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Natal, inversão de valores

Jamir Neiber de Paiva é acadêmico de Direito da FAG (Faculdade Assis Gurgacz) em Cascavel - p1neiber@hotmail.com

O Natal deveria ser uma data que nos remeteria à reflexão do nascimento e morte do Criador deste universo que ocupamos momentaneamente, através de reuniões familiares, comunidades, disposta a ampliar sua gratidão pelo presente recebido: a vida! Mas o que se tem notado em nossos dias não reflete esta relação com o Criador e sim uma busca, um envolvimento do capitalismo na promoção do consumo, demanda, gastança, esquecendo uma parcela significativa e/ou muito provavelmente a maioria deste corpo social de buscar no seio familiar ou suas organizações religiosas uma reflexão necessária ao convívio do cotidiano, visto que o capitalismo está alienando, envolvendo as pessoas ao ter em detrimento do ser.
É, por mais que os lares, quando chamados sua atenção no individual sobre esta data param, pensam e conseguem estabelecer a razão, produzindo uma frase cabível, mas, na realidade, fática de cada um, em seu cotidiano, na maioria das vezes nota-se outro enfoque, visto que, quase sempre, estão muitos preocupados em como e o que fazer para bem comemorar o feriado, programando uma viagem para um veraneio, área de recreação, campo, onde lá estando são festas, baladas noturnas, regadas a cervejas, vinhos, entre outros estimulantes, e, o principal, que é uma reflexão desta data natalina, quase sempre é deixado de lado ou apenas é lembrado por alguns míseros minutos, no silêncio da noite, fazendo um pedido, somados aos tantos outros que alguns poucos o fazem no cotidiano, esquecendo de agradecer o dia, o ano, o minuto, o presente, ante a tanta beleza aqui dispostas ao nosso bem-estar pelo criador deste universo que ora habitamos...
Podemos até comungar com os movimentos ora somados ao nosso cotidiano, que nos move na busca de um suporte capaz de proporcionar alguma segurança à família, que em sua maioria esmagadora está longe de ser alcançado ou proporcionado, existindo, sim, uma subsistência perversa. Parte disso é causada pela implementação de um melhoramento no parque industrial em todo o mundo, dizendo-se necessário pela busca da competição, por melhorar o preço final através de um parque industrial atualizado, objetivando competitividade, substituindo o homem por máquinas, deixando muitos trabalhadores desesperados na busca do sustento da família.
Move-nos a compreender que abdicaram dos ideais que um dia já foi o basilar das famílias, ficando a cada dia que passa esquecidos ou deixados para uma oportunidade vindoura, protelada mais uma vez, nos forçando a pensar que estão sendo abandonados os costumes antes observados por nossos antepassados.
São poucas as famílias que têm como tradição uma reunião sadia, base na reflexão da data ora palco destas linhas, ou sou eu que tenho os meus contatos, amigos, colegas, que, na sua maioria, já cansados do grande envolvimento com o trabalho! Assim, toda vez que há alusão envolvendo a data natalina, não se observa um convite ou comentários em ir a um templo ou até mesmo uma reunião em família enfocando uma reflexão desta data tão significativa para a humanidade, mas, sim, uma fuga dos grandes centros objetivando um descanso, uma migração do centro para as periferias ou praias, regada a festividades particulares, com o entendimento de descanso merecido.
Ante a tudo isso acima aludido, vem a pergunta que não quer calar... Será que mudamos tanto? Ou a presença maciça do capitalismo conseguiu impingir uma aceleração tamanha que nos move de tal forma que esquecemos até nossas origens, causando, com isso, uma busca em satisfazer o eu!, o ter!, em detrimento do “ser” pessoas do bem, comprometidas com a família, com a reflexão de que somos passageiros neste espaço do universo e, inclusive, passa-se a aceitar que estamos no caminho certo. É forçoso, mas, às vezes, me pego a pensar como será o amanhã ante tanta evolução?
Esse estado de coisa está nos forçando a ser consumistas, individualistas, buscando a satisfação pessoal sob qualquer pretexto, esquecendo de viver o momento, o já, o agora, por força da alienação humana, filhos de Deus!!!

 

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