| PERIGO
Na época de férias, aumentam os riscos de acidentes; atenção
deve ser redobrada
Verão exige cuidado com as crianças
Todos os anos, cerca de 6 mil crianças brasileiras morrem e 140
mil são hospitalizadas, vítimas de acidentes que poderiam
ser evitados. O período de festas de fim de ano e férias
de verão está entre os que mais exigem cuidados por parte
dos adultos, para que evitem estes acidentes.
A ONG Criança Segura, que luta pela prevenção de
acidentes envolvendo crianças e adolescentes de até 14 anos,
alerta para que as crianças sejam supervisionadas por adultos durante
100% do tempo. “Os acidentes podem acontecer em qualquer momento
de descuido e das mais variadas formas. Por isso, é fundamental
que os responsáveis estejam atentos às medidas de segurança
e prevenção”, explica Alessandra Françóia,
coordenadora regional da entidade.
Os acidentes de trânsito estão entre os que mais acontecem
no verão. “É fundamental que as crianças sejam
transportadas, dentro dos veículos, em cadeirinhas certificadas,
apropriadas para seu peso e idade. Enquanto pedestres, elas devem ser
acompanhadas e sempre seguradas pelo pulso, já que segurá-las
pela mão facilita que elas se soltem e corram riscos de atropelamento.
Além disso, itens como bicicletas, patins e skates devem ser usados
sempre em locais seguros e com equipamentos de segurança, como
capacetes, joelheiras, cotoveleiras, entre outros”, cita Françóia.
Outros acidentes que se destacam neste período são os afogamentos
e quedas. O agravante dos afogamentos é que acontecem rápida
e silenciosamente. Podem ocorrer no mar, em piscinas, lagos, cavas ou
mesmo numa banheira. Por isso, deve-se evitar deixar a criança
sozinha na água, mesmo em lugares considerados rasos, e fazer com
que elas utilizem colete salva-vidas.
“O que agrava a situação dos afogamentos é
o fato de que, durante a temporada de verão, os locais não
pertencentes à região litorânea não recebem
nenhum tipo de assistência profissional, como a dos salva-vidas
do Corpo de Bombeiros, que realizam, nas praias, trabalhos preventivos
de orientação e advertência a banhistas”, conta
o primeiro-tenente Leonardo Mendes dos Santos, Relações
Públicas do Corpo de Bombeiros.
“Os locais mais perigosos são as cavas, que estão,
em sua grande maioria, localizadas em áreas públicas de
fácil acesso, mas afastadas de qualquer tipo de socorro. O fundo
das cavas é irregular, cheio de buracos, o que torna o banho nestes
locais potencialmente perigoso”.
Móveis bem fixados
Para evitar as quedas e suas possíveis lesões - como traumatismos
cranianos - as crianças devem brincar em locais seguros, longe
de escadas, sacadas, lajes, entre outros. É fundamental também
conferir se móveis e o tanque de lavar roupas estão bem
fixados. De acordo com o primeiro-tenente Leonardo Mendes dos Santos,
Relações Públicas do Corpo de Bombeiros, é
muito comum as crianças brincarem perto ou sobre esses objetos
e acabarem caindo ou derrubando-os em cima delas, que pode ser fatal.
Estatísticas do último verão
Só no Paraná, na última temporada de verão
(entre 1º de dezembro de 2006 e 1º de março de 2007),
mais de 3 mil crianças e adolescentes de até 15 anos foram
atendidos pelo Siate (Sistema Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergências)
em acidentes de trânsito, armas de fogo, objetos cortantes, intoxicação
e/ou envenenamento, quedas, afogamentos, enforcamentos, entre outros.
Este grupo representa 12,33% do total de pessoas atendidas pelo órgão.
Segundo o Siate, neste mesmo período, 1.550 crianças e adolescentes
foram vítimas de acidentes envolvendo meios de transporte (desde
bicicletas e motos até ônibus e caminhões). Eles representam
cerca de 11,57% do total de vítimas por esta causa. Além
disso, os números do último verão paranaense apontam,
ainda, 717 acidentes por diversos tipos de quedas, 51 envolvendo armas
de fogo, 83 com objetos cortantes, 13 causados por intoxicação
e/ou envenenamento e 43 afogamentos.
OLHOS
Proteção dos olhos contra raios UV pode evitar doenças
Apesar da previsão de que o verão de 2008 será marcado
por dias mais chuvosos em algumas regiões do País, inclusive
com tempo nublado e frentes frias, devido ao fenômeno La Niña,
a proteção dos olhos contra os efeitos nocivos dos raios
solares UVA e UVB é fundamental. Este é o alerta do oftalmologista
Marcus Sáfady, consultor do Instituto Varilux da Visão,
entidade que realiza trabalhos sociais em comunidades carentes de todo
o Brasil. “É preciso conscientizar as pessoas que não
é só a pele que precisa de proteção, os olhos
também. No verão, 95% dos raios UV passam pela córnea,
agredindo a retina e o cristalino. Segundo evidências clínicas,
isto pode causar degeneração macular e catarata”,
afirma o especialista, acrescentando que os raios UVB provocam queimaduras,
câncer de pele e danos à córnea.
De acordo com o Sáfady, que também é membro da Sociedade
Brasileira de Oftalmologia, 1% de diminuição na camada de
ozônio pode causar um aumento de 0,7% de catarata e 4% de câncer
de pele. A exposição excessiva e sem proteção
UV pode causar ceratite actínica. “Trata-se de uma inflamação
da córnea extremamente incômoda para o paciente. Ocorre normalmente
de 6 a 12 horas após a exposição solar, causando
uma forte sensação de areia, dor e fotofobia (sensibilidade
acentuada a luz)”, esclarece.
Óculos escuros
No verão há um aumento do uso de óculos escuros,
o que também preocupa o oftalmologista Marcus Sáfady, pois,
segundo ele, há dois conceitos importantes: óculos escuros
e óculos com proteção UV. No primeiro, as lentes
escurecidas filtram uma parte da luz ambiente, diminuindo os sintomas
de fotofobia quando eles existem. Mas ele lembra que uma lente escurecida
não vai necessariamente filtrar os raios UV. “Depende do
material com que a lente é feita”, afirma.
Segundo ele, o mercado já oferece lentes oftálmicas que
protegem o olho dos raios solares, pois estudos indicam que em países
com maior incidência solar e, conseqüentemente mais UV.
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