ALERTA
Problema atinge entre 15% e 50% da população idosa
As
quedas podem ser
fatais na terceira idade
Apesar
de muitas vezes não receberem muita importância, as quedas
tornam-se cada vez mais perigosas conforme a idade avança. Este
mês morreu o publisher do Grupo Folha, Octavio Frias. O empresário
sofreu uma queda em sua casa e foi submetido a uma cirurgia para a remoção
de um hematoma craniano. Mesmo com a alta hospitalar no fim do ano passado,
seu estado de saúde não foi positivo, o que resultou em
um quadro de insuficiência renal grave, tudo conseqüência
do que parecia ser apenas um acidente doméstico.
Ano passado outras personalidades tiveram complicações decorrentes
de quedas domésticas. Uma delas foi Chico Anísio, que caiu
dentro de casa e quebrou a vértebra cervical e ficou internado.
Oscar Niemeyer foi outro nome conhecido que enfrentou o mesmo problema
do humorista. Niemeyer quebrou o quadril e ficou internado. Ambos se submeteram
a cirurgia para correção das seqüelas.
Casos como esses ilustram uma estatística preocupante. Cerca de
15% a 50% das pessoas com mais de 65 anos morrem por complicações
no intervalo de um ano após sofrerem uma queda.
O problema também é responsável por grande parte
das internações e mortes direta ou indiretamente como foi
o caso de Frias. Além disso, 30% das pessoas com mais de 65 anos
caem pelo menos uma vez ao ano no Brasil.
Desequilíbrio
Em grande parte dos casos de queda, a origem da queda pode estar
dentro do ouvido. “Com o avanço da idade, existe um envelhecimento
das estruturas relacionadas ao equilíbrio corporal, como o labirinto,
os órgãos responsáveis pela sensibilidade corpórea
e a diminuição da visão. O envelhecimento desses
três sistemas já pode, por si só, causar desequilíbrio
e favorecer as quedas”, explica Raquel Mezzalira, médica
otorrinolaringologista, coordenadora da Campanha de Prevenção
a Quedas na Terceira Idade e membro da SBO (Sociedade Brasileira de Otologia).
A médica ainda ressalta que os principais perigos estão
no próprio ambiente doméstico, já que 60% das quedas
são dentro de casa e 25% são decorrentes das armadilhas
domésticas.
Além disso, os idosos devem se manter em dia com sua saúde
com exercícios físicos adaptados às suas condições
físicas, uma boa alimentação e não utilizar
medicamentos sem a orientação médica.
GESTAÇÃO
Coração de mãe exige cuidados especiais
Um
dos primeiros e mais importantes cuidados que uma mãe deve ter
para garantir o bem-estar de seu filho é cuidar da própria
saúde desde os primeiros dias da gravidez. E isso inclui o coração,
que durante a gestão trabalha 50% a mais do que o normal, devido
à alteração de todo o metabolismo do organismo da
mulher. Sem o funcionamento saudável do coração da
mãe, não há como o bebê se desenvolver de maneira
adequada.
“Mulheres que desejam engravidar e que apresentam problemas cardíacos
devem sempre consultar um especialista antes, para se informar sobre os
riscos e formas de precaução. Desta forma, ela garante a
própria integridade e a segurança para o bebê”,
explica a cardiologista Maria do Rocio Peixoto de Oliveira, chefe de ergometria
do Hospital Cardiológico Costantini, de Curitiba.
A médica conta que a hipertensão e o diabetes são
fatores de risco bastante sérios, que podem arriscar a vida de
ambos. Para a mãe, a pressão alta pode comprometer o funcionamento
dos rins, provocar desmaios e fortes dores de cabeça. “Para
o bebê em desenvolvimento, a hipertensão da mãe pode
diminuir o volume de sangue que passa pela placenta, alterando o peso
e o tamanho normal do bebê, ou ainda, retardando seriamente o crescimento
intra-uterino”, observa. No caso do diabetes gestacional (desenvolvida
somente na gravidez), o feto nasce com excesso de peso. Isso faz com que
o bebê já tenha, desde o início da vida, alto risco
de desenvolver a mesma doença.
Para a especialista, a palavra de ordem continua sendo prevenção,
especialmente nos casos das mulheres expostas a fatores de risco provocados
pelo aumento da atividade e competitividade no mercado de trabalho.
OBESIDADE
Quando a cirurgia é necessária
“A cirurgia de obesidade não é uma questão
de estética, mas de sobrevivência”. A afirmação
é do chefe do Serviço de Cirurgia de Obesidade da Unicamp,
José Carlos Pareja.
Segundo o especialista, a operação é necessária
porque não há tratamento clínico eficaz para portadores
de obesidade mórbida, uma doença crônica que traz
complicações sérias - como diabetes, hipertensão,
cardiopatias e colesterol alto - e pode levar à morte. “Mesmo
que o portador mude seus hábitos alimentares, faça regime
e exercícios, ele não consegue emagrecer e manter o peso
sem o auxílio de remédios. O corpo humano tende sempre a
voltar para o seu maior peso”, explica.
Para identificar o nível de obesidade, diz Pareja, divide-se o
peso do paciente em quilos pela sua altura ao quadrado, o que resulta
no IMC (Índice de Massa Corpórea). Ele define que são
considerados obesos mórbidos aqueles que têm o IMC acima
40 (ou seja, estão 40 quilos acima do seu peso ideal), superobesos,
os que têm o IMC acima de 50, e obesos moderados, os que têm
o IMC entre 30 a 39,9.
Presidente da Comissão Científica da Sociedade Brasileira
de Obesidade, Pareja ressalta que a maioria dos obesos se enquadra no
caso de obesidade mórbida, mas que a cirurgia também é
indicada para obesos moderados que sofram de doenças cardiopulmonares
ou de diabetes graves.
Estima-se que a taxa de mortalidade entre os obesos é 12 vezes
maior em adultos, entre 25 e 40 anos, quando comparada a indivíduos
de peso normal.
De acordo com o cirurgião, no Brasil há cerca de 1 milhão
de obesos.
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