ERRO
Garibaldi rejeita pedido de CPI dos Cartões
O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), rejeitou ontem o requerimento
de instalação da CPI dos Cartões Corporativos. Garibaldi
explicou, no plenário da Casa, que um erro no texto impede que
o documento seja recebido oficialmente pela Mesa Diretora do Congresso.
Mas concedeu o prazo de cinco dias para que o deputado Carlos Sampaio
(PSDB-SP) reapresente o requerimento de criação da CPI.
Segundo Garibaldi, as assinaturas do requerimento foram colhidas como
de “apoiamento” à criação da CPI. O senador
explicou o regimento da Casa não permite aceitar assinaturas que
sejam apenas de apoio à comissão - e o texto de Sampaio
menciona as assinaturas como de “apoiamento”.
Na prática, Sampaio terá que recolher somente as assinaturas
dos 34 senadores que apoiaram a CPI. Isso porque o regimento da Câmara
não faz nenhuma menção ao termo “apoiamento”.
Dessa forma, as assinaturas dos 189 deputados que aderiram ao texto valerão
para o novo requerimento - o que não ocorre com os senadores.
“Eu já estava até preparado para fazer a leitura [do
requerimento], mas não tenho como seguir com a sua tramitação.
No texto, está escrito que são assinaturas de apoiamento,
mas isso desrespeita o artigo 243 do regimento do Congresso”, explicou
Garibaldi.
A oposição disse que vai reapresentar o requerimento dentro
das formalidades exigidas pelo regimento da Casa. “Vamos pedir um
novo requerimento, formalizá-lo como determina a regra formal da
Casa. Essa CPI tem e vai se realizar. Vamos fazer a CPI mista”,
disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).
CONCORRÊNCIA
Disputa da vaga no Tribunal está marcada para junho
Requião quer indicar
o irmão para o TCE
A briga pela vaga de conselheiro do TCE (Tribunal de Contas do Estado)
pode ganhar um novo concorrente, além dos deputados estaduais Caíto
Quintana (PMDB) e Durval Amaral (DEM), que já estão em campanha.
Durante reunião terça-feira à noite da bancada do
PMDB, Quintana reafirmou que é candidato, mas o nome do secretário
de Estado da Educação, Maurício Requião, irmão
do governador Roberto Requião (PMDB), também foi colocado
em discussão.
A disputa está marcada para junho para preencher a vaga que será
aberta pelo conselheiro Henrique Neigeboren, que vai se aposentar. Caíto
Quintana e Durval Amaral já colocaram suas candidaturas e a maioria
dos deputados defende a escolha de um deputado para o cargo, já
que a vaga será indicada pela Assembléia Legislativa.
A possibilidade de o governador incentivar a participação
de Maurício Requião na disputa deixou os parlamentares em
alerta. Entre a própria base aliada existe resistência em
aceitar qualquer tipo de ingerência do Executivo na indicação
de um nome.
Durante a “escolinha” do secretariado terça-feira,
Maurício Requião não quis comentar uma possível
participação na eleição para conselheiro e
disse que não sabia do que se tratava.
FURTO
Petrobras perde dados sigilosos
A Petrobras confirmou ontem que dados sigilosos sobre pesquisas sísmicas,
que podem incluir a descoberta de petróleo e gás, foram
furtados de um contêiner da empresa. A estatal informou apenas que
o furto foi feito de uma empresa terceirizada prestadora de serviços,
mas não citou nomes. O contêiner era transportado pela norte-americana
Halliburton - a empresa, porém, afirmou que não se pronunciará
a pedido da petrolífera brasileira.
Segundo a Petrobras, o furto ocorreu no início deste mês
e a investigação está sob sigilo. Uma missão
especial da Polícia Federal no Rio de Janeiro, em conexão
direta com o comando da PF em Brasília, investiga no caso.
Na ocasião do crime, o caminhão da Halliburton se dirigia
à Macaé (RJ), rumo à base de operações
da estatal na Bacia de Campos, transportando equipamentos, quando ocorreu
o furto dos dados, que estariam em um disco rígido e dois computadores
portáteis.
A estatal não informou detalhes sobre o conteúdo dos dados
roubados, nem se continham números sobre o megacampo de Tupi, na
Bacia de Santos. A Petrobras também evitou comentar detalhes do
furto, mas disse que possui cópias das informações.
Novo ministro
O recém-nomeado ministro Edson Santos (Igualdade Racial), 53, disse
ontem que vai usar cartão corporativo, mas obedecendo “estritamente”
o determinado pela regulamentação do governo. Para Santos,
o ideal é que os cartões não sejam utilizados diretamente
pelos ministros, mas por um funcionário designado e autorizado
pelo órgão competente.
Consciente de que a pasta que irá assumir virou foco de atenções
sob suspeita do uso indevido do cartão corporativo, Santos disse
que aguarda as orientações e espera que uma solução
definitiva seja apresentada em breve. Sua antecessora, Matilde Ribeiro,
pediu demissão após confirmar o mau uso do cartão.
FAZENDAS
UE rejeita
mais uma
vez a lista
A UE (União Européia) rejeitou mais uma vez a lista de fazendas
certificadas pelo Brasil para exportar carne bovina. Ontem, em Bruxelas,
representantes do governo brasileiro entregaram à Comissão
Européia uma lista com 523 propriedades que poderiam vender o produto.
No entanto, a lista não tem base técnica e alguns nomes
teriam sido mantidos por pressão política. Para completar,
o número de gado em cada fazenda foi modificado.
A primeira rejeição aconteceu em 30 de janeiro, quando a
UE suspendeu por tempo indeterminado toda a importação de
carne bovina brasileira. Aquela decisão foi tomada depois de uma
disputa em relação ao número de fazendas que o Brasil
teria direito de certificar. Os europeus indicaram que poderiam aceitar
a carne de 300 propriedades, entretanto, o País apresentou uma
lista com 2.861 propriedades.
A lista apresentada ontem, além de indicar um número superior
ao total aceito pela União Européia, apresentou problemas
de informação que irritaram os europeus. Eles pediram que
o Brasil voltasse hoje aos escritórios da Comissão com uma
lista revisada e deixaram claro que somente aceitariam certificar 300
propriedades.
Desmatadores
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou ontem que o governo
pretende divulgar uma lista contendo o ranking dos 150 maiores desmatadores
do País. A ministra, que participa do Seminário de Avaliação
e Planejamento das Ações de Monitormaneto e Controle dos
Desmatamentos na Amazônia, também lamentou que alguns parlamentares
digam que não é preciso certificar a produção
de madeira, grãos e carne que vêm da Amazônia.
Marina afirmou que sua pasta já está trabalhando pela implementação
do Decreto 6.321, de 21 de dezembro, que aperta o cerco à atividade
de extração ilegal de madeira na Amazônia, e negou
que exista uma possibilidade de perdoar quem já desmatou na região.
Mensalão
Depois de negar com firmeza todas as acusações de envolvimento
com desvio de recursos públicos, o ex-diretor de Marketing do Banco
do Brasil Henrique Pizzolato teve dificuldades ontem para explicar por
que é acusado de receber R$ 326.660,27 de Marcos Valério
de Souza e como, pouco depois, comprou um apartamento por R$ 400 mil.
Ele depôs ontem no processo criminal sobre o “mensalão”
que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele alegou ter feito um
favor a Valério - acusado de operar o esquema de corrupção
- recebendo dois envelopes, que não abriu, para repassar ao PT.
Porém, pressionado pelo juiz Marcelo Granado, o ex-diretor admitiu
ter pago parte do preço do apartamento em dinheiro, mas insistiu
que era seu.
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