Edição nº 4659 - Quinta-feira, 14 de junho de 2007 Classificados | Assinatura | Impressão
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Em defesa da vida

João/Lino - AA (Alcoólicos Anônimos) Ascese - Toledo

A sobriedade é defendida por líderes religiosas e entendida como valor humano que dignifica as pessoas e contribui para a construção da vida plena

O mundo inteiro acompanhou a visita do Papa Bento XVI ao Brasil, entre os dias 9 a 13 de maio. Todos os milhões de brasileiros ouviram, por meio dos meios de comunicação, as mensagens de fé e otimismo, de reforma e esperança para uma vida melhor. Foi uma retomada de alento e confiança nas autoridades constituídas, nos que professam uma religião, mas principalmente nos jovens.
Lembrou, com especial carinho, os sofredores afetados pela escravidão das drogas e do alcoolismo. Por isto mesmo, fez questão de incluir em sua agenda a visita à obra social Nossa Senhora da Glória, mais conhecida como Fazenda da Esperança, de Guaratinguetá (SP).
Saudou, com particular afeto, o frei Hanz Stapel, fundador dessa entidade, como a todos que se encontravam em fase de recuperação, aos recuperados, voluntários, famílias e benfeitores.
Mas para muitos, o ponto alto de sua alocução foi quando disse: “Meu pensamento vai agora a muitas outras instituições do mundo inteiro que trabalham para restituir a vida, e vida nova, a estes nossos irmãos presentes na nossa sociedade, e que Deus ama com um amor preferencial. Penso também nos muitos grupos de Alcoólicos Anônimos e de Narcóticos Anônimos, e na Pastoral da Sobriedade que já trabalham em muitas comunidades, prestando seus generosos auxílios em favor da vida”.
Na verdade, abençoada é a comunidade que abriga um grupo de recuperação... que tem um grupo de Alcoólicos Anônimos em seu meio. Não foi por acaso que, no transcurso do Concílio Vaticano II, o então Papa João XXIII declarou: “Alcoólicos Anônimos é o milagre do século XX”.
O cardeal dom Paulo Evaristo Arns, em 1995, disse: “Tive a graça de trabalhar durante 11 anos em sete favelas. Depois, Deus me destinou a ser bispo numa grande cidade, onde lutei por quase 30 anos contra o alcoolismo. Cada vez que encontro um centro destinado a Alcoólicos Anônimos rezo por eles e procuro incentivar o esforço de animar as pessoas a abandonarem o constante consumo do álcool. É possível curar a doença do alcoolismo. É só procurar os Alcoólicos Anônimos que têm muito jeito de ajudar e guardam segredo sobre a vida dos amigos. Até conheço padres que receberam licença para celebrar missa com suco de uva, em vez de vinho. Deixaram de beber, e hoje são felizes”.
Dom Helder Câmara, saudoso arcebispo emérito de Olinda e Recife, ao comentar sobre o mal do alcoolismo, disse, em 1993: “Diante desse quadro, é reconfortante constatar que existem pessoas fazendo da solidariedade ativa a base de sua relação com o semelhante e fazendo-o anonimamente, tornando, sem estardalhaços, com total isenção de outra finalidade que não seja a de prestar um testemunho de confiança e amor à humanidade. Este é o caso de Alcoólicos Anônimos, cujo trabalho deve constituir não apenas uma experiência merecedora de reconhecimento e aplausos, mas um exemplo a ser reproduzido nas mais diferentes áreas e campos da atividade humana. Pudesse o espírito que move os Alcoólicos Anônimos ser internalizado por outros grupos e pessoas, em escala planetária, seguramente não teríamos a guerra, a fome, a miséria”.
E é verdade, pois que, desde seu aparecimento no dia 10 de junho de 1935 até hoje, portanto há 72 anos, funciona em 180 países, com mais de 5 milhões de recuperados, que reencontraram a paz, a felicidade, a liberdade e mais que isto: Encontraram Deus.
E entre essa multidão de pessoas, quantas famílias convivendo novamente num espírito de alegria, de bem com a vida, com a sociedade? E entre essas pessoas, quantos eram descentes, ateus, agnósticos, céticos e hoje eles vivem uma vida de profunda espiritualidade?
Espiritualidade não imposta, mas adquirida livre e espontaneamente, visto aceitarem a intervenção e a manifestação de um Poder Superior que os amou e ama realmente e que hoje o chamam de Deus, que é o Pai. Esse é o milagre do século XX, que perdurará até que este Deus amigo e fiel quiser.
Aqui, meu caro portador da doença do alcoolismo, tu terás tua chance, pois Alcoólicos Anônimos é uma irmandade, sim! Irmãos que compreendem e que se ajudam mutuamente, irmãos que se amam com o amor mais puro, não interesseiro.
Alcoólicos Anônimos não combate o álcool; não é contra a bebida alcoólica, apenas alerta sobre o mal que esta produz e indica o caminho da sobriedade. Assim como para o Bom Samaritano, o principal para nós é salvar vidas. Não nos preocupamos com os que causam o mal.

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