CUIDADOS – Até 2010, 300 milhões terão
problema com o peso na infância
Criança obesa é sinal de problema
Recentemente, o Brasil se espantou com a notícia da mãe
pernambucana que, por pouco, perdeu a guarda do filho de oito anos, porque
o menino estava gordo. É isso mesmo. A criança pesa 68 quilos
e, pela OMS (Organização Mundial de Saúde), é
considerada obesa. A mãe foi denunciada pelo próprio pai
do garoto, que alega negligência pela parte materna. Casos semelhantes
vêm acontecendo em outras partes do mundo. Na Inglaterra, o serviço
social do país tentou tirar a guarda de Connor McCreaddie, também
de oito anos, de sua mãe. O motivo: o garoto estava pesando quase
90 quilos.
O órgão público alegava que a mãe era incapaz
de controlar a dieta do filho, colocando a vida da criança em risco.
Com os quilos extras, Connor não consegue se vestir, perde o ar
com freqüência e tem ânsias.
As crianças ainda continuam sob os cuidados das respectivas mães.
Mas tanto lá como aqui, o ocorrido causou polêmica e serviu
para colocar novamente em discussão uma tendência mundial,
de proporções assustadoras. A obesidade infantil já
atinge 155 milhões de crianças, segundo dados da IOTF (International
Obesity Taskforce), entidade que estuda meios para combater a obesidade
mundial.
No Brasil, passa de 25% a parcela de crianças fora do peso. Os
números preocupam ainda mais, quando se percebe que há 10
anos a incidência de obesidade infantil era muito baixa.
"Não chegava nem à metade dos índices atuais",
conta o endocrinologista Durval Damiani, chefe da unidade de endocrinologia
pediátrica do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas
de São Paulo. E o pior: a proporção deve aumentar.
Estimativas da IOTF mostram que até 2010, 300 milhões de
crianças sofrerão com o mal.
BOXX
Doença multifatorial
Há várias causas para explicar esse surto de gordinhos pelo
planeta: alterações genéticas, hereditariedade, má
alimentação, sedentarismo e até fatores emocionais.
Mas os especialistas são unânimes em apontar o atual comportamento
infantil como o grande vilão. "Antigamente, a criança
ia à escola a pé, brincava na rua, corria. Além disso,
refrigerante na mesa era raro", afirma a pediatra Gelsomina Colarusso,
do Hospital e Maternidade São Luiz, de São Paulo.
BOXX
Saiba o peso ideal do seu filho
Para saber se uma criança gordinha está no grupo de risco,
ou seja, com sobrepeso ou se é obesa, siga as instruções
a seguir e faça uma continha bem simples:
Divida o peso real da criança pelo peso ideal (como consta na tabela
a seguir). Depois, multiplique o resultado por 100. Exemplo: peso real
(20 kg) / pelo peso ideal (16 kg) = 1,25 x 100 = 125.
Se o valor estiver entre 110 e 120, seu filho está na faixa de
sobrepeso. Acima de 120, ele já é considerado obeso. Em
ambos os casos, é preciso buscar ajuda especializada.
Cardápio rico em calorias
Ao entrar em um supermercado, fica fácil constatar como os produtos
calóricos estão acessíveis. Há pacotes de
bolachas recheadas custando menos de R$ 1. Salgadinhos, então,
é possível encontrá-los por R$ 0,50. "São
alimentos altamente calóricos, com muito carboidrato e gordura",
alerta a endocrinologista paulista Zuleika Halpern, representante do departamento
de obesidade infantil da Associação Brasileira para o Estudo
da Obesidade e Síndrome Metabólica. Para o Ministério
da Saúde, o Brasil está passando por um período de
transição nutricional. Trata-se do abandono de hábitos
alimentares saudáveis (o consumo de frutas, verduras e cereais),
e da adoção de uma dieta pobre nutricionalmente, rica em
sal, açúcar, gorduras e poucas fibras.
O que se vê é uma inversão. Enquanto os produtos saudáveis
estão mais caros, os prejudiciais ficam mais baratos. "Isso
faz com que as crianças tenham acesso a esses alimentos todos os
dias", diz o pediatra e nutrólogo Carlos Alberto Almeida,
de Ribeirão Preto, autor do livro De fofinho a Gordinho (Editora
Funpec) e membro da Associação Brasileira de Nutrologia.
BOXX
PROBLEMAS COM O PESO
Emocionais
As crianças e adolescentes estão em plena formação
de sua personalidade, e os impactos emocionais o acompanharão por
toda a vida. Obesos são motivo de gozação pelos colegas
e são excluídos das brincadeiras. A criança passa
a se sentir uma perdedora, não tem vontade de sair de casa, não
gosta da imagem que vê no espelho e pode até desenvolver
depressão.
Diabetes
O aumento de peso provoca alterações na insulina, que controla
as concentrações de açúcar no sangue. Cerca
de 50% das crianças obesas desenvolvem diabetes, caso não
procurem um tratamento rapidamente.
Cardiovasculares
A coração incha e fica saturado pelo excesso de gorduras.
A pressão alta pode afetar crianças gordinhas, e isso aumenta
as chances de infarto. Mais de 25% dos pacientes que permanecem obesos,
por sete anos, desenvolvem algum problema cardiovascular.
Colesterol
O excesso desse tipo de gordura na corrente sangüínea é
cada vez mais comum nas crianças obesas a partir dos cinco anos
de idade. Esse acúmulo favorece a formação de placas
nas artérias, aumentando as chances de doenças cardíacas
e derrame cerebral antes dos 30 anos.
Varizes
O excesso de gordura dificulta a circulação sangüínea.
Crianças obesas têm quatro vezes mais chances de ter esses
males quando adultos.
Ortopédicos
As crianças obesas apresentam pés planos e alterações
nas curvaturas dos joelhos, pernas e tornozelos provocadas pelo excesso
de peso. Se não tratados adequadamente, podem acompanhar a pessoa
pelo resto da vida. Os desvios na coluna são comuns.
FONTE: REVISTA VIVA SAÚDE
|