ESTIAGEM
Usda prevê queda expressiva na safra
Desde o mês
de julho, analistas de mercado alertam para os problemas de estresse hídrico
que vinham sofrendo dois dos três maiores produtores de soja dos
Estados Unidos: Iowa e Minnesota. A constatação desse alerta
veio com o primeiro relatório do Usda (Departamento de Agricultura
do país) para as projeções de produção
no país, que foram recuadas de 81,92 milhões para 79,68
milhões de toneladas.
No estado de Iowa, por exemplo, a previsão é colher na temporada
2006/07 cerca de 2,19 milhões de toneladas a menos que o registrado
ano passado, derrubando sua produção de 14,50 milhões
para 12,31 milhões de toneladas.
Já Minnesota deve perder a terceira colocação no
ranking de produção para Indiana, repetindo o feito de 2004,
com uma produção de apenas 7,25 milhões de toneladas,
ou cerca de 13% menor que a anotada em 2005/06, de 8,33 milhões.
A produtividade de Iowa deve cair para o mais baixo nível dos últimos
três anos. Os produtores do estado devem fechar a safra com uma
média de 50,44 sacas por hectare, 15% menor que o recorde atingido
ano passado e abaixo da média dos últimos cinco anos (2001
a 2005), de 50,66 sacas por hectare.
AGRICULTURA
Benefício será para adimplentes
MP permite a
bancos financiar
capital de giro
O governo
federal deve publicar, nos próximos dias, uma nova MP (Medida Provisória)
que permitirá aos bancos oferecer capital de giro aos agricultores
que pagaram em dia as parcelas vencidas em 2005 e 2006 do Pesa (Programa
Especial de Saneamento de Ativos).
O assessor técnico da Comissão Nacional de Crédito
Rural da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária
do Brasil), Luciano Carvalho, afirma que a medida é tardia, mas
que pode ajudar. “Muitos produtores venderam bens ou pegaram dinheiro
emprestado a juros altos para quitar as parcelas e agora terão
acesso a recursos para capital de giro”.
POLÍTICA
MONETÁRIA
É difícil o Mercosul dar certo, diz Fraga
Para Armínio
Fraga, ex-presidente do Banco Central e fundador da empresa Gávea
Investimentos, o Mercosul, “que já não era muito bom”,
ficou pior com a participação do presidente da Venezuela,
Hugo Chávez.
“Com a entrada da Venezuela, é difícil entender como
o Mercosul vai dar certo”, disse, durante o Global Alumni Forum,
encontro realizado no Rio de Janeiro para comemorar os 125 anos de fundação
da Wharton School, escola de administração da Universidade
da Pensilvânia.
Mas o mercado entre países da América do Sul não
foi o único alvo de críticas de Fraga. O ex-presidente do
BC confessou que se sente desconfortável diante de vários
pontos da atual política externa.
“Precisamos ter uma política externa mais voltada para a
integração internacional, menos preconceituosa, menos terceiro
mundista”, comentou, referindo-se, por exemplo, ao suposto alinhamento
do Brasil a países menos desenvolvidos do Sul e à tímida
posição diante das potências do hemisfério
Norte.
BANCO
DO BRASIL
Dirigentes têm de devolver R$ 430 milhões
O TCU (Tribunal
de Contas da União) considerou irregular o prejuízo de R$
143,7 milhões - cerca de R$ 430 milhões em valores de hoje,
segundo o tribunal - que o Banco do Brasil assumiu por conta de má
gestão de fundos de investimento da instituição,
em 1999, época da mudança no regime cambial.
Em razão disso, o TCU quer que 17 dirigentes do banco, entre eles
o atual presidente, Rossano Maranhão, e outros que já deixaram
o banco devolvam essa quantia aos cofres públicos.
Além disso, o plenário do tribunal decidiu que os antecessores
de Maranhão no cargo, Cássio Casseb e Paolo Zaghen, devem
pagar multa de R$ 4 mil e R$ 5 mil, respectivamente, por dificultarem
as investigações, ao não repassarem de forma satisfatória
informações pedidas pelo tribunal.
O atual presidente do BB consta da lista de funcionários que, na
época das operações consideradas irregulares pelo
tribunal, autorizaram o ressarcimento de cotistas de fundos de investimento
por causa de perdas no mercado futuro de dólar.
Os acusados terão 15 dias para recorrer e o tribunal terá
que se pronunciar novamente se manterá a decisão ou não.
SEMESTRE
Lucro do BNDES sobe
81% e supera o Bradesco
O BNDES (Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) lucrou R$ 3,317
bilhões no primeiro semestre, 81,1% a mais do que em igual período
do ano passado. O valor representa o maior lucro semestral na história
do banco e supera o resultado obtido no ano de 2005, de R$ 3,2 bilhões.
O desempenho do BNDES supera o do Bradesco, maior banco privado do país,
que lucrou R$ 3,132 bilhões no primeiro semestre. Segundo o presidente
do BNDES, Demian Fiocca, a maior parte do lucro veio das operações
de renda variável, e não da cobrança de juros sobre
os empréstimos.
“A participação da renda variável é
positiva porque o BNDES ganha junto com os ganhos das empresas. Quando
ele vende ações no mercado, a empresa continua com a sua
condição financeira para crescer e continuar a investir”,
disse.
ATRITO
O anúncio de novas medidas de desoneração tributária
criaram mal-estar entre importantes membros do governo. Sexta-feira o
secretário de Política Econômica, Júlio Sérgio
Gomes de Almeida, desmentiu de forma categórica as medidas anunciadas
pelo ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan. Seu tom foi jocoso:
“Nos semicondutores, nem que o governo arriasse as calças,
não tem espaço”, disse, em referência a um dos
setores que, segundo Furlan, seriam beneficiados.
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