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Falta administração

O Brasil tem uma das maiores arrecadações da América Latina, uma das menores inflações e também um dos piores índices de crescimento.
Diante da informação que o País deixou de investir R$ 6,1 bilhões em 2006 de dinheiro que estava previsto, fica a sensação de que o orçamento não passa de uma peça fictícia, de faz-de-conta, que é estimado apenas para dar status, mas que no fundo não reflete em benefícios para a população.
Graças à mão-de-ferro da equipe econômica, preocupada em superávit para agradar ao FMI (Fundo Monetário Internacional), o Brasil deixou de investir em áreas importantes, como saúde, transporte, educação e agricultura. Mas os gastos do governo não diminuíram, pelo contrário, aumentaram.
Para se ter uma idéia, o Ministério da Agricultura, que já tem um orçamento minguado, deixou de investir R$ 127 milhões dos R$ 454 milhões a que tinha direito. Mas são as áreas mais problemáticas que apresentaram as maiores perdas. Na saúde o governo deveria previu no orçamento R$ 3,3 bilhão, mas deixou de investir R$ 1,2 bilhão. E não foi por falta de dinheiro. O escândalo das sanguessugas e projetos mal elaborados - além da falta de vontade política - prejudicaram a aquisição de equipamentos e a construção de hospitais em vários municípios brasileiros. Não é à toa que o sistema de saúde pública é tão criticado. Embora investimentos no setor sejam prioritários, eles simplesmente não acontecem.
No transporte o déficit foi ainda maior. Estavam previstos R$ 6,1 bilhões, mas deixaram de ser aplicados R$ 1,5 bilhão. E boa parte do que foi usado serviu para aquela operação emergencial de remendo nas estradas, que em alguns casos já precisam ser refeitos. Dinheiro jogado fora. Seriam necessários três orçamentos do total previsto para resolver o problema das estradas federais no País.
A conta do ajuste fiscal deveria ser paga com cortes dos gastos do governo e não de investimentos, como vem ocorrendo. Nesse ritmo será difícil crescer no mesmo nível de outros países emergentes. O Brasil precisa corrigir muitos gargalos para incentivar a economia, mas não consegue aprender com as receitas de sucesso de outros países, que é corrigir as falhas dentro de casa, ou seja, no Palácio do Planalto.

 

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