamando do desligamento
do chafariz e questiona a falta de bandeiras dos mastros. “Do jeito
que está voltaremos ao tempo em que os adolescentes andavam de
skate naquele lugar”, afirma.
Tancredo Moriggi, responsável pela colocação da manta
asfáltica que vedou a estrutura de concreto do chafariz, disse
que enviou à Secretaria de Meio Ambiente há cerca de 30
dias um relatório informando os motivos da infiltração
e reafirmando que fará a impermeabilização novamente
sem custos para a administração municipal. “O secretário
pediu que eu fizesse o relatório. Até agora não me
procuraram. Preciso que esvaziem e limpem o chafariz para podermos executar
o trabalho. O problema é fácil de resolver”, afirma.
MAL-INFORMADOS
Vereadores desconheciam problema
Todos os vereadores disseram que enviarão pedidos de informação
à Secretaria do Meio Ambiente sobre a demora na execução
da perícia e na manutenção do chafariz da Praça
do Migrante, mas somente os vereadores Jorge Lauxen e Soni Lorenzi admitiram
conhecimento do problema.
Os demais revelaram que não sabiam da situação, mas
garantiram que estariam se inteirando do assunto e fazendo visitas ao
local para averiguar a gravidade da infiltração e o comprometimento
da estrutura do monumento.
O promotor de Justiça, Carlos Alberto Choinski, ressalta que não
cabe ao Ministério Público ficar fiscalizando se a prefeitura
realiza manutenção no patrimônio do Município.
“A fiscalização direta sobre o zelo desses locais
é função da Câmara de Vereadores”, explica.
INDIGNAÇÃO
Comunidade quer solução
As pessoas que freqüentam a Praça do Migrante ou trabalham
próximo ao local reclamam da falta de atuação da
administração municipal na recuperação do
monumento. “Deveriam arrumar o mais rápido possível,
para não ficar pior”, recomenda a doméstica Vera Lúcia
da Silva.
Para Sérgio Ferreira Porto, prestador de serviços, o local
é um cartão-postal, que deve ser reformado. “Como
ele é uma das primeiras coisas que as pessoas vêem quando
entram na cidade, deveria ser arrumado, para que o visitante tenha uma
paisagem bonita entre as duas pistas da avenida”, opina.
A falta de manutenção do chafariz é considerada uma
“má utilização do dinheiro público”,
para o prestador de serviços Claudinei Rico. “A água
tem cheiro ruim, existe lixo e falta iluminação. Esse lugar
está sendo utilizado até por viciados em drogas”,
lamenta Sebastião Raim.
FOTOPERSONAGEM:
“Depois fica mais difícil de arrumar”
Vera Lúcia da Silva, doméstica
“O chafariz é um cartão-postal da cidade”
Sérgio Ferreira Porto, chapa
EDUCAÇÃO
Feras contagiam Centro de Cascavel com arte e alegria
Mais de 3 mil estudantes da região oeste do Paraná contagiaram
o Centro de Cascavel ontem, com o desfile de abertura do Fera (Festival
de Arte da Rede Estudantil). Apesar de a chuva não ter atrapalhado,
coordenadores e professores optaram por desfile em comboio, mas não
reduziu a animação da garotada.
Para as amigas Karla Letícia Wuerges, Kamila Kallmayer e Evelyn
Cristina Lima, de Matelândia, o evento oportuniza ótimas
experiências no âmbito da arte. “Adoro arte e podemos
participar de diversas oficinas e atividades”, declara Karla.
Para ela, essa é uma forma de entretenimento e oportunidade de
conhecer outra cidade e ainda paquerar. Karla e as amigas farão
apresentações de dança. “É a segunda
vez que participamos do Fera”, revelam.
Para Thiago da Silva, de Foz do Iguaçu, que apresentará
a arte circense, o evento é ótimo para o desenvolvimento
da cultura. “O desfile também foi legal para conhecermos
a cidade”, avalia.
FOTOPERSONAGEM:
“Foi bem divertido o desfile”
Alex Souza Renostro, de Matelândia
ESTIAGEM
Defesa Civil alerta para vendavais e granizo na região
Chuvas ajudam agricultura
e aliviam o abastecimento
As chuvas que atingiram o oeste e sudoeste do Paraná na manhã
e parte da tarde de ontem amenizaram os problemas na agricultura, segundo
a economista do Deral (Departamento de Economia Rural) Jovir Esser. A
precipitação ajudou também a normalizar o fornecimento
de água em Medianeira, onde o racionamento fora implantado pela
Sanepar sexta-feira. A empresa não descarta retomar o rodízio.
De acordo com o Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná),
as chuvas devem continuar até manhã à tarde, em virtude
de uma frente fria vinda do Paraguai e norte do Rio Grande do Sul, que
causa chuvas também por todo o Paraná.
A economista do Deral informa que até a tarde de ontem o volume
de chuvas em Cascavel era de 20 milímetros, quantidade suficiente
para ajudar as culturas do trigo, fumo, mandioca e aveia, hortifrutigranjeiros
e pastagens em geral, da cultura de Verão do feijão das
águas e também a preparar a terra para a safra de Verão
do milho, que começa a ser plantado em setembro.
A economista explica que a estiagem prejudicou a germinação
do trigo e que 50% da produção está suscetível
a perda caso as chuvas não se prolonguem. Para que a situação
das lavouras de grãos se normalize, Jovir estima que sejam necessários
mais 50 milímetros de água.
Já para que a pecuária tenha melhores resultados a economista
afirma que é necessário um volume maior de chuvas. “O
principal agravante são os mananciais, rios e poços artesianos,
que estão sendo extremamente comprometidos com a seca. A pecuária
demanda muita água e precisa que essas fontes sejam recuperadas”.
Outro problema, segundo Jovir, é o alerta para a possibilidade
de vendavais e granizo para os próximos dias, comunicado pela Secretaria
de Defesa Civil do Paraná.
VALE-PEDÁGIO
ANTT fiscaliza e multa embarcadores
A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) realiza até
sexta-feira, das 8h às 17h, uma fiscalização do vale-pedágio
no posto da PRF (Polícia Rodoviária Federal), no KM 581
da BR-277, saída para Curitiba, em Cascavel.
“Estaremos parando todos os caminhões carregados, independente
do produto transportado. As empresas têm por obrigação
fornecer o vale-pedágio aos motoristas, sob o risco de serem multadas”,
explica o gerente executivo da ANTT, Francisco Rocha Neto.
Edson Nicolau, um dos motoristas abordados pelos fiscais, realiza viagens
em estradas pedagiadas até quatro vezes por semana. Em cada viagem
passa por quatro pedágios, que custa R$ 25, em média. “Nenhuma
empresa fornece o vale. Acaba sendo uma condição para o
frete, recebemos a carga, mas pagamos a tarifa”. E completa: “Não
dá para aumentar o valor do transporte para englobar a taxa, pois,
senão, perdemos o trabalho”.
O motorista Paulo José dos Santos reforça a situação
complicada: “Os últimos anos estão sendo os piores.
Pedimos estradas, o governo federal não dá, pedimos segurança,
também não, pedimos para aumentar o valor do frete, nem
pensar. E ainda temos de pagar o pedágio. Logo não haverá
outra forma a não ser parar de trabalhar”.
Natalin Pereira dos Santos é motorista há 12 anos e confessa
que está cada vez mais difícil. “Aumenta o valor e
o número de impostos, mas o preço do frete diminui”.
A fiscalização está sendo realizada por dez técnicos
da ANTT de Brasília e de Porto Alegre. O valor da multa ao embarcador
na falta do vale-pedágio é de R$ 550.
IMPECILHO
A falta de um convênio entre o governo do Estado e a ANTT impede
que a fiscalização ocorra diariamente pela Polícia
Rodoviária Estadual. “O governador Roberto Requião
é contra o pedágio e, pelo que parece, não quis assinar
o convênio, pois daria a entender que estaria aceitando a cobrança”,
afirma a assessora de comunicação da Fenacam (Federação
Interestadual dos Transportadores Rodoviários Autônomos de
Bens), Joice Hasselmann.
FOTOPERSONAGENS:
“Não tem como elevar o valor do frete”
Edson Nicolau, motorista
“No Brasil, tem gente mandando demais”
Paulo José dos Santos
“Está cada vez mais difícil”
Natalin Pereira dos Santos, motorista
TELEMARKETING
Apae lança campanha
Um Abraço Especial
A campanha Um Abraço Especial, da Apae (Associação
de Pais e Amigos dos Excepcionais), de Cascavel, será lançada
hoje, às 19h, no auditório da Acic (Associação
Comercial e Industrial de Cascavel). O objetivo do programa é modificar
a maneira com que a Apae recebe as contribuições. “Pretendemos,
a partir de setembro, contar com o serviço de telemarketing. Ligaremos
para empresas e pessoas físicas pedindo contribuições
mensais e efetivas”, esclarece o voluntário e coordenador
da campanha, Alexandro Chaves.
Ele explica que a idéia é centralizar a contribuição,
assim como a Uopeccan (União Oeste Paranaense de Estudo e Combate
ao Câncer) trabalha, por exemplo. “Contar com o serviço
de telemarketing e com essa campanha são formas de resgatar a imagem
da instituição, que está desgastada na sociedade.
Pretendemos alavancar o caixa da Apae. Queremos parar de incomodar tanto
e começar a pedir orçamentos possíveis, descontos
especiais que as empresas possam fazer para a nossa entidade, por exemplo,
e não doações”, acrescenta Alexandro.
As contribuições poderão ser feitas por meio de débitos
automáticos. “Faremos contato uma vez por ano e não
todo mês”, destaca.
Eventos
Vários eventos já estão agendados para a divulgação
da campanha Um Abraço Especial. A Semana do Excepcional, que será
do dia 21 a 28, reunirá professores da Apae, que visitarão
escolas públicas, levarão folhetos informativos e falarão
para os adolescentes sobre as causas e como evitar o nascimento de crianças
deficientes.
Dia 12 de setembro, Valdir Bündchen, empresário e pai da modelo
Gisele Bündchen, virá a Cascavel palestrar para empresários
e acadêmicos de Administração.
No dia 17 de setembro o evento será em frente à Catedral
Nossa Senhora Aparecida, com apresentações de artistas regionais.
PADRINHO AFETIVO
O programa atende hoje a 22 das 100 crianças que estão em
abrigos de Cascavel
Aos três anos, baixa adesão marca projeto
O Projeto Padrinho Afetivo, criado para oferecer assistência moral
e afetiva às crianças com mais de quatro anos e que aguardam
em abrigos a oportunidade de serem adotadas, completa hoje três
anos de existência em Cascavel. Embora seja reconhecido e respeitado,
registra baixa adesão.
Atualmente 22 crianças do Recanto da Criança e do Lar dos
Bebês são apadrinhadas, mas mais de 100 poderiam ser atendidas
pelo projeto. Segundo o juiz da Vara da Infância e Juventude de
Cascavel, Sérgio Luiz Kreuz, faltam padrinhos. “Sempre esperamos
atender a todas. Já passaram mais de 70 crianças pelo projeto,
dessas, 40 foram adotadas e algumas voltaram para a família de
origem, mas gostaríamos de oportunizar a experiência a todas”,
conta.
Ele observa que não há custo para ser padrinho afetivo.
“Não envolve dinheiro. Basta tempo e disposição
de dar afeto e carinho a uma criança”, destaca Sérgio.
Apesar do número reduzido de crianças atendidas, o magistrado
afirma que o projeto tem dado muito certo. “Tanto que outras cidades,
como Curitiba, Corbélia e Ubiratã, estão estudando
para desenvolverem programas semelhantes ao nosso”, revela.
Objetivos
O padrinho afetivo é encarregado de oferecer às crianças
apenas amor. “Ele pode visitar a criança no abrigo, acompanhar
seu desempenho escolar, passear nos fins de semana, entre diversas outras
coisas. Pode até contribuir financeiramente, mas esse não
é o objetivo. O importante é o comprometimento”, esclarece
Sérgio Kreuz.
A coordenadora do Lar dos Bebês, Rosângela Lewandovski, afirma
que essa é uma forma de elas conhecerem a rotina de uma família.
“Bem diferente do que estavam acostumadas”, observa.
A assistente social da Vara da Infância e Juventude Daisy Napoli
Martins complementa: “Com o Padrinho Afetivo, as crianças
têm um referencial de família mais saudável. Elas
vêem que pode existir amor, paz e união em um lar”.
Assim como qualquer projeto, o Padrinho Afetivo já passou por problemas,
mas, segundo o juiz, são irrisórios diante das vantagens.
“Não existe projeto perfeito, mas esses problemas são
insignificantes. E o curioso é que, normalmente, os problemas vêm
por parte dos padrinhos, não das crianças. Mesmo assim todos
foram superados”, reforça.
SAIBA MAIS
Como fazer parte do programa
Quem deseja ser padrinho afetivo deve ir até a Vara da Infância,
no Fórum de Cascavel, e falar com a equipe do SAE (Serviço
Auxiliar da Infância e Juventude), levar cópia dos documentos
pessoais, comprovante de residência, uma foto da família
e preencher a ficha de inscrição.
Após os cadastramentos, os candidatos recebem uma visita domiciliar
e avaliação. “Uma equipe formada por pedagogos, psicólogos,
assistentes sociais, professores, entre outros, ficará responsável
pela orientação e treinamento dos padrinhos”, comenta
a assistente social Daisy Napoli Martins.
Os padrinhos devem ficar cientes de que participar do projeto não
é uma forma de adotar a criança nem de antecipar a adoção.
Para apadrinhar uma criança a pessoa não pode estar na lista
de adoção. “Adoção é uma coisa,
apadrinhamento é outra”, enfatiza Kreuz.
Mais informações pelo telefone (45) 3321-1229.
Uma troca de amor
O advogado José Roselano Moretto e a esposa Idésia apadrinharam
um menino de seis anos, abrigado no Recanto da Criança há
dois. “Começamos a participar do programa para prestar nosso
papel social. Apesar de o objetivo é darmos carinho, recebemos
muito mais do que damos. A companhia dele é maravilhosa”,
conta Roselano.
O casal batizou o menino na Igreja e agora são padrinhos cristãos
também. “Ele já viajou conosco para a praia no fim
do ano. Foi muito legal”, diz Roselano e Idésia, que têm
dois filhos, um de 22 e outro de 17. “A família toda abraçou
o apadrinhamento. Estamos deslumbrados”, confessam.
Eles são da primeira turma de padrinhos afetivos e já apadrinharam
uma menina, que hoje mora em Roma, adotada por um casal de italianos.
“No começo ela nem podia me ver porque tinha sido violentada.
Com o tempo, passou a brincar comigo normalmente. O Padrinho Afetivo é
uma forma de fazer com que essas crianças aceitem melhor a adoção.
Elas sabem que estamos aqui e nos tornamos um ponto de referência”,
analisa Roselano.
Ele confessa que chorou antes de entregar a criança para a adoção.
“Mas de felicidade, de poder ter ajudado”, acrescenta.
Para Idésia, o reconhecimento dessas crianças é muito
grande. “Mesmo fazendo tão pouco, elas reconhecem tudo que
fazemos. Nunca passou pela minha cabeça em adotar meus afilhados,
pois o objetivo é ajudar, e, se eu adotasse uma criança,
provavelmente não voltaria mais lá e, se assim ocorresse
com todos, o projeto morreria”, observa.
Acompanhamento
Segundo o juiz Sérgio Kreuz, o projeto Padrinho Afetivo atende
as crianças que mais precisam de carinho, aquelas com mais de quatro
anos. “Elas já entendem e precisam mais de carinho”,
argumenta.
Ele conta que há uma preparação da criança
e dos padrinhos. “Essas crianças passam a ter um desenvolvimento
maior, um estímulo”, observa.
O psicólogo Eduardo Alexandre Ribeiro da Silva explica que um profissional
da área pode, no andamento do projeto, avaliar o envolvimento da
criança com os padrinhos. “Se o psicólogo detectar
que essa criança sente rejeição, aí pode ser
trabalhado esse sentimento. É preciso avaliar as crianças
para encaminhar aquelas que têm condições de participar
do programa”, destaca Eduardo.
No entanto, ainda não há esse trabalho efetivo. “A
equipe acompanha os padrinhos. Já pensamos no acompanhamento para
as crianças, mas é difícil porque teria de haver
mais voluntários”, esclarece a irmã Ana Maria Geraldi.
Eduardo comenta que o projeto pode gerar expectativas na criança.
“O ideal seria ter dois programas. O Padrinho Afetivo que proporcione
a convivência familiar, que já existe, e outro em que a família
pudesse adotar a criança”, sugere Eduardo.
|