| DEMOCRATAS – Encontro reuniu mais de 200 militantes
Princípios não mudam
com alteração de nome
Cerca de 200 integrantes do DEM (Democratas), antigo PFL, participaram
ontem em Cascavel do primeiro encontro regional desde a mudança
de nomenclatura. O deputado federal Eduardo Sciarra, vice-presidente nacional
para assuntos econômicos do partido, disse que “mudou o nome,
mas os princípios do partido continuam os mesmos”.
No encontro, Sciarra passou algumas recomendações aos filiados,
como o processo para composição das comissões provisórias
e as prioridades do partido visando as eleições do próximo
ano.
O deputado lembrou ainda sobre a decisão do TSE (Tribunal Superior
Eleitoral), atendendo a uma consulta do então PFL, sobre a fidelidade
partidária. Com base nisso, o DEM vai pedir de volta os cargos
na Câmara Federal e Assembléia Legislativa. Quando aos vereadores,
Sciarra disse que será estudado cada caso antes de tomar uma decisão.
No papel de oposição, Sciarra ainda teceu duras críticas
ao governo federal no quis respeito à carga tributária e
o controle que exerce na Câmara por meio da base governista. “Fica
difícil você criar uma agenda de trabalho com o presidente
governando com medidas provisórias. O Congresso precisa andar de
forma independente, mas não é o acontece hoje”.
O deputado criticou a carga tributária e lembrou que os empresários
não absorvem mais a cobrança. “Tributamos e gastamos
como ricos, mas vivemos como pobres. O governo arrecada cada vez mais
para sustentar a sua estrutura inchada”.
Os municípios têm prazo até 30 de abril para informar
a composição das comissões provisórias.
TENTATIVA – Alvo principal do presidente são os tucanos
Lula vai usar recursos do
PAC para atrair oposição
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai usar recursos do PAC
(Programa de Aceleração do Crescimento) para se aproximar
de governadores e prefeitos de partidos da oposição, principalmente
do PSDB. O governo reservou R$ 12 bilhões do PAC para investir
nos próximos quatro anos, em todo o País, em obras de urbanização
de favelas e saneamento. Na primeira etapa, dará prioridade à
liberação de verbas para o eixo formado por São Paulo,
Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Paulo Bernardo (Planejamento)
reuniram-se com secretários do governador de São Paulo,
José Serra (PSDB), e com 20 prefeitos do interior paulista, no
Planalto. Serra reivindicou - e conseguiu - R$ 1 bilhão por ano
(R$ 4 bilhões no total), a fundo perdido, para projetos de saneamento
e habitação, alguns deles na região das Represas
de Guarapiranga e Billings.
Os encontros de Dilma e Bernardo com os governadores de Minas, Aécio
Neves (PSDB), e do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), devem ocorrer nas
próximas semanas. “Deixamos claro, nessas reuniões,
que não queremos pulverização de recursos, mas, sim,
soluções definitivas para os problemas”, disse Bernardo.
O ministro negou que o financiamento de obras do PAC obedeça a
uma calculada estratégia de aproximação do Planalto
com tucanos e até integrantes do DEM. “Isso não é
estratégia: é obrigação”, afirmou. “O
presidente tem reiterado que não é para discutir liberação
de verba em função do partido do governador ou do prefeito.”
PUBLICIDADE
Governo vai gastar R$ 140 milhões
O governo federal vai centralizar suas campanhas publicitárias
neste ano em quatro grandes eixos: o PAC, o Plano de Desenvolvimento da
Educação, o PAC Social e a segurança pública.
Para tais campanhas serão destinados R$ 140 milhões, de
acordo como ministro da Comunicação de Governo, Franklin
Martins.
Toda a propaganda vai procurar falar diretamente ao cidadão, tentando
não só convencê-lo de que as iniciativas do governo
buscam o bem-estar de todos, o crescimento econômico, a melhoria
da educação e da segurança pública, mas também
de que é muito importante que tenha participação
ativa no processo. Seja fiscalizando o andamento de obras, seja exigindo
as melhorias das condições de educação e de
segurança.
Na parte do chamado PAC social os técnicos do governo ainda estão
planejando as peças publicitárias. Quanto à segurança,
o governo vai procurar também chamar a atenção do
cidadão para alguns cuidados que ele pode tomar e que o ajudarão
a buscar uma vida mais segura. Entre eles, pequenos hábitos do
dia-a-dia, como o de, ao chegar em casa, observar se não há
ninguém suspeito por perto, não deixar o carro parado em
locais ermos e escuros e não exibir ostensivamente objetos valiosos.
CRISE
Empresária denuncia “mensalão” na Infraero
Não se trata apenas de mais uma auditoria do TCU (Tribunal de
Contas da União). Desta vez, uma vasta documentação,
que inclui contratos, cópias de recibos, depósitos bancários
e arquivos de computador está em poder da PF (Polícia Federal)
do Paraná e comprova que dentro da Infraero há anos existe
um milionário “mensalão”. Os documentos foram
entregues pela empresária Sílvia Pfeiffer, e pode ser o
fio da meada para explicar por que o TCU tem encontrado tanto superfaturamento
e licitações irregulares na contabilidade da estatal. A
empresária de 47 anos trabalha há 20 com obras e veiculação
de publicidade nos aeroportos brasileiros e sua empresa financiou parte
do tal “mensalão”. Mais do que relatar sua história
e entregar documentos para a PF, Sílvia está disposta a
comparecer a uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito)
para detalhar tudo o que sabe. São revelações importantes
que envolvem até um amigo pessoal do presidente Lula: o empresário
Walter Sâmara, também do Paraná. Ele freqüenta
os churrascos do presidente, cruza o Brasil a bordo de seu próprio
avião e teria recomendado a Sílvia que procurasse uma secretária
de Lula para tratar sobre dinheiro para o PT. Econômico em palavras,
o superintendente da PF no Paraná, delegado Jaber Saadi, tem plena
ciência do teor explosivo do material que tem em mãos e,
talvez por isso mesmo, limita-se a confirmar o recebimento dos documentos.
“Mandei instaurar inquérito”, diz.
A matéria estampa as páginas da revista IstoÉ que
chegou às bancas ontem.
Em sua “notícia-crime” à PF, Sílvia revela
que seus contratos no Aeroporto Affonso Pena, em Curitiba, foram obtidos
à custa do pagamento de uma mesada aos diretores da Infraero. Na
verdade, uma propina mensal que a empresa dela paga religiosamente desde
2003. Às vezes, depósitos em dinheiro que chegam a até
R$ 20 mil nas contas correntes de parentes dos diretores. Outras vezes,
automóveis. Essa é a contrapartida exigida para contratar
os serviços da empresa de Sílvia, a Aeromídia, no
aeroporto. A propina, no entanto, não se limita ao aeroporto de
Curitiba. A Aeromídia atua em vários Estados e em todos
o esquema é semelhante. Em Brasília, por exemplo, a Infraero
criou uma situação irregular para veicular, com a intermediação
da Aeromídia, anúncios feitos pelo publicitário Duda
Mendonça, marqueteiro da primeira campanha de Lula, para uma empresa
de telefonia. Segundo Sílvia, os anúncios foram veiculados
sem que houvesse licitação e sem que um contrato fosse formalizado.
Para a empresária, o superfaturamento de até 357% nos materiais
e nas obras de aeroportos brasileiros, verificado pelo Tribunal de Contas
da União nas auditorias que fez na Infraero, é uma das origens
da propina cobrada. Outro alvo de Sílvia será o diretor
de Administração da Infraero, Marco Antonio Marques de Oliveira,
que teria autorizado um contrato irregular da Aeromídia no Aeroporto
de Brasília. Há ainda detalhes que ela pretende revelar
sobre um contrato da Infraero com a Empresa de Correios e Telégrafos.
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