O aborto é crime?
Para o País mais cristão do mundo, a resposta é
natural: sim. Mas como a maioria dos crimes, também segue na impunidade,
porque apesar dessa contrariedade à prática do aborto, o
Brasil é o campeão da prática.
A proximidade da visita do papa Bento 16 ao País reavivou a discussão
sobre o aborto. Embora falte coragem ao presidente Luiz Inácio
Lula da Silva em se posicionar abertamente a respeito do assunto, o tema
deverá ser debatido muito em breve no Congresso Nacional.
Há quem defenda a prática, a exemplo da ministra Nilcéa
Freire, da Secretaria Especial de Políticas, que quer legalizar
o aborto até o terceiro mês, porque tem como argumento o
fato de ele já ocorrer livremente, mesmo que proibido. O problema
é que coloca em risco a vida de muitas jovens, principalmente de
famílias pobres. Hoje, mulheres pobres morrem por ingestão
de medicamentos abortivos ou por inépcia de médicos sem
preparo. Essa é a defesa da ministra.
Mas há um outro lado perigoso. Uma lei como a defendida pela ministra
poderia desencadear uma onda de interrupção de gravidez.
Não apenas entre os mais humildes, mas de maneira geral.
Grupos dispostos a legalizar o aborto, torná-lo fácil, acessível,
higiênico, juridicamente correto. Os argumentos são os mais
diversos: o direito da mulher sobre o seu próprio corpo, as condições
sócio-econômicas para educar um filho, a violência
sexual contra a mulher, problemas de má formação
fetal, gravidez indesejada, rejeição do filho pelo pai,
e as más condições em que são realizados os
abortos clandestinos.
O assunto é polêmico e será motivador de um debate
intenso. Primeiro é preciso que o governo desça do muro,
mas que coloque à população todas as informações
necessárias sobre o problema. Existe a necessidade de se tomar
uma decisão e que ela não seja motivada apenas por crenças
religiosas ou posição pessoal. É preciso coerência
e fazer se cumprir a lei.
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