Principal > Opiniões

Álcool e biodiesel de alga

Mario Eugenio Saturno é pesquisador tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - mariosaturno@uol.com.br

O álcool é nosso... Por enquanto! Estamos assistindo diversos grupos norte-americanos e europeus comprando usinas de álcool por todo o País. É preciso que a classe política esteja mais que atenta, que atue. Precisamos proteger nossa tecnologia, nosso know how antes que as potências estrangeiras comprem todas as nossas usinas.
O que soma um empresário estrangeiro que age assim? Nada! Antes, subtrai. Precisamos abrir novas fronteiras, temos de agir como agem a China e países inteligentes. O capital externo tem de entrar no País construindo novas usinas e financiando ou convencendo novos fornecedores de cana. E pagando royalties. De preferência, o governo federal deveria estabelecer uma data limite para a entrada dos investimentos.
Precisamos do capital para aumentar a produção. Hoje, a cana do Brasil e o milho dos EUA (Estados Unidos da América) correspondem a 72% da produção mundial de álcool, quase 40 bilhões de litros por ano. O Brasil tem três milhões de hectares de cana para o álcool, podendo usar outros 22 milhões para o cultivo. O mesmo não acontece com os EUA. E eles querem adicionar 20% de álcool à gasolina até 2017. Sorte a nossa... Se aproveitarmos. E não vamos esquecer a Europa que pretende adicionar 10% até 2020.
O nosso álcool já é exportado para os EUA, 1,8 bilhão de litros em 2006, pagando uma pesada tarifa de 14 centavos de dólar por litro enquanto o álcool norte-americano recebe 13 centavos de subsídio por litro.
Os EUA investem bastante no desenvolvimento de um processo industrial para extrair álcool de celulose, isso é, qualquer resíduo vegetal. Para nós seria uma descoberta fantástica, já que, só em São Paulo a maioria das áreas de colheita utiliza-se da queimada. E veja-se que São Paulo produz dois terços do álcool e açúcar do País. Que grande desperdício de biomassa, energia e produção desnecessária e, diria, criminosa, de CO2. É preciso aproveitar melhor isso tudo.
A classe política deveria pensar em leis que estimulassem avanços nessa área. Principalmente na área de recuperação de CO2. Assim como fez o Massachusetts Institute of Technology. Liderado pelo pesquisador Isaac Berzin, que desenvolveu um experimento para a Estação Espacial Internacional usando algas para absorver o CO2 gerado pela respiração da tripulação. Diante da termelétrica do instituto, pensou em utilizar o CO2 da queima de combustível para fazer crescer algas. Escolheu uma que produz óleo, mais da metade do peso da alga.
A alga é um ser vivo de apenas uma célula, que cresce muito rápido, dobrando de peso a cada duas horas, permitindo uma grande produção de biodiesel. Como vantagem adicional, as algas de Berzin reduzem a emissão de CO2 da usina elétrica em até 82% nos dias ensolarados e de 50% nos dias nublados, porém, a redução de óxidos de nitrogênio é de 85%, tanto de dia quanto de noite.
Seria muito bom para o País se os empresários que produzem muito CO2 utilizassem as algas para reduzir emissões e gerar biodiesel e biomassa. A produtividade por hectare foi de 250 vezes maior quando comparado com o óleo de milho. Novidades que podem virar solução.

 

 

Pauta
Envie sua sugestão de pauta, matéria ou release para o Jornal Hoje.
Edições Anteriores
disponíveis na íntegra para consulta.
Enquete

Na sua opinião, a renovação das cadeiras no Legislativo de Cascavel foi para:

Melhor
Pior
Ficou igual


Resultado Parcial

Copyright Jornal Hoje. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal Hoje.