Crimes
impunes
A sensação
de impunidade que assola o País só não é maior
que a própria impunidade. A morte cruel do pequeno João
Helio mexeu com a sociedade e trouxe à tona a discussão
da redução da maioridade penal. Assunto semelhante foi tema
constante poucos dias após a morte do casal de namorados no interior
de São Paulo em novembro de 2003, que também chocou pela
brutalidade do duplo homicídio. O motivo foi o mesmo: entre os
envolvidos no crime, um menor.
A exemplo da morte de Liana e Felipe, em pouco tempo o assunto deve cair
no esquecimento e o projeto para a revisão da punição
a menores envolvidos em crimes volta à gaveta.
O pior é que isso se repete em outras áreas. Há mais
de dois anos a Faep (Federação da Agricultura do Estado
do Paraná) alerta para a destruição das florestas
do Paraná, inclusive nativas. Embora com estudo realizado pela
Fundação de Pesquisas Florestais da Universidade Federal
do Paraná, nada foi feito. Esta semana nova constatação
de devastação, agora em Quedas do Iguaçu.
Mas não precisa ir muito longe. Há tempos a imprensa denuncia
situação semelhante em Cascavel, na fazenda Refopas, do
Complexo Cajati. Uma importante área ambiental, com um rico manancial,
está sendo dilapidada, sem qualquer ação efetiva
inibidora. As araucárias, antes abundantes, agora são raras
naquela extensão de terra.
Talvez a culpa pela falta de ação seja da própria
sociedade, que cobra por um tempo curto demais e desiste antes de qualquer
resultado. Só que, não resta dúvida, que cabe aos
poderes constituídos fazerem com que as leis sejam cumpridas. Não
dá mais para manter este ritmo. Sua letargia tem sido fatal em
quase todos os casos.
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