CONCORRÊNCIA
– Empresas vendem produtos abaixo do que eles custam
Queda de preço da TV
de plasma gera prejuízo
Fabricantes de televisores de tela fina (plasma e LCD) vivem um raro momento
de concordância: a queda de preço chegou para ficar e um
abalo na indústria mundial poderá ser inevitável.
Essa redução também aconteceu no Brasil nos dois
últimos anos e executivos no país afirmam até que
vendem o aparelho com prejuízo.
“Há tantos fabricantes no mercado. Mas quantos sobreviverão?”,
pergunta Dong Jin Oh, presidente-executivo da unidade norte-americana
da Samsung Electronics, durante a feira de tecnologia Consumer Electronics
Show, a maior feira do setor no mundo, que terminou na semana passada,
em Las Vegas (EUA).
“A demanda está crescendo muito rápido nos EUA, mas
a queda de preços é tão gritante, tão grande
que [um abalo na indústria] é inevitável”,
disse ele.
Na avaliação de Michael Ahn, diretor de operações
da LG Electronics nos Estados Unidos, “somente algumas empresas
poderão sobreviver e se tornarem fabricantes importantes”
no mundo.
No Brasil, empresas como Panasonic, Philips e Gradiente já afirmaram
que o televisor de plasma de 42 polegadas, vendido a R$ 4.999 - preço
médio das lojas -, é comercializado no vermelho pelas empresas
que aceitam praticar esse preço. Ou seja, vende-se, mas sem margem
de lucro. “Por menos de R$ 5.999, o mercado está vendendo
no prejuízo. Não tem como operar com preços tão
baixos”, afirmou à Folha Rui Pena, diretor da Panasonic no
Brasil.
Pode não fazer sentido uma indústria produzir uma mercadoria
sem retorno garantido. Mas isso pode ocorrer como reflexo de uma guerra
de preços agressiva, em que uma oferta atropela a seguinte numa
velocidade difícil de controlar.
Quando os preços começaram a cair de forma mais acelerada
no Brasil, em 2005 - em novembro daquele ano, a TV começou a ser
vendida por R$ 9.999 -, esperava-se que o volume pudesse compensar a queda
nos valores. A quantidade vendida cresceu, mas, como a guerra de preços
entre marcas e entre redes varejistas continuou, não houve equilíbrio
entre preço e volume.
Quedas
descartadas
José Fuentes, vice-presidente da divisão de eletroeletrônicos
da Philips para o Brasil, acredita que, daqui para a frente, quedas consideráveis
nos preços estão descartadas.
De acordo com a Eletros, a associação de fabricantes de
eletroeletrônicos, o segmento de LCD e plasma cresceu 400% em 2005,
com 58 mil unidades vendidas (0,6% do total) no ano passado. O setor deve
representar 3% das vendas até 2008, prevê a entidade.
A estimativa de fabricantes no país é que TVs de plasma
e LCDs representem 2% das vendas de televisores - cerca de 200 mil unidades
- no ano.
Como forma de estancar perdas, novas tecnologias (como o sistema de alta
definição de imagens) encareceram ligeiramente o aparelho
- ou evitaram uma queda ainda maior no preço do produto no ano
passado. Mas isso não elevou a margem das fabricantes no país.
POPULAR
Laptop de US$ 100 chega ao público apenas em 2008
Os
responsáveis pelo projeto que criará o laptop de US$ 100
estudam a possibilidade de vender o equipamento ao público. As
vendas do aparelho, desenhado inicialmente para ser vendido a governos
de nações emergentes, seriam uma maneira de cobrir os custos
do projeto, já que o valor real de cada laptop alcança US$
150.
O fundador e presidente do grupo “Um Laptop por Criança”,
Nicholas Negroponte, disse que a comercialização dos computadores
pessoais poderia ser realizada a partir de 2008, em um esquema em que
cada comprador adquiriria um para si e outro para uma criança no
mundo em desenvolvimento.
O coordenador da área de conectividade do projeto, Michalis Bletsas,
disse que o desafio é distribuir as máquinas sem aumentar
os custos. “Estamos discutindo com nosso parceiro eBay. Precisamos
minimizar os custos da cadeia de fornecimento, que é bastante alto
no Ocidente”, afirmou Bletsas.
Conectividade
Cinco milhões de laptops a baixo custo, denominados XO, serão
distribuídos a nações em desenvolvimento a partir
de meados deste ano, em um dos mais ambiciosos projetos educacionais de
todos os tempos.
O Brasil está entre os primeiros países a receber as máquinas,
junto com Argentina, Uruguai, Nigéria, Líbia, Paquistão
e Tailândia.
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