| CASA PRÓPRIA
Alvaro defende dedução das prestações do
IR
Projeto do senador Alvaro Dias (PSDB-PR), que deverá ser votado
em decisão terminativa pela CAE (Comissão de Assuntos Econômicos),
permite a dedução das prestações da casa própria
do Imposto de Renda. Para ter direito ao benefício, entretanto,
o contribuinte só poderá possuir um imóvel, avaliado
em valor inferior a R$ 150 mil. O PLS 470/07 altera a Lei 9.250/95, que
dispõe sobre o IRPF (Imposto de Renda das Pessoas Físicas).
Na justificação da matéria, Alvaro Dias lembra que
a moradia está inserida na Constituição como um dos
direitos sociais. Apesar disso, o Brasil é reconhecidamente um
país “de imensas carências na área habitacional”.
Além de beneficiar as camadas mais carentes da população,
a permissão para abatimento das despesas com aquisição
de moradia do IR representaria um subsídio à indústria
de construção.
“É sabido que a construção civil, por empregar
grande quantidade de pessoas, inclusive de pouca qualificação
profissional, é uma das grandes ferramentas de dinamização
econômica. Incentivar esse setor traz, portanto, o duplo benefício
de empregar e distribuir renda, ao mesmo tempo em que diminui o déficit
habitacional”, afirmou.
AGRICULTURA
Projeto visa cobrir a atual carência de garantias
Osmar quer fundo para
facilitar o crédito rural
As Comissões de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) e de
Assuntos Econômicos (CAE) devem analisar este ano projeto de lei
do senador Osmar Dias (PDT-PR) que cria o FAPCR (Fundo de Aval para Proteção
ao Crédito Rural). Segundo o autor da proposição,
o fundo seria instituído com o objetivo de fornecer recursos ao
produtor rural ou às suas cooperativas para garantir o risco das
operações de crédito rural - gerenciadas pelo Tesouro
Nacional.
De acordo com o projeto (PLS 303/07), o mutuário poderá
contratar o aval do FAPCR no momento da contratação do crédito
rural. Será devida ao Fundo uma CCA (Comissão de Concessão
de Aval), que será cobrada pelo gestor do fundo, em cada operação
de crédito rural, pela complementação da garantia
prestada ao produtor rural. A receita decorrente da cobrança dessa
comissão custeará o fundo. Além disso, receitas resultantes
da aplicação financeira desse fundo, bem como da recuperação
de crédito de operações cobertas com o aval do FAPCR
e da reversão de saldos não aplicados também constituirão
os seus recursos.
O projeto sugere ainda que, em caso de inadimplência das operações
em que houve contratação de aval do fundo, as parcelas vencidas
sejam quitadas pelo FAPCR, incluindo os encargos contratuais, no prazo
de até 30 dias após o respectivo vencimento. As operações
de crédito terão prazo de pagamento de até 24 meses
e serão remuneradas pela variação pro rata die da
taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados
no Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia)
para títulos públicos federais - a taxa Selic reúne
os depósitos dos títulos da dívida pública
federal interna.
Na justificação de seu projeto, Osmar Dias lembra que um
dos principais problemas enfrentados pelo produtor rural na obtenção
de crédito rural é a falta de garantias para a realização
de novos financiamentos. Se o projeto for aprovado, explica o senador,
no momento da contratação da operação de crédito
rural o produtor poderá também contratar o aval do fundo.
Com isso, diz, os bancos poderão dispensar a apresentação
de outras garantias para a concessão do financiamento.
Quanto à possibilidade de o fundo tornar-se um incentivo à
inadimplência, Osmar Dias explica que, se o aval for utilizado,
o crédito contraído junto ao FAPCR será remunerado
pela taxa Selic, que normalmente é superior às taxas de
juros do crédito rural. “Com isso, será sempre melhor
pagar o financiamento na data de vencimento do que utilizar o aval. Assim,
o fundo terá como função primordial a concessão
de garantia”.
Dívida agrícola
A solução definitiva para o endividamento agrícola
é uma das principais metas da Comissão de Agricultura, Pecuária,
Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara para 2008. Apesar
de responder por grande parte do bom desempenho econômico do Brasil,
o setor agrícola acumula cerca de R$ 120 bilhões entre dívidas
antigas e outros débitos recentes para o custeio e o investimento
das últimas safras.
A área econômica do governo havia prometido apresentar uma
proposta de reestruturação da dívida até o
fim de dezembro. O prazo foi prorrogado para 31 de março deste
ano devido aos reflexos do fim da CPMF.
Por meio da Subcomissão de Endividamento Rural, os deputados da
Comissão de Agricultura se transformaram nos principais intermediadores
das negociações entre o governo e os produtores rurais.
Os parlamentares já conseguiram vários acordos de refinanciamento
parcial da dívida, que garantiram a abertura de crédito
para o custeio das safras subseqüentes.
O deputado Marcos Montes (DEM-MG) avalia que chegou a hora de uma solução
definitiva para o problema: “Acredito que o produtor possa finalmente,
neste ano de 2008, colher alguns frutos do trabalho que ele vem executando
ao longo desses últimos anos. Mas para isso, é lógico,
ele precisa da sensibilidade do governo federal, da área econômica,
do presidente, para entender que o setor não pode mais passar pelo
que vem passando há alguns anos”.
Inelegibilidade
A senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) apresentou projeto de lei (PLS 684/07
- Complementar) que torna inelegíveis os apresentadores, locutores
e comentaristas de programas de rádio ou televisão que não
se afastarem de suas funções até um ano antes das
eleições, além de proibir detentores de mandatos
eletivos de exercer essas atividades. A proposta encontra-se na CCJ (Comissão
de Constituição, Justiça e Cidadania), onde aguarda
a designação de relator.
Na justificação do projeto, a senadora avalia que a candidatura
dos profissionais de rádio ou televisão é beneficiada
pelo prestígio angariado junto ao público no exercício
de suas atividades.
A proposta torna inelegíveis para qualquer cargo aqueles que, até
um ano antes da eleição, tenham exercido atividades de apresentador,
locutor ou, em caráter habitual, de comentarista em programas de
rádio ou televisão.
ENTREVISTA
Nestor Dalmina rechaçou obras feitas pela administração
Para vereador, Governo
Lísias é uma maquiagem
Conhecido pelas declarações polêmicas, o vereador
Nestor Dalmina (PT) cumpre seu segundo mandato consecutivo na Câmara
de Cascavel. Suas atitudes na atual legislatura lhe deram o título
de maior opositor do governo do prefeito Lísias Tomé (PSC)
no Legislativo.
Arquiteto e ex-secretário de Planejamento, Dalmina vem questionando
a qualidade e os valores das obras que estão sendo realizadas no
Município. “Esta administração é toda
uma maquiagem que na primeira chuva vai desbotar e ficar feia de novo”,
afirma o petista.
As principais críticas de Dalmina são relativas à
revitalização da Praça Wilson Joffre e às
obras nos salões comunitários. “O que está
sendo feito é tudo remendo. Estive na Praça Wilson Joffre
e o que está sendo feito é lamentável. Vão
gastar quase R$ 1 milhão para fazer uma praça toda remendada.
Também estive nos salões e neste caso é uma verdadeira
piada”.
Há mais de 20 anos filiado no PT, o parlamentar comentou os planos
do partido para as eleições e a aproximação
com o colega Aderbal de Mello, depois de tantos anos de rivalidade entre
os petistas.
Jornal Hoje: Quais os principais problemas apontados no Governo Lísias
Tomé?
Nestor Dalmina: Acho que o Governo Lísias foi escolhido como uma
opção de mudança, porém, desde o início,
as práticas do prefeito foram as mesmas de seus antecessores, nomeando
um monte de gente, um nepotismo desvairado, nomeando pessoas que não
moravam em Cascavel, trazendo secretários de fora da cidade, esposa
em cargo de secretária, um conjunto de escândalos, como o
caso do cemitério, em que um terreno que estava sendo vendido por
R$ 150 mil a prefeitura comprou por R$ 700 mil. Por tudo isso, na qualidade
de vereador, tenho que fazer meu papel de fiscalizar.
Hoje: O que encontrou nas obras de reforma dos salões comunitários?
Dalmina: Pedi informações para a prefeitura sobre as obras,
mas não me mandaram nada e devo procurar o Ministério Público.
Estive em alguns salões e verifiquei que é uma piada o que
foi feito. Depois de três chuvas a tinta já está desbotando.
Um exemplo é o salão do Brazmadeira, lá a tubulação
da pia está toda exposta ao invés de ser embutida, fizeram
uma pintura sem se preocupar em rebocar, passar massa corrida. Gastaram
R$ 48 mil para fazer a reforma daquele barracão, com esse dinheiro
qualquer empresa teria feito posto piso cerâmico e rebocado tudo
pra deixar o salão de primeira. Então, na realidade, é
tudo uma maquiagem, estão gastando um monte de dinheiro para fazer
uma coisa ridícula. A qualidade de mão-de-obra é
péssima, azulejo de dois, três tipos, parece até que
foi comprado em ponta de estoque. Temos constatado que são obras
de má qualidade. Farei um orçamento com a minha assessoria
e verificar se houve algum furo.
Hoje: A ser ver, como será entregue a obra da Praça Wilson
Joffre?
Dalmina: O que está sendo feito na praça é lamentável,
pois é outro remendo. Derrubaram os muros e o banheiro que está
sendo feito é horrível. O custo da obra explicado na Câmara
pelo secretario de Planejamento [Alessandro Lopes] foi de R$ 250 mil e
lá tem uma placa de R$ 520 mil, além de mais R$ 400 de iluminação.
Pedi informações, pois quero ver o projeto, o memorial e
a qualidade do material especificado, para verificar se realmente vão
gastar os R$ 900 mil. O fato é que estão só ciscando
naquela praça, quem passa lá vê. É um absurdo,
não tem nada de obra nova. É uma praça que vão
gastar quase R$ 1 milhão, mas será uma praça toda
remendada. Esta administração é toda uma maquiagem
que na primeira chuva vai desbotar e ficar feia de novo.
Hoje: O vereador propôs uma CEI para apurar as diárias do
governo. A prefeitura tem abusado nos gastos?
Dalmina: Me mandaram informações nas quais constatei diárias
que não têm sentido algum. Diária precisa ser acompanhada
do motivo, se você foi para algum lugar, na volta tem que prestar
um relatório do resultado conseguido. Em toda a minha vida pública
tive somente duas diárias quando fui a Brasília e o resultado
foram duas farmácias populares em Cascavel. Agora, diária
para fazer turismo, para ir ao Chile, duas vezes para o Canadá,
para Assunção, que na verdade você acaba indo pra
Cidade do Leste fazer compras. Outro fato que chama atenção
é que a maioria dos nomes das diárias tem o sobrenome Tomé.
Hoje: Quais seus planos? Pretende disputar a reeleição?
Dalmina: Não serei candidato à reeleição para
vereador. Acho que a minha parte de contribuição para a
sociedade de Cascavel eu já dei. Tive dois mandatos e procurei
exercê-los de forma independente, levando em consideração
a verdadeira função do vereador, que não está
na Câmara para falar bem do prefeito, está para fiscalizar
o administrador. Acho que vereador que é amiguinho do prefeito
está sub judice, ainda mais em uma administração
que comprovadamente teve problemas. Procuro ser sincero, não tenho
medo de falar o que penso. Tenho certeza que a população
que votou em mim está satisfeita com meu mandato. Dever cumprido
como vereador, mas não descarto uma candidatura à prefeitura,
uma vice ou até para deputado mais à frente.
SUGESTÃO OLHO:
“Esta administração é toda uma maquiagem que
na primeira chuva vai desbotar e ficar feia de novo”
“Acho que vereador que é amiguinho do prefeito está
sub judice, ainda mais em uma administração que comprovadamente
já teve problemas”
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