RECEITA
Contadores defendem prorrogação de prazo até janeiro
Adesão ao Supersimples
é adiada pela terceira vez
Os contadores poderão respirar um pouco mais aliviados. O prazo
para enquadramento à nova tributação de pessoas jurídicas
foi adiado pela terceira vez em menos de um mês, até segunda-feira.
A Resolução 19, da Lei Complementar 43/2007, será
publicada hoje no “Diário Oficial” da União,
mas a decisão do Comitê Gestor do Simples Nacional foi tomada
segunda-feira.
Os empresários que ainda não procuraram a Receita Federal
terão mais cinco dias para negociarem suas dívidas e aderirem
ao Supersimples, o Simples Nacional.
Para os contadores de Cascavel, a prorrogação de apenas
cinco dias não fará muita diferença, pois os atropelos
continuam. O ideal, segundo do diretor-geral do Sescap (Sindicato das
Empresas dos Serviços Contábeis) em Cascavel, Manoel Pereira
Góes, é que o prazo para adesão ao Supersimples vá
até janeiro de 2008. “Os contadores ainda precisam pegar
orientações com os órgãos responsáveis,
pois é uma tributação que precisa ser estudada para
ser aplicada”, declara.
No escritório de Manoel, das 83 empresas às quais ele presta
serviço, 80 podem aderir ao Simples Nacional, mas 50% estão
com pendências tributárias.
A contadora Suzana Burin diz que os escritórios de contabilidade
tiveram acúmulo de trabalho, pois precisaram refazer algumas adesões,
em função dos parcelamentos. “De primeira mão,
parcelava-se as dívidas até 31 de dezembro de 2006. Depois
alteraram para 30 de junho de 2007. Quem já tinha aderido teve
mais trabalho”, declara.
Mesmo assim, ela defende a prorrogação para janeiro. O Sindicato
dos Contabilistas de Curitiba lançou o movimento Contador, Não
é Escravo, Super Simples, Queremos Prazo!. “Não somos
contra o Supersimples, mas somos solidários a esse movimento. Precisamos
de prazo para executar o trabalho e darmos mais opções aos
clientes”, comenta Góes.
Os motivos são a reduzida procura dos empresários para regularizarem
seus débitos junto à RF (Receita Federal) e a possibilidade
de micro e pequenas empresas do ramo de fogos de artifício, sorvetes
e cosméticos aderirem ao novo sistema de tributação.
No final de julho o auditor da RF de Cascavel Felisberto Luis Mioto informou
que das 46.958 empresas da jurisdição de Cascavel, enquadráveis
no Supersimples, 27.281 ainda não haviam quitado suas dívidas
com o Fisco federal. O delegado-adjunto da RF, Clair Marcos Larsen, disse
não possuir os dados atualizados da adesão de empresas ao
Supersimples, mas afirma que na última semana os atendimentos aumentaram
30%.
FORMIGAS
Tem início nesta semana uma campanha que visa conscientizar os
produtores rurais a respeito da necessidade do controle das formigas cortadeiras.
Participam técnicos da Seab (Secretaria da Agricultura e do Abastecimento
do Paraná), Emater, cooperativas, prefeituras e instituições
públicas e privadas. Apesar das ocorrências de formigas cortadeiras
concentrarem-se na região noroeste do Paraná, também
no oeste do Estado ocorre o ataque desta praga, em variados níveis
de infestação e dano.
As formigas cortadeiras, conhecidas popularmente como saúvas (gênero
Atta) e quenquéns (gênero Acromyrmex), são insetos
que vivem em formigueiros subterrâneos constituídos de inúmeras
câmaras e galerias. Possuem o hábito de cortar e transportar
material vegetal para os seus ninhos, onde são utilizados como
substrato para o desenvolvimento de fungos, dos quais os indivíduos
da colônia se alimentam.
CAMINHO DA ESCOLA
Programas para financiamento
do transporte terão R$ 600 mi
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou ontem o programa
Caminho da Escola, que visa renovar, ampliar e padronizar a frota de veículos
de transporte escolar para estudantes da educação básica
de escolas públicas da zona rural.
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) tem
uma linha de crédito de R$ 300 milhões para estados, municípios
e o Distrito Federal financiarem a compra de 2,5 mil veículos novos
e embarcações. Os recursos deverão ser aplicados
até 2009. A expectativa é de que o programa atenda 4,5 mil
municípios.
O ministro da Educação, Fernando Haddad, explicou que a
compra dos veículos deve ser por meio de pregão eletrônico,
com isenção de impostos.
O prazo do financiamento é de seis anos, com carência de
seis meses e taxa de juros de 4% ao ano. Só pode participar do
programa quem aderir ao FNDE.
Foi lançado também o Pró-Escolar (Programa de Financiamento
à Aquisição de Veículos de Transporte Escolar),
voltado para empresas do setor privado e pessoas físicas que realizam
atividades de transporte escolar rural e urbano das redes públicas
estaduais e municipais. O programa tem uma linha de crédito de
R$ 300 milhões.
Bovespa cai
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) fechou em baixa pelo
quarto dia seguido ontem, no menor nível desde maio, em meio a
contínuas preocupações em relação à
extensão dos problemas gerados pela crise do setor de crédito
imobiliário nos Estados Unidos. Segundo dados preliminares, o Ibovespa
recuou 2,82%, para 50.957 pontos. O volume financeiro ficou em R$ 4,7
bilhões.
TREM DA ALEGRIA
Todos são terceirizados ou indicados e não prestariam concurso
Projeto dá estabilidade
a 260 mil servidores
O presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP),
afirmou ontem que a votação do projeto de emenda à
Constituição que pode se transformar em um enorme “trem
da alegria” no serviço público, resultando, entre
outras coisas, na efetivação de centenas de milhares de
pessoas que nunca prestaram concurso, foi adiada.
No entanto, Chinaglia afirmou que a Câmara votará a proposta.
Se aprovado, a projeto deve beneficiar cerca de 260 mil servidores. O
petista ainda não marcou data para a medida ser colocada em votação
e reconheceu que há dificuldades em aprovar a proposta.
“Avalio que é um assunto de difícil aprovação”,
disse Chinaglia. Em seguida, ele afirmou que os deputados não podem
se esquivar de discutir e votar propostas, mesmo que sejam polêmicas.
“Não posso trabalhar com a idéia de uma Câmara
assustada [que teme votar algo]. Tem de ter coragem para agir”,
disse.
De acordo com o petista, uma decisão do colégio de líderes
- que reúne representantes de todos os partidos políticos
-, do dia 3 de julho, definiu que o tema deveria ser colocado em votação.
Antes, no fim do ano passado, houve o encaminhamento de um requerimento
- assinado por alguns líderes partidários - sugerindo que
o assunto fosse incluído na pauta de votações.
CASO RENAN
Aliado pode relatar processo sozinho
Os senadores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS) comunicaram
ontem ao presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha
(PMDB-TO), que não vão aceitar relatar o novo processo contra
o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), relacionado à
denúncia que o liga à empresa Schincariol. Com a decisão,
os senadores cancelaram reunião marcada para a tarde de hoje com
o presidente do conselho para discutir a nova representação
contra Renan.
O senador Almeida Lima (PMDB-SE), que já relata ao lado de Casagrande
e Serrano a primeira representação contra Renan no conselho,
disse estar disposto a assumir a função - mesmo que sem
a companhia dos outros dois senadores. “Eu não tenho nenhuma
objeção. É função de todo senador exercer
os atos de seu mandato. Não vejo nenhum problema [em ser o único
relator]”.
Serrano e Casagrande argumentam que, se assumirem mais um processo contra
Renan, acabarão atrasando a investigação, que já
está em curso no conselho.
CPMF
Governo admite atraso na prorrogação
O governo federal intensificará o esforço para aprovar
a prorrogação da cobrança da CPMF (Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira) até
2011, sem compartilhar a arrecadação com estados e municípios.
A posição foi consolidada na reunião de coordenação
política realizada ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula
da Silva com mais dez ministros, no Palácio do Planalto.
Pelas estimativas do governo, a medida será votada - e aprovada
- na Câmara em setembro e depois no Senado até novembro.
De acordo com auxiliares de Lula, não é possível
fazer concessões, como a distribuição de arrecadação
com governadores e prefeitos.
O argumento que será utilizado pela base aliada do Planalto no
Congresso é que Lula está se empenhando para liberar recursos
e autorizar uma série de programas que favorecem os estados e municípios.
Porém, o DEM e o PSDB criticam a posição do governo.
Para o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), a prorrogação
da cobrança é ilegal. O partido lidera a campanha Xô,
CPMF, que defende o fim da cobrança da contribuição.
Já o PSDB é favorável à distribuição
de 20% para os estados e 10% para os municípios dos recursos arrecadados
via CPMF e a redução gradual da alíquota de 0,38%
da contribuição. A idéia é reduzir até
2011 para 0,08% o percentual da alíquota da cobrança.
Ontem a discussão sobre a prorrogação foi adiada
devido ao início da ordem do dia no plenário da Câmara
dos Deputados. O tema estava em análise na CCJ (Comissão
de Comissão e Justiça) deste o início da tarde e
seria retomado somente à noite, após o final da ordem do
dia.
Nepotismo
O Ministério Público Estadual informou que entrou com uma
ação civil pública contra o governo do Estado pedindo
que sejam demitidos todos os parentes em até terceiro grau do governador,
vice-governador e secretários de estado que estejam contratados
em cargos comissionados, de indicação política. O
processo está tramitando na 1ª Vara da Fazenda Pública,
onde correm duas outras ações contra o nepotismo no governo
estadual. O prazo para que o governo do Estado exonerasse familiares de
autoridades públicas terminou no dia 12 de julho, mas não
houve demissões. A Casa Civil informou que, por enquanto, o governo
do Estado não vai se pronunciar. Segundo o MP, são nove
parentes na folha de pagamento do governo.
Protesto
O vice-presidente do Senado, senador Alvaro Dias (PSDB/PR), recebeu, em
nome da Mesa Diretora do Senado, um abaixo-assinado com 60 mil assinaturas
recolhidas em todo o Brasil para pedir o afastamento do presidente da
Casa, senador Renan Calheiros (PMDB/AL). O documento foi entregue no gabinete
de Alvaro Dias pela presidente do Psol, a ex-senadora Heloisa Helena,
e outros parlamentares do partido. O deputado Chico Alencar (PSOL/RJ)
falou que as assinaturas estavam sendo entregues ao vice-presidente da
Casa porque o Psol não considera mais Renan Calheiros como presidente
do Senado.
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