NOTÍVAGOS – O corpo não funciona como
deveria e aumenta os riscos de doenças
Saiba os riscos de
trocar o dia pela noite
Já reparou que enquanto a maioria dorme à noite, uma parcela
da população está em plena atividade? A vida noturna
está em grande expansão nos últimos anos, com a ampliação
de serviços 24 horas, como supermercados, pet shops, floriculturas,
restaurantes, entre outros. Além dos trabalhadores noturnos, há
quem prefira, por questões pessoais e genéticas, ficar acordado
durante a madrugada, seja em casa ou na rua.
O jornalista e estudante de direito Rodrigo Luchiari, 32 anos, de São
Paulo, por exemplo, dorme apenas quatro horas por noite. Normalmente,
durante a semana, ele vai para a cama entre 3 e 4 horas e acorda entre
7h30 e 8 horas para ir à faculdade. “Durmo tarde desde pequeno
e não sinto sono”, afirma Luchiari. Mesmo nos fins de semana,
ele dorme pouco. “Só vou dormir quando a energia acaba mesmo”,
diz o jornalista. “Às vezes, passo a madrugada estudando
e vou direto para a faculdade fazer provas”, conta. Apesar de dormir
pouco, fumar e não fazer atividade física, ele garante que
adoece pouco. No entanto, preocupado com a saúde no futuro, Rodrigo
quer largar o cigarro e também melhorar a qualidade de seu sono.
A inquietação do jornalista é pertinente. De acordo
com os especialistas, essa inversão de horários realmente
é um fator prejudicial à nossa saúde.
“Nós fomos biologicamente programados para dormir à
noite”, explica a pneumologista Lia Rita Azeredo Bittencourt, presidente
da Sociedade Brasileira de Sono. De acordo com Lia, a ausência de
luz, a queda de temperatura do corpo e a secreção da melatonina
(um neuro-hormônio responsável por regular o sono) são
fatores que ocorrem nesse período e contribuem para o descanso.
“Pesquisas demonstram que, durante o dia, as pessoas dormem menos
e com menor qualidade, já que o sono costuma ser mais fragmentado”,
enfatiza.
As conseqüências para o organismo humano são imediatas:
fadiga, sonolência durante o dia, déficit de atenção,
de memória e raciocínio, além de predisposição
a problemas cardiovasculares e metabólicos.
“O notívago pode ter hipertensão arterial, arritmias
e outras doenças cardíacas, devido ao aumento de substâncias
estressoras (catecolaminas) no organismo e por não haver descanso
fisiológico suficiente do sistema cardiovascular, ou seja, a redução
da pressão arterial e da freqüência cardíaca
que ocorre à noite”, alerta a pneumologista.
Quem não dorme à noite ainda pode desenvolver predisposição
à obesidade, pela dificuldade de ação da leptina
(hormônio da saciedade), e ao diabetes, pela maior resistência
à ação da insulina. As alterações metabólicas
dos lipídios ainda podem aumentar o “mau” colesterol.
Segundo informações da Associação Nacional
de Medicina do Trabalho, as doenças mais freqüentes em quem
trabalha à noite são as de origem gastrintestinal (como
azia, má digestão, úlceras gástricas, irritações
do cólon e dificuldades em manter a regularidade intestinal), além
das ligadas ao sistema cardiovascular. Pesquisas revelam também
uma maior possibilidade de desenvolvimento de câncer de mama e de
colorretal nesses profissionais. Há outros estudos, indicando que
os riscos de acidentes aumentam com o trabalho noturno, particularmente
se a jornada for prolongada.
BOXXX
O que pode ser pior
Mas ir para a cama todo dia em horários diferentes é ainda
muito pior. É o que ocorre com o assistente de segurança
alfandegário Everton da Silva Florencio, de 31 anos, que trabalha
em sistema de turnos no Porto de Santos (SP). A cada semana, ele muda
o horário de trabalho: em uma, ele começa a trabalhar durante
a noite; na outra, pela manhã; e na terceira, à tarde. Conseqüência:
ele não consegue ter um horário certo para dormir. “Eu
não tenho problemas de insônia; tenho sono pesado e durmo
no horário que for preciso”, acredita Florencio. “Mas,
na semana em que passo a madrugada acordado, me sinto muito mais cansado”,
admite. “Se eu pudesse, só começaria a trabalhar pela
manhã, pois acredito que sou muito mais produtivo nesse horário
do que em outros”, afirma.
A regularidade é importante para a manutenção do
ritmo circadiano (de 24 horas) do organismo. Esse ciclo é determinado
pelos centros (células) do chamado relógio biológico,
localizados no cérebro. São essas células que, de
forma harmônica e de acordo com o horário, anunciam como
o organismo humano deve se comportar - quais hormônios devem ser
produzidos, quando as células de determinados tecidos devem se
dividir, qual a concentração de enzimas que deve haver em
certo momento...
Os ritmos internos do nosso organismo são sincronizados por marcadores
externos, como a variação da luz, os momentos em que a pessoa
está em atividade (trabalhando, comendo) e a hora em que ela vai
dormir.
A temperatura corporal, por exemplo, é determinada pelo ritmo circadiano
- aumenta durante o dia e atinge o seu máximo no fim da tarde,
iniciando uma queda lenta e gradual após às 18h, 19h e alcançando
o seu mínimo no meio da madrugada. A variação de
temperatura oscila entre 1 e 1,5 graus entre a mínima e a máxima.
Também há uma pequena queda da temperatura entre 11h e 14h,
que também corresponde ao horário do almoço.
É justamente porque a temperatura corporal está mais baixa
que o ser humano sente sono durante a madrugada. Quando a pessoa passa
várias noites acordada e dorme durante o dia, a curva da temperatura
se altera, não subindo muito durante o dia, nem descendo muito
à noite.
Como a temperatura não diminui na intensidade ideal durante o dia,
a pessoa tem dificuldade em cair no sono e mantê-lo. A presença
de luz nesse horário atrapalha ainda mais o descanso - pois é
no escuro que o corpo produz o hormônio melatonina, regulador do
sono.
FONTE: REVISTA VIVA SAÚDE
ALERTA
Mamadeira e chupeta podem fazer mal
É comum as mães darem chupeta ao bebê quando ele
chora, seja por sono, fome, desconforto e por aí vai. Entretanto,
este hábito aparentemente inofensivo pode ser altamente prejudicial
à saúde do seu filho. O livro Mamadeira e chupeta esclarece
todas as suas dúvidas dá dicas preciosas sobre os males
causados por estes objetos.
"A boca é uma das formas de o bebê ter contato com o
mundo. Se a mãe dá a chupeta quando o bebê chora,
ele aprende a receber gratificação e prazer pela boca",
afirma Rosana Cristina Boni, fonoaudióloga e autora do livro. E
desta maneira, explica a especialista, quando adulta a pessoa pode ser
propensa a roer unhas e fumar, por exemplo.
Há outras conseqüências do uso da chupeta. A mais freqüente
é a mordida aberta anterior, ou seja, quando a criança não
tem as arcadas dentárias alinhadas na região da frente.
Mas, o aspecto psicológico também pode ser afetado. "Por
criarem dependência em relação ao hábito da
chupeta, as crianças se tornam mais dependentes em relação
aos pais", diz a fonoaudióloga.
E em relação à mamadeira, a dica é evitar
o uso. "As crianças devem mamar exclusivamente no peito até
os seis meses e a partir daí já podem usar o copo",
afirma a autora.
Mas, se a mãe não tiver como amamentar, recomenda-se utilizar
um bico fisiológico ou ortodôntico, porque ele tem uma face
achatada que acomoda melhor a língua da criança, além
de o furo estar voltado à região superior da cavidade oral.
Portanto, o ideal é evitar criar estes vícios nas crianças,
pois certamente haverá conseqüências à saúde
e bem-estar, seja a longo ou curto prazo.
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