“Meu filho não cresce”
Marise Vilas Boas é médica em Cascavel - marisevilasboas@hotmail.com
A infância e a adolescência são os períodos
da vida onde ocorre o crescimento e desenvolvimento corporal, possibilitando
ao indivíduo atingir uma estatura final adequada. Um crescimento
normal é um reflexo de uma infância saudável.
Atualmente, existe uma grande preocupação por parte dos
pais em relação à altura dos filhos. Isso se deve
principalmente ao fato da alta estatura trazer a idéia de uma maior
chance de sucesso profissional e pessoal. Talvez essa seja a explicação
para o desejo dos pais de terem filhos altos, para que tenham garantido
maiores oportunidades para o sucesso.
Existe, porém, alguns aspectos importantes que devem ser lembrados
quando o crescimento de uma criança é avaliado. O importante
não é apenas uma verificação isolada da estatura,
e sim o acompanhamento com novas aferições da altura com
intervalo de pelo menos quatro meses entre elas para avaliar a velocidade
de crescimento. Ou seja, para que possa ser avaliado se o ganho na altura
em centímetros neste período está adequado. Essa
velocidade de crescimento irá variar de acordo com a idade, sendo
maior nos primeiros dois anos de vida e durante a puberdade, período
que chamamos de estirão puberal.
Outros fatores como hereditariedade, nutrição, atividade
física e fatores psicossociais também interferem no crescimento.
Portanto, é necessário um equilíbrio entre esses
fatores para que ocorra um desenvolvimento adequado. A presença
de qualquer fator alterando esse equilíbrio - seja uma doença
orgânica, hormonal ou nutricional, entre outras - irá causar
uma diminuição no ritmo de crescimento, podendo comprometer
a estatura final. Crianças que nascem pequenas também apresentam
um risco maior de baixa estatura e devem fazer um acompanhamento médico
adequado.
Portanto, sempre que surgir a dúvida se o crescimento do seu filho
está normal ou não, um profissional deve ser consultado
para uma avaliação mais detalhada e para acompanhamento
adequado, se necessário.
O peso da dívida provocada
François E. J. de Bremaeker é economista e geógrafo
– bremaeker@ibam.org.br
Mesmo antes de assumir seus mandatos, ao tomar conhecimento da real situação
financeira dos seus estados, diversos governadores reivindicavam junto
ao governo federal a renegociação das suas dívidas.
A resposta da área econômica do governo era de que não
seria possível atender essa reivindicação, vez que
isso seria o mesmo que rasgar a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Sabe-se que o montante da dívida dos estados, que alcançou
a marca de R$ 344 bilhões em 2006 - pouco menos de uma terça
parte da dívida líquida do setor público -, cresceu
vertiginosamente com a aplicação da Taxa Selic e com a perda
de receita do ICMS, provocada pela desoneração das exportações
de produtos primários e semi-elaborados.
Essa renúncia de receita promovida desde os idos de 1996, em que
o governo federal desonera um imposto estadual, tem provocado uma séria
sangria nas finanças dos estados e também, por tabela, em
grande parte dos municípios, que perdem 25% dessa receita, já
que a compensação financeira oferecida pelo governo federal
está muito abaixo das expectativas dos governadores.
A questão que não tem sido colocada tem a ver com o desrespeito
ao artigo 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, que trata da renúncia
de receita. Segundo essa lei, a renúncia de receita não
poderá afetar as metas de resultados fiscais. E é justamente
isso o que acontece há mais de uma década.
Se fosse mesmo para valer, segundo a lógica, a Lei de Responsabilidade
Fiscal deveria ter derrogado a Lei Kandir, vez que ela desrespeita o disposto
no citado artigo 14.
A dívida do conjunto dos municípios brasileiros é
bem menor que a dos estados, correspondendo a 4,73% do montante da dívida
líquida do setor público, mas que tenderia a diminuir bastante
se a compensação financeira oferecida pela Lei Kandir atendesse
ao disposto na Lei de Responsabilidade Fiscal: não afetar as metas
de resultados fiscais.
Além do mais, quanto mais os estados se afundam em dívidas
e no pagamento de pesados juros, menos recursos têm para investir,
resultando em crescentes pressões sobre os municípios para
custear a manutenção de inúmeros serviços
e ações dos estados, sem o que a população
estaria seriamente prejudicada.
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