Triste realidade
Enquanto políticos se engalfinham na campanha política, nos corredores de hospitais os pacientes - daqui a 16 dias eleitores - agonizam à espera de atendimento decente.
Não se trata de culpar os médicos ou funcionários de má vontade ou prestação de serviços inadequados. Pelo contrário. Muitos estão trabalhando além do seu horário, justamente para não deixar o paciente na mão. A culpa é do sistema adotado para gerenciar a saúde pública.
O HU (Hospital Universitário) de Cascavel, por exemplo, é visto como uma simples estrutura escolar e, por isso, não consegue dar conta da demanda, pois recebe pacientes de toda a região. A estrutura está estrangulada, não dá conta do número elevado de pacientes.
Ontem havia mais de uma dezena de pacientes sendo atendidos nos corredores do HU. Entre eles crianças. O setor de emergência se transformou em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) improvisada e até a ambulância virou ambulatório. Boa vontade os funcionários têm, o que eles não podem fazer é mágica.
Esses mesmos pacientes - e eleitores - são os que pagam impostos, mas não vêem o dinheiro retornando na forma de investimentos. Durante a campanha política, pelo menos no discurso, a saúde é um dos setores que mais recebeu recursos.
O fim da reeleição é um bom instrumento para acabar com a falta de investimentos. Os governantes cumpririam seus mandatos preocupados apenas em honrar os compromissos assumidos, sem se distrair na briga por um eventual segundo mandato.
Mas cabe exclusivamente à população julgar e escolher. Independente de quem for o eleito, para comandar o País e o Estado, é preciso olhar com mais atenção os setores primordiais.
Uma coisa é engraçada. Com quase três meses de campanha ainda não se viu notícia de pelo menos um candidato que tenha visitado uma estrutura hospitalar pública. Não é pelo fato de pedir votos, mas para ver com os próprios olhos a realidade e colocar em seu plano de governo exatamente o que precisa ser feito para melhorar o que temos hoje.
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