O último ato
Antes de encerrar um mandato manchado por escândalos de corrupção,
o Congresso Nacional conseguiu dar o golpe de misericórdia. Deputados
e senadores dobraram os próprios salários, elevando-os ao
mesmo patamar dos ministros do Supremo Tribunal Federal.
Os novos valores serão válidos a partir da próxima
legislativa, mas mais da metade dos atuais parlamentares continuarão
a legislar. Deputados e senadores ganhavam como gerentes e agora receberão
como executivos.
O problema, na verdade, não é o aumento. Como todo trabalhador
– e é uma grande responsabilidade o cargo que ocupam –
eles também têm direito a reajustes salariais. A questão
é o exagero no percentual concedido, já que houve discussão
recente sobre salário do judiciário, que também queria
reajuste, e dos próprios trabalhadores comuns, que sequer garantiram
um aumento mínimo, já que dependem da aprovação
do governo.
Por mais que o Congresso diminua despesas para não ser preciso
aumentar o repasse da União às Casas de Lei, a legislatura
que termina tem muitas explicações à dar sobre os
escândalos de corrupção e não teria o direito
de dobrar seus próprios salários.
Isso também causará um efeito cascata em estados e municípios,
já que os salários de deputados estaduais e de vereadores
são reajustados conforme o Congresso Nacional aumenta o seu. Ou
seja, deputados estaduais e vereadores também ganharam o direito
de dobrar os seus salários, causando um forte impacto nas combalidas
finanças.
O governo federal ainda não definiu o novo salário mínimo,
que hoje é de R$ 350, mas se reluta em erguê-lo a R$ 375.
O governo pensa em R$ 367. Depois da decisão dos parlamentares,
ontem, não seria justo dobrar também os vencimentos dos
salários dos trabalhadores?
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