Só um perdedor
Pode-se dizer que a campanha eleitoral começa a ganhar corpo a
partir de agora, com o início do horário eleitoral gratuito
no rádio e na televisão, cujos especialistas apontam ser
o fiel da balança na hora de definir o voto.
Mas o primeiro dia, não se deixe enganar, foi apenas para apresentações
e formalidades. Nenhum dos presidenciáveis partiu para o ataque,
não houve insultos nem comparações. A situação
tende a mudar a partir dos próximos programas. Essa também
deve ser a tendência dos candidatos ao governo, a partir de hoje.
Mas em um aspecto a imprensa nacional e os especialistas políticos
concordaram: neste momento em que a campanha eleitoral dá um passo
mais forte para conquistar a preferência do eleitor, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva fez um gol contra.
Não foi pelo seu desempenho no horário eleitoral gratuito,
mas sim a sua decisão de não participar dos debates eleitorais.
É um direito que o presidente tem, mas não é uma
atitude inteligente. No primeiro debate, exibido segunda-feira à
noite na Rede Bandeirantes, não houve um vencedor, mas teve um
perdedor: Lula.
Em primeiro lugar porque ele perdeu uma excelente oportunidade de apresentar
as suas propostas. Depois porque perdeu o respeito dos demais concorrentes
ao ignorar o confronto direto. Foi alvo de chacota até dos candidatos
nanicos. José Eymael (PSDC), por exemplo, que não passa
de 1% das intenções de voto disse que “o presidente
nunca viu nada, nunca soube de nada. Talvez não soubesse que hoje
[segunda-feira] tinha debate”.
Também foi um desrespeito ao eleitor. Lula lidera as pesquisas
em todo o País e as simulações apontam para uma vitória
no primeiro turno. Os seus eleitores gostariam de ouvir o que ele prepara
para o segundo mandato. Ainda deixou a oportunidade para que os concorrentes
o chamassem de arrogante e ao mesmo tempo covarde por fugir do debate.
É o início real da campanha eleitoral e o alvo, pelo menos
dos presidenciáveis já tem nome: Lula.
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